Desenvolvedor usa segunda GPU para acelerar DLSS 5 e aumenta FPS em até 127%

Desenvolvedor usa uma segunda GPU para processar o DLSS 5 e registra ganho de até 127% em FPS em testes com duas RTX 5060 Ti.

Um experimento com duas GeForce RTX 5060 Ti mostrou que a etapa de renderização neural do DLSS 5 pode ser executada em uma segunda GPU, deixando a placa principal dedicada ao processamento do jogo. Em uma das configurações testadas, a mudança elevou a taxa de 69–71 FPS para 157 FPS, uma diferença de até aproximadamente 127%. O resultado, porém, não significa que simplesmente instalar duas GPUs dobre o desempenho dos jogos.

O projeto, chamado Neural Coprocessor, foi publicado no GitHub pelo desenvolvedor Marcelo Guibout. Seu componente principal é o MGPU Bridge, um add-on para ReShade que cria um dispositivo Direct3D 12 na segunda placa e envia a ela cada quadro já renderizado pela GPU principal. A segunda placa executa então o estágio de Neural Rendering e apresenta o resultado em um monitor conectado diretamente a ela.

A arquitetura é diferente de tecnologias antigas como SLI e CrossFire. Não há divisão da renderização de um quadro entre duas placas. O jogo continua sendo processado por uma única GPU; somente o pós-processamento neural é deslocado para a segunda.

DLSS 5 chega a consumir mais da metade do desempenho disponível

Os testes publicados foram realizados em The Blood of Dawnwalker a 1920 × 1080, usando duas RTX 5060 Ti de 16 GB. O DLSS Super Resolution permaneceu ativo durante as medições; o que era ativado ou desativado era especificamente o estágio de Neural Rendering do DLSS 5.

No modo Performance, por exemplo, o sistema registrou 127–131 FPS sem Neural Rendering. Executando essa etapa na própria GPU que renderizava o jogo, a taxa caiu para 59 FPS. Transferindo o processamento neural para a segunda RTX 5060 Ti, o resultado subiu para 106–107 FPS.

No Ultra Performance, a diferença foi ainda maior: 69–71 FPS com Neural Rendering na GPU principal contra 157 FPS com o processamento deslocado para a segunda placa. Segundo as medições do projeto, executar o estágio neural na GPU principal reduziu o desempenho entre 36% e 59%, dependendo do modo utilizado. Na segunda placa, o impacto sobre a taxa de quadros do jogo ficou entre 0% e 17%.

Isso acontece porque o DLSS 5 acrescenta uma etapa neural ao final do pipeline gráfico. A própria NVIDIA descreve a tecnologia como uma nova fase de renderização neural guiada por informações 3D.

Experimento ainda está longe de substituir uma implementação oficial

Há limitações importantes. O código é apresentado pelo próprio autor como experimental, e não como produto ou alternativa oficial ao DLSS 5. Apenas duas RTX 5060 Ti foram usadas nas configurações documentadas, enquanto os números de FPS vêm de um único jogo. O projeto também exige DirectX 12, ReShade com suporte a add-ons e, na configuração recomendada, dois monitores.

Outro detalhe é que o MGPU Bridge não recebe os mesmos dados que uma integração nativa do DLSS 5. Em vez de vetores de movimento, profundidade e máscaras fornecidos pelo motor do jogo, ele trabalha basicamente com o quadro final e calcula movimento por fluxo óptico. A qualidade de imagem também não foi avaliada formalmente pelo projeto.

Em relação a latência, o autor mediu cerca de 8,3 ms por passagem neural a 1080p na segunda GPU. O aumento próximo de duas vezes citado em alguns relatos ocorreu especificamente ao utilizar a segunda GPU sem monitor conectado, configuração que também reduziu o throughput em 33%.

Mais do que ressuscitar o SLI, o experimento demonstra outra possibilidade, transformar uma segunda GPU em uma espécie de coprocessador dedicado às etapas neurais dos gráficos, evitando que esses cálculos disputem recursos com a renderização tradicional. 

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