Hacker usa IA para invadir 60 empresas, rouba 8,2 milhões de registros e ganha apenas US$ 210
A polícia da Coreia do Sul anunciou a identificação de um grupo hacker acusado de utilizar inteligência artificial para invadir sistemas corporativos e roubar aproximadamente 8,2 milhões de registros. Apesar da dimensão dos ataques, os suspeitos teriam conseguido arrecadar apenas US$ 210 em pagamentos de resgate.
Segundo a agência Yonhap, sete pessoas foram identificadas na operação, incluindo o suposto líder, um homem de 32 anos sem formação acadêmica em tecnologia da informação.
Os ataques atingiram mais de 90 organizações desde setembro de 2025, incluindo hospitais, universidades, escolas particulares, campos de golfe e até uma subsidiária de um grande conglomerado empresarial.
Inteligência artificial permitiu invadir 60 empresas em pouco mais de 40 dias
De acordo com o Seoul Economic Daily, o principal suspeito estudou artes e educação física e teria aprendido técnicas de invasão por conta própria, utilizando vídeos no YouTube, blogs e outros materiais disponíveis na internet. Entretanto, ele não era completamente inexperiente: entre 2019 e 2022, trabalhou em uma empresa de segurança realizando testes simulados de invasão.

Inicialmente, o suspeito utilizava ferramentas tradicionais para identificar vulnerabilidades em sites. A operação ganhou escala quando ele passou a empregar agentes de programação com IA e um sistema autônomo de testes de penetração. Entre 31 de agosto e 13 de outubro de 2026, aproximadamente 60 empresas foram invadidas com auxílio dessas tecnologias, segundo a investigação.
Os dados comprometidos incluíam nomes, números de identificação, telefones, endereços e documentos corporativos. Entre as vítimas estavam uma empresa de serviços funerários, que teve 1,22 milhão de registros roubados, e instituições de ensino cujas informações incluíam dados de menores de idade.
Criminosos exigiram quase US$ 272 mil, mas receberam apenas US$ 210
Após obter os dados, o grupo passou a ameaçar as organizações, alegando que a divulgação das informações poderia provocar danos à reputação, processos judiciais e multas governamentais. As autoridades identificaram 38 empresas que sofreram invasões acompanhadas de tentativas de extorsão, com cobranças que totalizavam 360 milhões de won, aproximadamente US$ 272 mil na conversão divulgada pela Yonhap.
Apesar disso, somente uma pequena empresa teria efetuado um pagamento, transferindo 300 mil won, cerca de US$ 210. A investigação começou após uma denúncia recebida em junho. Com o surgimento de casos semelhantes, a polícia ampliou as apurações e identificou os envolvidos. O suposto líder foi preso em 15 de outubro e encaminhado à acusação formal, sob custódia, no dia 23. Os outros seis suspeitos continuam sendo investigados em liberdade.
As autoridades recuperaram dados roubados e também utilizaram um sistema próprio de IA para analisar aproximadamente 530 mil registros investigativos, incluindo informações telefônicas e financeiras.
Caso reforça preocupação com o uso de IA em crimes cibernéticos
O episódio ocorre em meio ao crescimento do uso de inteligência artificial em operações criminosas. Em relatório publicado em setembro de 2026, o Google Threat Intelligence Group alertou que agentes maliciosos estão deixando de utilizar IA apenas para tarefas pontuais e passando a adotar sistemas capazes de automatizar etapas inteiras de ataques.
O grupo de pesquisadores relatou, inclusive, uma operação em que criminosos comprometeram um recurso na nuvem e organizaram uma campanha automatizada de roubo de credenciais em menos de seis horas. No caso sul-coreano, a polícia classificou a operação como a primeira prisão no país relacionada a um grande esquema de invasões e roubo de informações realizado com auxílio de IA generativa.
Embora os suspeitos tenham obtido pouco dinheiro, o volume de informações comprometidas demonstra que o impacto de um ataque cibernético não depende necessariamente do lucro alcançado pelos criminosos. As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e verificar se os dados roubados foram utilizados em crimes posteriores.
Fonte: PC Gamer
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