Uma olhada no Debris Linux

Uma olhada no Debris Linux

Taking a look At Debris Linux
Autor original: Caitlyn Martin
Publicado originalmente no:
distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft

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Parece que toda semana anunciam uma nova distribuição baseada no Ubuntu. Dentre tantas, poucas se destacam por fazer algo inovador ou significativamente diferente da distribuição que as inspirou. O Debris Linux chamou a minha atenção.

O nome Debris Linux apareceu pela primeira vez em maio de 2007. Antes disso a distro era conhecida como BeaFanatIX (BFX). A versão 1.0 é a primeira versão estável do Debris Linux com seu novo nome. Ela foi anunciada no dia 5 de abril de 2008 e é baseada no Ubuntu 7.10 (Gutsy Gibbon). O Debris Linux é um live CD que oferece um instalador personalizado (DebI), capaz de realizar instalações tradicionais no HD e de criar pendrives inicializáveis usando uma instalação frugal similar à encontrada no Damn Small Linux. A distribuição cabe em uma imagem ISO que sempre tem menos de 200 MB, o que permite gravar o Debris Linux em um mini CD e ainda oferecer a funcionalidade total de um desktop.

Os objetivos da distro incluem manter-se pequena e compacta, com os mais modestos requisitos de hardware possíveis, para que o Debris rode bem em máquinas antigas. Os requisitos mínimos do sistema são: processador Pentium II, 128 MB de RAM e 2 GB de HD. A instalação completa do sistema só ocupa 850 MB do HD, tornando o Debris ideal para netbooks e nettops modestos ou de primeira geração, com 2 ou 4 GB de armazenamento SSD, além de sistemas antigos com espaço limitado para armazenamento. De muitas maneiras, o Debris Linux é para o Ubuntu o que distribuições como o Slax e o Wolvix Cub são para o Slackware. Uma comunidade relativamente pequena porém ativa se formou ao redor da distro e o fórum é movimentado.

Versão estável atual: Debris Linux 1.0.4

A versão estável mais recente do Debris Linux é a 1.0.4, que foi anunciada no dia 17 de janeiro. Eu a testei no meu velho (6 anos e meio) Toshiba Satellite 1805-S204 (Processador Intel Celeron 1,0 GHz, 512 MB de RAM e HD de 20 GB) e tive uma boa impressão dessa pequena distro. Os live-CDs do Ubuntu geralmente são mais lentos que melado subindo a ladeira no inverno no meu velho Toshiba, ao ponto de serem praticamente inúteis. O Debris Linux demorou a carregar, mas depois que carregou respondeu muito bem e mostrou-se bastante funcional. As afirmações dos desenvolvedores quanto ao desempenho aprimorado em hardware limitado provaram ser verdadeiras imediatamente. Também encontrei um bug bastante óbvio. Meu desktop estava pequeno na tela, cercado por um espaço preto. Já vi isso antes no Slackware e em seus derivados. Ficou claro que o que o Debris Linux 1.0.4 usa para detecção de hardware não veio do Ubuntu. Eu já sabia que depois de instalar a distro no HD o problema seria resolvido facilmente, e foi isso o que eu fiz.

O DebI, instalador personalizado do Debris, não é um instalador gráfico, mas é simples, direto e bem pensado. A versão presente no Debris Linux 1.0.4 oferece opções para usar o disco rígido inteiro, escolher partições que já existam e para reparticionar o HD com o GParted ou o cfdisk. Eu escolhi usar partições já existentes e usei as partições root e home. Não tive escolha quanto ao sistema de arquivos: o DebI sempre usa o ext3. Tive a opção de manter meu diretório /home, sem formatá-lo.

Após a instalação eu obtive um sistema GNOME funcional, mas o problema da tela ao qual eu me referi acima continuava. Usei um arquivo xorg.conf que eu sabia que funcionava no Mandriva Linux, e o problema sumiu. Como era de se esperar, a seleção de aplicativos instalados é bem limitada, incluindo Firefox, Evolution, gFTP, Pidgin, AbiWord, Gnumeric, Leafpad, GQView e Audacious. O Network Manager do Ubuntu cuidou da conectividade de rede, e tanto a rede com fio quanto a sem fio funcionaram imediatamente após a instalação. O instalador não configurou a minha placa de som, e ainda que o ALSA estivesse instalado, vinha desativado por padrão.

Não encontrei muitos bugs no Debris Linux 1.0.4, como era de se esperar na quarta versão de manutenção de uma distro. Um bug bastante óbvio, embora trivial, foi a aparição de dois ícones em vez de um para mídias removíveis como pendrives.

Infelizmente, no final de abril, o Debris Linux 1.0.4 passou a ter um grande problema. Apenas um pequeno repositório de pacotes personalizados é mantido especificamente para a distro. Tirando isso, o Debris Linux depende dos repositórios do Ubuntu. Em abril, o suporte do Ubuntu 7.10 chegou ao fim. Se tentar atualizar a lista de pacotes, você só vai receber erros 404. Os repositórios não existem mais. A recomendação de Stefan Emmerich (Renegat3), o principal desenvolvedor, é rodar a versão de desenvolvimento mais recente do Debris Linux 2.0.

O caminho até o Debris Linux 2.0

O primeiro alfa público do Debris Linux 2.0 foi lançado em 4 de outubro de 2008. Após cinco versões alfa, o primeiro beta (versão 1.7.0) foi lançado no dia 4 de maio. A equipe do Debris Linux deixou claro que o objetivo é lançar a versão 2.0 relativamente rápido agora que o Ubuntu 7.10 não é mais suportado.

