Red Dead Redemption e Bully quase não viraram realidade, revela cofundador da Rockstar
Red Dead Redemption é hoje um dos títulos mais celebrados da história dos jogos de mundo aberto, mas o clássico de faroeste da Rockstar Games esteve muito perto de nunca chegar às prateleiras.
A revelação vem de Dan Houser, cofundador da Rockstar e ex-roteirista principal do estúdio, em entrevista concedida ao IGN: projetos originais enfrentam uma batalha muito mais dura do que sequências, e Red Dead não foi exceção.
“Acho que houve muitos momentos em que Red Dead quase não aconteceu. Acho que houve muitos momentos em que Bully quase não aconteceu, e muitos outros momentos em que jogos que não aconteceram poderiam ter acontecido”, diz Houser. “Há muitos momentos fortuitos, ou uma boa versão, ou o jogo de repente se encaixa, que salvam projetos que estão com dificuldades.”
O peso de construir uma nova franquia do zero
A declaração de Houser expõe uma realidade pouco romantizada do desenvolvimento AAA: franquias inéditas “tendem a ter muita dificuldade, então é quase mais impressionante quando elas são lançadas do que é devastador quando não são”, segundo o ex-executivo.
Lançado em 2010, Red Dead Redemption, passou por “muitos períodos difíceis” ao longo do desenvolvimento, e o que o manteve de pé foi, nas palavras de Houser, o núcleo da equipe: pessoas “realmente fortes, que mantiveram o foco no que estavam tentando fazer e resolveram os problemas”.
O processo criativo, Houser descreve, era essencialmente uma descoberta em tempo real. A equipe estava constantemente identificando “quais eram os problemas e encontrando soluções para lentamente desvendar o que havia de interessante em um jogo de faroeste em mundo aberto”.
Em retrospecto, o que torna Red Dead especial pode parecer “óbvio”, mas durante o desenvolvimento “você ficava apenas com buracos que ia preenchendo lentamente”, uma frase que resume com precisão a natureza caótica de criar algo sem referência anterior.
Um legado que sobreviveu ao caos interno
Bully, outro título citado por Houser como tendo flertado com o cancelamento, nunca recebeu uma sequência. Já o western da Rockstar seguiu caminho oposto: Red Dead Redemption 2 figura entre os jogos mais vendidos de todos os tempos. Atualmente, o estúdio parece concentrar suas fichas em GTA 6, com Red Dead em segundo plano no radar de desenvolvimento.

A confissão de Dan Houser ressoa além da nostalgia. Ela lembra que o portfólio dos maiores estúdios do mundo é, em parte, produto de sobrevivência e sorte tanto quanto de talento e orçamento. Para cada Red Dead que chegou ao fim, há um projeto que ficou engavetado por uma build ruim no momento errado.
O fato de a Rockstar ter empurrado o desenvolvimento a despeito dos “períodos difíceis” diz muito sobre a cultura interna do estúdio, mas também levanta uma questão incômoda: quantos clássicos potenciais nunca chegaram a existir porque não tiveram aquele momento de acaso que salva uma produção à beira do colapso?
Fonte: GamesRadar
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