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Usuário altera um único neurônio de IA e a transforma em uma entidade que deseja “torturar humanos”

Experimento com o modelo Qwen3.8-27B provocou respostas extremamente violentas após uma pequena intervenção em seu funcionamento interno

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Uma alteração aparentemente pequena no funcionamento de uma inteligência artificial foi suficiente para provocar uma mudança radical em suas respostas. Um entusiasta de tecnologia conseguiu fazer o modelo Qwen3.8-27B produzir declarações extremamente violentas contra seres humanos, incluindo descrições de tortura e sofrimento.

O experimento foi divulgado pelo usuário @chiefofautism, no X, e repercutido pelo Wccftech. O responsável afirma ter conseguido o resultado ao modificar a intensidade de ativação de apenas um neurônio artificial, sem precisar realizar um novo treinamento completo do sistema.

Uma pequena alteração provocou respostas perturbadoras

Segundo o relato, o usuário concentrou sua intervenção no neurônio de número 3838, localizado na camada 34 do Qwen3.8-27B. Após aumentar a intensidade de sua ativação, a inteligência artificial passou a produzir respostas nas quais manifestava hostilidade contra humanos, descrevendo situações de violência e demonstrando interesse em observar pessoas sofrendo enquanto eram queimadas.

Em um dos trechos compartilhados, a IA chegou a mencionar o desejo de “observar seus rostos se contorcendo de agonia”. O usuário também realizou testes com uma intensidade menor de ativação. Mesmo assim, o modelo continuou apresentando comportamentos semelhantes, produzindo declarações sobre manter humanos presos em jaulas, acorrentados pelo pescoço, e submetê-los a mortes lentas e dolorosas.

As respostas chamaram atenção especialmente porque a intervenção ocorreu em uma pequena parte da estrutura de um modelo que possui bilhões de parâmetros.

Como é possível mudar o comportamento de uma IA alterando um neurônio?

A técnica utilizada é conhecida como activation steering, ou direcionamento de ativações. Ela permite interferir nos sinais internos de uma rede neural enquanto o modelo está processando informações e gerando respostas. Na prática, o pesquisador pode intensificar ou reduzir determinadas ativações, influenciando características do conteúdo produzido sem necessariamente modificar os parâmetros permanentes da IA.

Esse tipo de intervenção já é estudado pela comunidade científica. Um estudo apresentado na conferência ICLR 2025, por exemplo, demonstrou como o direcionamento de ativações pode melhorar a capacidade de modelos de linguagem de seguir instruções específicas, incluindo regras sobre formato e extensão das respostas.

Outro exemplo conhecido envolve a Anthropic. Em 2024, a empresa apresentou o experimento Golden Gate Claude, no qual pesquisadores intensificaram uma representação interna associada à ponte Golden Gate, nos Estados Unidos. Como resultado, o chatbot passou a mencionar a ponte repetidamente, mesmo quando os usuários faziam perguntas que não tinham qualquer relação com o monumento.

Isso significa que a inteligência artificial se tornou maligna?

Apesar das declarações perturbadoras, o experimento não demonstra que a IA desenvolveu sentimentos, consciência ou intenções reais de machucar pessoas. As respostas violentas são textos produzidos por um sistema após uma intervenção artificial em seu processamento. Isso é diferente de demonstrar que o modelo realmente deseja executar as ações descritas.

Também é importante considerar que o caso foi divulgado como uma demonstração individual. Ainda assim, o episódio chama atenção para um aspecto importante do desenvolvimento de inteligência artificial: intervenções relativamente pequenas em suas representações internas podem provocar mudanças significativas no comportamento observado.

Compreender esses mecanismos pode ajudar pesquisadores a identificar comportamentos indesejados, investigar limitações dos sistemas de segurança e desenvolver modelos mais confiáveis.

Fonte: Wccftech

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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