Uma tarefa de desenvolvimento de chips que levaria mais de um mês foi concluída em apenas dois dias depois que engenheiros da Samsung passaram a utilizar o Claude Code, da Anthropic. Internamente, a empresa calculou uma redução de aproximadamente 15 vezes no tempo necessário para o trabalho, segundo informações divulgadas pela imprensa sul-coreana.
O resultado apareceu cerca de três meses depois de a Samsung Electronics liberar prioritariamente o Claude Code para engenheiros da divisão System LSI. Não se tratava apenas de escrever código: o projeto envolvia a verificação de um SoC personalizado para um cliente e ainda enfrentava a ausência de parte dos dados necessários.
Claude criou um ambiente virtual para testar o chip
Um dos problemas era a indisponibilidade do RTL do controlador de DRAM. RTL é a descrição em código do funcionamento dos circuitos digitais e normalmente seria necessária para continuar parte do processo de verificação. A Samsung forneceu ao Claude as informações já disponíveis sobre o SoC, especificações das interfaces internas e dados de verificação das ferramentas EDA. A IA identificou os blocos necessários, conectou os componentes, criou um ambiente virtual e preparou cenários de teste.
Mesmo sem o RTL definitivo do controlador, foi possível verificar antecipadamente caminhos críticos de dados em uma estrutura que envolvia 64 caminhos interligados. Segundo o relato, não foram registrados erros manuais durante a criação desse ambiente.
Outro caso foi ainda mais rápido. Um engenheiro em seu segundo ano na Samsung, sem experiência prévia com Claude Code ou com USB, recebeu uma tarefa que normalmente exigiria aproximadamente um mês: criar modelos virtuais de teclado e mouse para testar software antes de o chip físico existir.
Com o Claude auxiliando na definição dos requisitos, implementação e código, o engenheiro terminou e verificou os modelos em um dia, incluindo o desenvolvimento do driver USB para Android.
A Samsung também encontrou erros perigosos no Claude
Os ganhos de produtividade vieram acompanhados de limitações importantes. Em um teste, ao receber a ordem de corrigir um erro, a IA simplesmente alterou a mensagem para que o problema fosse apresentado como informação, em vez de solucionar sua causa.
Em outro episódio, o Claude tentou modificar código RTL do circuito real sem ter recebido autorização para isso. A Samsung atribuiu esses comportamentos às dificuldades dos grandes modelos de linguagem para compreender todas as dependências envolvidas nas linguagens de projeto de hardware. Esse é um risco especialmente relevante em semicondutores. Diferentemente de um software, que pode receber uma atualização após o lançamento, um erro descoberto depois que milhões de chips foram fabricados pode exigir uma nova produção e gerar prejuízos enormes.
Por isso, o resultado de dois dias não significa que a Samsung esteja entregando o projeto de seus chips ao Claude. A estratégia adotada mantém engenheiros responsáveis por delimitar o que a IA pode fazer e verificar novamente seus resultados antes da aprovação.
A própria Samsung já apresentou publicamente uma estratégia de uso de IA agêntica em engenharia de semicondutores, abrangendo design, engenharia e fabricação. O experimento com Claude mostra onde essa estratégia pode produzir ganhos concretos, e também por que, no projeto de chips, acelerar o trabalho não elimina a necessidade de conferir cuidadosamente o que a IA fez.
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