IA começa a ajudar usuários a desbloquear recursos escondidos em BIOS proprietárias

Um usuário usou o Claude Code para desbloquear 55 configurações ocultas da BIOS de um notebook HP. O caso reforça uma tendência na engenharia reversa assistida por IA.

Durante anos, explorar os bastidores de uma BIOS era um trabalho reservado a um grupo pequeno de especialistas. Encontrar funções escondidas, interpretar código compilado e modificar o firmware de um notebook exigia conhecimento avançado de engenharia reversa, além de ferramentas como Ghidra, UEFITool e muita experiência com arquitetura UEFI. Um experimento publicado recentemente mostra que essa realidade pode estar começando a mudar.

Um entusiasta forneceu ao Claude Code uma cópia completa da BIOS de um notebook HP e pediu ajuda para desbloquear configurações ocultas que permaneciam inacessíveis ao usuário. Segundo o relato divulgado inicialmente na comunidade do Reddit e posteriormente repercutido pela Tom’s Hardware, a IA analisou o firmware, localizou a rotina responsável pela verificação da assinatura digital e ajudou a produzir as modificações necessárias para liberar 55 configurações avançadas e quatro novas abas do menu da BIOS.

Mais do que a quantidade de opções desbloqueadas, o caso chama atenção pelo tipo de trabalho realizado: engenharia reversa de firmware, uma atividade que tradicionalmente exige conhecimentos altamente especializados.

Claude Code unlocked my laptop’s bios!
by
u/Reddit_2049 in
ClaudeAI

 

Como o Claude ajudou a modificar a BIOS

O processo começou com o dump completo da BIOS do notebook. Em vez de analisar manualmente milhares de linhas de código compilado, o usuário utilizou o Claude Code para identificar onde estavam as rotinas responsáveis por bloquear recursos internos do firmware. Segundo o relato, o modelo ajudou a desmontar o código da BIOS, localizar a rotina que verificava a assinatura digital baseada em RSA-2048 e produzir um script em Python capaz de contornar essa validação após a modificação do firmware.

Na prática, isso permitiu que menus normalmente ocultos pelo fabricante passassem a aparecer na interface da BIOS, liberando dezenas de parâmetros avançados destinados originalmente a testes, diagnóstico e configurações internas.

O RSA-2048 não foi quebrado

Um detalhe importante é que o episódio não representa uma quebra da criptografia utilizada pelos fabricantes para proteger suas BIOS. Em diversas publicações nas redes sociais, o caso acabou sendo resumido como um “hack” contra o RSA-2048, mas essa descrição não corresponde ao que foi relatado. Segundo as informações disponíveis, o algoritmo criptográfico continua íntegro. O que ocorreu foi uma modificação no próprio firmware para alterar a lógica responsável por aceitar ou rejeitar a assinatura digital. Em outras palavras, a proteção não foi derrotada matematicamente; o firmware foi alterado para deixar de aplicá-la naquele ponto específico.

Essa diferença é fundamental porque evita a impressão de que a IA encontrou uma vulnerabilidade inédita na criptografia usada pelos fabricantes.

Por que existem tantas opções escondidas?

É comum que fabricantes escondam muitas configurações dentro da BIOS de notebooks. Esses menus costumam reunir parâmetros utilizados durante o desenvolvimento do equipamento, testes de validação, diagnósticos de fábrica e ajustes extremamente sensíveis que podem comprometer estabilidade, consumo de energia ou temperatura caso sejam alterados sem conhecimento técnico.

Também existe um componente comercial. Em alguns casos, fabricantes limitam determinados recursos para diferenciar linhas de produtos, simplificar o suporte técnico ou impedir alterações que possam aumentar os custos de garantia. Isso explica por que muitos usuários descobrem, anos depois da compra, que seus equipamentos possuem funções que nunca aparecem na interface convencional da BIOS.

Este não é o primeiro caso envolvendo o Claude

O episódio da HP ganhou repercussão justamente porque não surgiu do nada.

Em abril deste ano, outro modder conhecido como kryptonfly utilizou o Claude para modificar a BIOS de uma placa-mãe Z790 e fazer um processador Intel Bartlett Lake, vendido apenas para fabricantes de computadores (OEM), funcionar em uma plataforma onde ele não era oficialmente suportado.

 

Na ocasião, o projeto chamou atenção porque envolvia alterações profundas no firmware da placa-mãe, um tipo de trabalho normalmente associado a especialistas em BIOS e engenharia reversa. Os dois projetos possuem objetivos completamente diferentes. Um desbloqueou menus ocultos de um notebook HP; o outro tornou compatível um processador que oficialmente não deveria funcionar naquela placa-mãe.

Mesmo assim, ambos compartilham um elemento importante: utilizaram um modelo de IA para acelerar tarefas complexas de análise e modificação de firmware.

Você também deve ler!

Combate mortal pelo consumidor: a guerra entre ChatGPT, Gemini e Claude que está movimentando o mundo

Postado por
Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @williamrplaza Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
Siga em:
Compartilhe
Deixe seu comentário
Assine nossa Newsletter
Assine nossa newsletter e receba nossa seleção de conteúdo sobre tecnologia, games, IA e internet em seu email.
Veja também
Publicações Relacionadas
Img de rastreio
Localize algo no site!