Restaurações de gravações antigas costumam tentar resolver primeiro aquilo que mais incomoda aos olhos: baixa resolução, ruído, cores deterioradas e falta de definição. Em um trabalho feito por fãs com uma apresentação de Michael Jackson durante a Bad World Tour, em 1988, a prioridade foi diferente. Os responsáveis aceitaram os limites da fonte de vídeo e concentraram boa parte do esforço em recuperar o som.
O material foi publicado no YouTube neste sábado, 29 de agosto, data em que Michael Jackson completaria 68 anos. A restauração recupera a performance de “Bad” em Würzburg, na então Alemanha Ocidental, registrada em 21 de agosto de 1988, durante a Bad World Tour. O concerto reuniu cerca de 43 mil pessoas nas Mainwiesen e fez parte da primeira turnê mundial solo do cantor. Registros locais da época mencionam uma estrutura de palco de 80 metros de largura e um sistema de som de 70 mil watts.
A imagem chegou ao limite da fonte original
Antes da apresentação, os responsáveis, os canais FM Group e os brasileiros por trás do MJ Beats, que tem site e também canal no Youtube, fazem uma ressalva. Segundo eles, o vídeo foi recuperado a partir da “master source” disponível e chegou ao limite técnico do material original.
Por isso, em vez de reconstruir detalhes ausentes por meio de inteligência artificial, a restauração recebeu tratamento manual e correção de cores, sem intervenção de IA. A resolução foi escalada para 4K, mas sem aquele mesmo impacto caso o material bruto tivesse sio capturado em película. A imagem preserva características e limitações próprias da fonte.
É justamente essa escolha que diferencia o projeto em uma época na qual ferramentas de upscale e IA conseguem produzir pixels e detalhes que nunca estiveram presentes na gravação original.
O vídeo restaurado também recupera imagens de Michael Jackson ao lado de Peter Gabriel com o troféu do MTV Video Vanguard Award, honraria recebida pelo cantor em 1988 por sua contribuição aos videoclipes.
O trabalho mais ambicioso está no áudio
Se a imagem permanece limitada pela fonte, o áudio recebe tratamento bem mais profundo.
Os responsáveis afirmam que o som foi mixado, masterizado e reconstruído até a maior qualidade possível, utilizando diferentes técnicas de restauração. Eles também descartam explicitamente o uso de IA generativa e overdubbing, processo no qual elementos adicionais podem ser sobrepostos à gravação.
Parte do material utilizado veio de uma fonte de áudio amadora, creditada a MJbr2 e Wardell. Segundo a mensagem apresentada no vídeo, o áudio sobreviveu em condições particularmente boas.
Há ainda uma preocupação curiosa: preservar o som da apresentação sem adicionar ruídos artificiais de plateia. Esse detalhe tem contexto dentro da comunidade de fãs de Michael Jackson. Discussões antigas sobre lançamentos de apresentações da Bad Tour já questionavam o uso de sons de público acrescentados posteriormente em determinadas produções.
O resultado da restauração impressiona por capturar menos aquela ambiência do estádio e plateia, e focar na performance vocal de Michael e também na entrega pulsante e viva da banda do cantor. A mixagem faz com que você preste mais atenção em alguns detalhes, como no groove da guitarra e no espetacular solo de synth, com aquele timbre bem característico e vibe oitentista.
Essa restauração faz parte de um conjunto de materiais que o FM Group e o MJ Beats conseguiram acesso;. Segundo post no X, ainda hoje, às 17h, será liberado a performance de Black or White ao vivo na cidade de Santiago, Chile, em 23 de outubro de 1993.
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