A comunidade de modificação do PS5 acaba de alcançar um de seus maiores avanços até agora. Um novo jailbreak conhecido como Relapse foi disponibilizado publicamente nesta terça-feira (29) e permite explorar consoles rodando firmwares entre 7.00 e 13.60, faixa que inclui não apenas diferentes revisões do PS5 tradicional e Slim, como também unidades do PS5 Pro que ainda não receberam a atualização mais recente do sistema.
A novidade ganhou repercussão após o pesquisador e modder Lance McDonald afirmar que praticamente todos os modelos de PS5 poderiam agora ser desbloqueados, incluindo o PS5 Pro. A declaração, porém, exige uma ressalva importante: o método não funciona no firmware 14.00, atualmente distribuído pela Sony.
O projeto Relapse está disponível publicamente no GitHub e é descrito pelos próprios responsáveis como uma cadeia de exploits compatível com o PS5 entre as versões 7.00 e 13.60 do software de sistema. O repositório credita diversos pesquisadores da comunidade de segurança do console, incluindo ntfargo, Sonic-Iso, Jordy e TheFlow.
New PlayStation 5 jailbreak just dropped. Every PS5 console can now be jailbroken except ones updated in the past week or so. Huge. pic.twitter.com/6FXb4SAcPv
— Lance McDonald (@manfightdragon) September 29, 2026
O que exatamente mudou?
Até recentemente, consoles com versões mais recentes do firmware tinham opções bastante limitadas quando o assunto era jailbreak. O Relapse amplia consideravelmente essa janela ao combinar uma falha no navegador WebKit com uma vulnerabilidade no kernel do sistema.
Em termos simples, o processo consegue sair do ambiente restrito do navegador e alcançar privilégios muito mais elevados no console. O próprio projeto descreve uma cadeia envolvendo corrupção de memória no WebKit e uma vulnerabilidade do tipo use-after-free no kernel para obter acesso de leitura e escrita em áreas protegidas do sistema.
Isso permite que desenvolvedores e pesquisadores executem softwares não autorizados pela Sony, ferramentas de desenvolvimento e aplicações homebrew. A comunidade também trabalha com recursos como etaHEN e outras ferramentas destinadas à execução de aplicações personalizadas.
O avanço é particularmente relevante porque o PS5 chegou ao mercado em 2020 e sua arquitetura de segurança dificultou por anos a criação de métodos amplos de desbloqueio. Diferentemente de exploits antigos que funcionavam apenas em firmwares específicos ou exigiam diferentes pontos de entrada, o Relapse cobre diversas versões consecutivas do sistema.
PS5 Pro também entra na lista
Outro detalhe que chamou atenção é o suporte ao PS5 Pro. O modelo mais poderoso da Sony chegou ao mercado com versões de firmware já muito superiores às encontradas nos primeiros PS5. Como o Relapse alcança até a versão 13.60, unidades do PS5 Pro que permaneceram em versões compatíveis também podem ser afetadas.
Isso não significa, porém, que qualquer PS5 Pro comprado atualmente poderá ser desbloqueado. Tudo depende da versão de firmware instalada no aparelho.
Atualização 14.00 fecha a porta para o Relapse
A janela também já possui um limite claro. Em 16 de setembro de 2026, a Sony começou a distribuir o firmware 26.06-14.00.00 para o PS5. Entre as mudanças oficiais estão melhorias no sistema, novos recursos de chat de voz, alterações no Welcome Hub e a ativação por padrão do recurso de qualidade de imagem aprimorada do PSSR no PS5 Pro. Para a comunidade de modificação, entretanto, a mudança mais relevante é justamente a versão do sistema: o Relapse divulgado atualmente suporta apenas até o 13.60.
Por isso, consoles que já foram atualizados para o firmware 14.00 não são compatíveis com essa versão pública do jailbreak. O próprio cenário de desenvolvimento do PS5 atualmente lista o Relapse como exploit de kernel disponível até 13.60, enquanto o firmware 14.00 permanece sem uma solução equivalente.
Isso também coloca em perspectiva a declaração de que “todo PS5” poderia ser desbloqueado. Na prática, o alcance é enorme, mas depende diretamente do firmware presente no aparelho.
Modificar o PS5 pode resultar em banimento
A matéria original do Insider Gaming afirma que fazer jailbreak é “ilegal”, mas essa definição é excessivamente ampla. A situação jurídica depende do país, da finalidade do desbloqueio e do que é feito posteriormente com o sistema.

O que está mais claro é que a modificação entra em conflito com as regras estabelecidas pela própria Sony para o ecossistema PlayStation. Os termos da empresa restringem o uso de software não autorizado, modificações e mecanismos destinados a contornar sistemas de segurança ou autenticação.
A Sony também informa que violações graves de seus termos podem resultar não apenas na suspensão permanente da conta, mas também no bloqueio do próprio console para acesso aos serviços PlayStation.
O próprio projeto Relapse deixa claro que foi criado para pesquisa de segurança e fins educacionais e afirma não apoiar pirataria ou acesso não autorizado. Os desenvolvedores também alertam para riscos de instabilidade, perda de dados e possíveis punições de contas.
Sony deve continuar fechando as brechas
A disputa entre pesquisadores de segurança e fabricantes de consoles dificilmente termina com o Relapse. A Sony mantém um programa oficial de recompensas por vulnerabilidades do PlayStation por meio da plataforma HackerOne, no qual pesquisadores podem relatar falhas de segurança encontradas nos sistemas da empresa.
Algumas das vulnerabilidades que ajudaram a movimentar recentemente a comunidade do PS5 também passaram por esse ecossistema de divulgação. No início de setembro, pesquisadores já discutiam publicamente falhas do tipo use-after-free que alcançariam o firmware 13.60, preparando o terreno para os avanços vistos agora.
Com o firmware 14.00 já em circulação, a tendência é que a disputa continue: desenvolvedores procuram novos pontos de entrada enquanto a Sony atualiza o software de sistema para corrigir vulnerabilidades.
Por enquanto, o Relapse representa um avanço considerável para a cena de modificação do PS5, especialmente por alcançar versões relativamente recentes do sistema e também o PS5 Pro. Mas, para quem já atualizou o console para o firmware 14.00, essa porta permanece fechada.
Fonte: Insider