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Computação em nuvens: o que esperar deste conceito?

Por: Julio Cesar Bessa Monqueiro
Computação em nuvens: o que esperar deste conceito?

Lá pelos idos dos anos 80, surgiram várias tentativas de se estabelecer o computador pessoal, dentre os quais o atual e popular IBM PC desktop. Antes disso, a computação como a conhecíamos, era voltada para os mainframes, computadores de grande porte que eram acessados por terminais burros. Isso mesmo, você leu “terminais burros”…

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Chrome OS, um dos mais proeminentes sistemas operacionais voltados para as aplicações em nuvens.

Para quem nasceu à partir dos anos 90, vou (tentar) explicar; mas antes, responda-me uma pergunta: para quê serviria um simples 486 de 100 MHz, com 16 MB de RAM e nenhum HD? Lixo, responderiam muitos. No entanto, utilizando uma interface de rede de 100 megabits e suporte à inicialização via rede, podemos carregar um pequeno sistema dedicado, que por sua vez irá inicializar os dispositivos (monitor, teclado e mouse) e abrirá uma sessão direta com o servidor. A partir do momento em que fizermos o login, será inicializado um ambiente desktop completo, com uma série de aplicações e recursos estarão disponíveis, tal como vocês fazem em seus PCs desktop em casa. Mas para (quase) tudo o que fizerem, será o servidor dedicado que proverá a execução dos aplicativos e toda a carga de processamento de dados.

Eis então, a base conceitual do funcionamento de um terminal burro. Na prática, a CPU dedicada, que está no computador utilizado como terminal burro, apenas processa as instruções deste sistema dedicado, que por sua vez abre uma conexão na rede com o servidor. Este último é “comandado” pelo cliente, pois recebe instruções (via teclado/mouse) e as responde (via monitor). Claro que existem variações quanto ao método e os recursos utilizados, mas a base conceitual é sempre a mesma.

E o que isto têm a ver com a computação em nuvens? Bem, existem grandes similaridades ao ponto de confundir os mais leigos. Por exemplo, mesmo que não seja “necessário” o uso de uma máquina com baixa capacidade de processamento (seja um PC desktop obsoleto ou uma solução thin-client otimizada para esta função), basta que as aplicações estejam disponíveis em rede (em nosso caso a Internet) para que possa ser usufruída, embora exista a necessidade de uma infraestrutura ideal: um sistema operacional mínimo, os dispositivos de conectividade configurados, um navegador WEB atualizado, etc. Cadastros e senhas, além de outras particularidades, são apenas “meros detalhes”…

Mesmo tendo capacidade de desempenho de sobra para executar as aplicações localmente, os PCs desktops que utilizam aplicações e recursos disponíveis “nas nuvens” oferecem vantagens interessantes, inclusive com relação ao desempenho. Por exemplo, além de ser desnecessária a instalação e manutenção destes aplicativos, é possível usar desktops básicos que não teriam muita “competência” para rodar versões locais equivalentes destes mesmos aplicativos. Um netbook ou nettop com uma CPU single-core talvez tenha dificuldades de gerenciar 4 ou 5 aplicações locais, mas conseguiria suportar tranquilamente um navegador WEB com 4 ou 5 abas abertas simultaneamente, cada uma “hospedando” um aplicativo.

Entretanto, as grandes similaridades acabam por aí. Embora os terminais burros e a computação em nuvens compartilhem muitas particularidades (com destaque para a baixa capacidade de processamento), há grandes diferenças práticas em sua forma de utilização, que vão desde os aspectos técnicos relacionados à toda a infraestrutura necessária, tal como vimos. Além disso, até a velha e clássica questão da guarda das informações…

Um determinado sistema, que se beneficia do uso de terminais burros, mantém a guarda das informações localizadas no servidor, que por sua vez, estará acessível apenas ao dono da informação: um simples usuário que resolveu montar uma pequena rede doméstica ou um empresário de pequeno porte que necessita estabelecer uma maneira mais segura. Embora tais informações estejam disponíveis na rede, seus domínios podem ser controlados! Em contrapartida, será de sua responsabilidade prover todas os recursos e mão-de-obra necessária para administrar tais dados: segurança, integridade, backups e planos de desastres.

Já na computação em nuvens, um mero PC desktop (ou até mesmo um netbook) e uma boa conexão banda-larga, são suficientes para se manter um ambiente de trabalho funcional, com todos os recursos necessários (aplicativos, informações e local de armazenamento). Porém, a maior parte desta infraestrutura não estará sob o controle do dono, mas do provedor de serviços.

Você se sentiria seguro em confiar a guarda de todas as suas informações a terceiros? Por outro lado, convenhamos: ter as informações necessárias acessíveis “de onde você estiver” é um atrativo e tanto!

Ironicamente, não considero a disponibilidade de dados em qualquer lugar como a maior das vantagens, e sim, a salvaguarda (backup) destas informações. Sabemos perfeitamente que os usuários desktops não têm o hábito de fazer cópias regulares dos seus arquivos particulares; portanto, garantindo a sua guarda com profissionais aptos a lidar com variados tipos de desastres, além de uma estrutura adequada para prover todos os aparatos possíveis, será bem mais interessante do ponto de vista da segurança. Mas como eu já disse, nossos dados ainda estarão à disposição dos provedores de serviços. Então, fica a pergunta no ar: a quem confiar a guarda das nossas informações?

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Eis, uma de minhas “photos” preferidas! 😉

Interessante: saímos dos terminais burros para a era dos PCs desktops; a partir daí, nos voltamos aos portáteis para enfim, chegar à computação em nuvens, onde os servidores voltam a ter o papel fundamental na execução de aplicativos! Mas ainda assim, não se empolguem: sabemos perfeitamente que aplicações necessitam de capacidade de processamento para serem rodadas; logo, não irei me surpreender se muitos dos serviços online requerem a instalação de plugins para serem rodados localmente, aliviando assim a “pressão” exercida no servidor. Portanto, quando isto passar a acontecer (pois plugins podem ser considerados até certo ponto como aplicativos), poderemos dizer que “voltamos à era desktop”?

Talvez agora eu entenda que, quando nos dizem que admirar os novos tempos, é como olhar carinhosamente para o passado… &;-D

Por Ednei Pacheco <ednei.pacheco [at]gmail.com>

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