Spotify prioriza artistas humanos e retira 50 milhões de músicas de IA e spam das recomendações
O Spotify anunciou que retirou mais de 50 milhões de faixas consideradas spam ou conteúdo de baixa qualidade, incluindo materiais gerados por inteligência artificial, de seu sistema de recomendações em 2026. A medida faz parte de uma estratégia para reduzir a presença de músicas artificiais indesejadas e dar maior visibilidade às produções de artistas humanos.
A empresa explicou que realizou diversas alterações em seus algoritmos ao longo dos últimos seis meses, após identificar um padrão entre músicas frequentemente ignoradas, puladas ou rejeitadas pelos usuários.
É importante destacar que as 50 milhões de faixas não foram necessariamente excluídas do Spotify, mas retiradas das recomendações automáticas e editoriais. A companhia também não informou quantas delas foram efetivamente produzidas por inteligência artificial.
Spotify já excluiu mais de 75 milhões de músicas por spam
Além das mudanças nas recomendações, a empresa relembrou que removeu completamente mais de 75 milhões de faixas por violações graves ou recorrentes de suas regras. Esse número, entretanto, não representa uma nova operação realizada em 2026. Segundo esclarecimento fornecido ao site Music Business Worldwide, os 75 milhões correspondem ao balanço divulgado em setembro de 2025, referente aos 12 meses anteriores.

Para identificar conteúdos suspeitos, o Spotify combina informações sobre o comportamento dos ouvintes, padrões de publicação, metadados e ferramentas de terceiros especializadas na detecção de inteligência artificial. O sistema também procura práticas como envios em massa, músicas duplicadas, manipulação de resultados de busca e redes de playlists utilizadas para promover artificialmente determinadas faixas.
A plataforma reconhece, porém, que as tecnologias de detecção ainda possuem limitações e precisarão acompanhar os avanços da IA generativa.
Plataforma também quer proteger artistas reais
Outra iniciativa envolve a identificação de perfis fictícios criados com inteligência artificial. O Spotify implementou o selo AI Persona, utilizado para informar quando a identidade de um artista foi gerada artificialmente. Milhares de perfis já receberam a identificação. Por padrão, esses artistas não aparecem nas recomendações, embora possam ser sugeridos em determinadas situações, como quando um usuário decide segui-los.
A empresa também informou que mais de 300 mil artistas receberam o selo de verificação da plataforma, sendo mais de 70% independentes. Desde abril, o recurso AI Credits permite identificar instrumentos e outras funções criativas realizadas com auxílio de inteligência artificial.
Há ainda uma preocupação financeira. Segundo o Spotify, músicas com fortes indícios de geração por IA têm probabilidade dez vezes maior de não alcançar o limite de mil reproduções exigido para participar da distribuição de royalties de gravação.
Crescimento das músicas artificiais preocupa serviços de streaming
O problema não está restrito ao Spotify. Em outubro, a Deezer revelou que recebe aproximadamente 90 mil músicas totalmente geradas por IA diariamente, volume que ultrapassou metade dos novos envios nos períodos de pico. A concorrente também informou ter retirado mais de 42 milhões dessas faixas das recomendações desde janeiro de 2025. Para o final de 2026, prepara um recurso que permitirá aos usuários ocultar conteúdos sintéticos dos resultados de busca.
Apesar das restrições, o Spotify não pretende abandonar a inteligência artificial. A empresa anunciou acordos com a Universal Music Group e a Believe para desenvolver uma ferramenta de criação de covers e remixes com IA. O recurso será oferecido como adicional pago para assinantes Premium, com participação voluntária dos artistas e remuneração dos titulares dos direitos musicais.
A estratégia evidencia a distinção que o Spotify pretende estabelecer: permitir usos autorizados da inteligência artificial na criação musical, enquanto combate conteúdos considerados spam, fraudulentos ou prejudiciais à experiência dos ouvintes.
Fonte: The Verge
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