Diferente do que aconteceu no Debris Linux 1.0, baseado na versão mais recente do Ubuntu, as próximas versões usarão o Ubuntu LTS (com suporte estendido) como base, para evitar que o suporte da Canonical se encerre antes da próxima versão do Debris ser lançada. Outro benefício de ter como base o Ubuntu 8.04 LTS (Hardy Heron) em vez do 9.04 (Jaunty Jackalope) é que o 8.04 já passou por três versões de manutenção e a maioria dos bugs significantes conhecidos já foi resolvida. As versões LTS são o que a Canonical oferece aos clientes corporativos que querem o máximo de estabilidade e confiabilidade. Certos problemas que algumas distros enfrentaram com os drivers de vídeo mais recentes também são evitados quando se usa o Hardy Heron como base. Em troca, a distro não inclui as versões mais recentes dos programas, exceto quando elas são adaptadas (os famosos “backports”) ou empacotadas especialmente para o Debris Linux. Eventualmente, também pode faltar suporte a hardware que esteja chegando agora ao mercado. O Debris Linux contorna muitos problemas de hardware oferecendo um kernel recente e personalizado.

Matthias Gaiser (MoonMind) descreve a filosofia do Debris Linux: “O conceito por trás do Debris pode ser descrito como ‘tão simples, direto e eficiente quanto possível’. Isso significa que não incluímos tudo, integramos apenas o que realmente precisa estar lá, e embora você nem sempre possa presenciar isso, nós discutimos as opções e as escolhas extensivamente. […] Não queremos ser uma distribuição que oferece tudo – somos uma distro elegante com um grande foco no uso básico do desktop. Também não queremos empacotar tudo o que for possível usando apenas aplicativos super leves para diminuir o tamanho (há outras distribuições que fazem exatamente isso, como o Puppy Linux ou o Damn Small Linux). O que queremos é oferecer uma experiência de desktop agradável, ainda que um pouco limitada, para que uma pessoa possa fazer as coisas mais importantes que ela queira fazer com um computador. Como nem todo mundo tem uma máquina que se sai bem ao ser confrontada pelos aplicativos e pelo conteúdo modernos de multimídia, preferimos integrar apenas os recursos mais necessários.”

Versão beta atual – Debris Linux 1.7.0

Instalei o Debris Linux 1.7.0 no laptop Toshiba e no meu netbook Sylvania g Netbook Meso que comprei em janeiro (CPU Intel Atom N270 de 1,6 GHz, 1 GB de RAM, HD de 80 GB). O DebI não mudou muito desde a versão 1.0.4. A instalação correu sem problemas nas duas máquinas. O problema de vídeo que eu descrevi acima com o laptop Toshiba e o chipset Cyberblade XPI não foi corrigido, mas foi fácil resolver. No netbook Sylvania, o sistema foi configurado corretamente com a resolução padrão de 1024×600 pixels. Nos dois sistemas tudo funcionou de primeira, com duas exceções notáveis. Em ambos os casos eu tive que instalar mais pacotes pelo repositório do Ubuntu, incluindo o PulseAudio, para que o som funcionasse sem problemas. No netbook, não foram instalados drivers e aplicativos para a webcam. Também, aí já seria pedir demais de uma minidistro como o Debris Linux. O CUPS vem instalado por padrão, mas não está configurado.

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Debris Linux com o desktop Aeryn (GNOME + Openbox) padrão

Depois de instalado, o novo Debris beta agora oferece três opções de desktop:

  • Aeryn: GNOME com o Openbox no lugar do Metacity como gerenciador de janelas

  • GNOME tradicional com o Metacity

  • Openbox com fbpanel

Escolhendo o Openbox com o fbpanel o desempenho do velho laptop Toshiba foi excelente. Tenho que fazer algumas medições para ver se ficou rápido como o Wolvix ou o VectorLinux Light, mas ao menos bem perto ele chega. No fim das contas, ele está muito bem feito, tanto na apresentação de um desktop bonito, simples e atraente quando em termos de otimizações para obter mais velocidade. Todos os aplicativos foram atualizados para suas versões mais recentes, e há uma novidade: o Brasero, um gravador gráfico de CD/DVD. O Evolution foi substituído pelo Claws Mail, que é mais leve.

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Debris Linux com o desktop Openbox

O repositório do Debris Linux continua muito pequeno, mas oferece um metapacote de desenvolvimento (Kazehase), um navegador leve baseado no Webkit e pacotes de módulos extras do kernel não incluídos no kernel mais econômico que vem como padrão. Os repositórios excelentes e bem sortidos do Ubuntu Hardy também vêm ativados por padrão.

Conclusões

Não vou fazer uma análise completa do Debris Linux até a versão 2.0 sair. Geralmente eu não acho justo julgar uma distro baseado em código beta ou em desenvolvimento. O que eu posso dizer por enquanto é que, embora tenha encontrado alguns bugs relativamente pequenos (que eu documentarei e relatarei, obviamente), eu acredito que o Debris Linux 1.7.0 esteja surpreendentemente próximo de estar pronto para o estrelato. Para novatos no Linux, o único problema que pode ser mais desafiador é descobrir como fazer para adicionar suporte a hardware que não seja suportado diretamente. Já vale a pena dar uma olhada no Debris Linux se você estiver atrás de uma distro pequena e simples baseada no Ubuntu, e que tenha bom desempenho. Os desenvolvedores estão fazendo muito bem mantendo-se fiéis à filosofia da distro e atingindo seus objetivos de manter uma distro compacta que oferece a funcionalidade básica que a maioria das pessoas procura.

Créditos a Caitlyn Martin http://distrowatch.com
Tradução por
Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>

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