Uma Canon AE-1 Program lançada em 1981 e uma Bolex H16 fabricada nos anos 1950 foram usadas para registrar dois aviões históricos voando sobre Manhattan. As imagens mostram um Douglas DC-6B de 1958 e um Lockheed P-38 Lightning de 1944 cruzando o céu de Nova York durante a primeira viagem da coleção Flying Bulls aos Estados Unidos.
As fotografias foram capturadas por Colin Kerrigan, que acompanhou a formação a bordo de um jato L-39 e de um A-26 Invader. Em vez de recorrer apenas a equipamentos digitais, o fotógrafo levou uma Canon analógica carregada com Kodak Ektacolor Pro 400. Uma das imagens enquadra o DC-6B sobre o Central Park, com o reservatório e os edifícios de Manhattan ao fundo. Em outra, o quadrimotor aparece acompanhado pelo P-38. A granulação, as cores e até as bordas do filme trazem todo aquele charme da fotografia analógica, padrão que hoje em dia muitos aplicativos replicam, já que essa estética é valorizada até mesmo por pessoas de gerações que não vivenciaram o auge deste tipo de registro.
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“Foi um dia e uma experiência que jamais esquecerei”, escreveu Kerrigan ao publicar as imagens.
O material também foi compartilhado pela Kodak em seu perfil no Instagram.
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Fotografias foram feitas a partir de outros aviões
Kerrigan não fotografou a formação do solo ou de um ponto fixo. Segundo seu relato, ele esteve em um L-39 e em um A-26 Invader enquanto acompanhava o DC-6B e o P-38 sobre Nova York. A posição tornou o trabalho mais complicado. O fotógrafo, os dois aviões históricos e as aeronaves usadas como plataforma de imagem estavam em movimento. O enquadramento dependia da distância entre eles, da posição do sol e dos poucos instantes em que a formação passava pelo ponto desejado da cidade.
Na fotografia digital, o resultado poderia ser conferido imediatamente em uma tela. Com o filme, Kerrigan precisava decidir foco, exposição e composição sem saber exatamente como cada quadro havia ficado. A resposta só apareceu depois da revelação e da digitalização dos negativos. O número limitado de exposições também impedia longas sequências de disparos. Cada avanço do filme consume um dos poucos quadros disponíveis enquanto uma operação aérea difícil de repetir seguia acontecendo ao redor do fotógrafo.
Canon AE-1 Program foi lançada em 1981
A câmera escolhida por Kerrigan foi a Canon AE-1 Program, uma SLR de 35 mm apresentada em abril de 1981. O modelo surgiu cinco anos depois da AE-1 original e incorporou um modo programado capaz de selecionar automaticamente a abertura e a velocidade do obturador. A AE-1 Program não é, portanto, uma câmera completamente mecânica ou sem automação. Ela oferece exposição programada e prioridade de velocidade, mas mantém o foco manual e depende de lentes com encaixe Canon FD.
O obturador eletrônico trabalha entre 2 segundos e 1/1000 de segundo. O visor utiliza um sistema de imagem dividida e microprismas para auxiliar o foco, algo especialmente importante ao tentar acompanhar uma aeronave em movimento. Sem foco automático e estabilização eletrônica, Kerrigan precisou trabalhar dentro das limitações de uma câmera projetada mais de quatro décadas antes do voo.
A película usada foi a Kodak Ektacolor Pro 400, negativo colorido de ISO 400 balanceado para luz do dia. A sensibilidade oferecia mais margem para lidar com as mudanças de iluminação durante o voo do que um filme mais lento, sem abandonar a aparência característica da fotografia analógica.
Mais de quatro décadas após seu lançamento, a AE-1 Program continua sendo usada por fotógrafos que compartilham os resultados em comunidades dedicadas à Canon e à fotografia analógica. Em uma publicação no subreddit r/CanonCamera, um usuário mostrou uma série de fotos produzida com o modelo.
Bolex H16 dos anos 1950 gravou as imagens em movimento
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A proposta não terminou nas fotografias de Kerrigan. A parte cinematográfica da operação também foi captada em película, usando uma Bolex H16 dos anos 1950.

Em um vídeo publicado pela Red Bull, o DC-6 de 1958 aparece sobre Manhattan enquanto a equipe prepara a câmera. A empresa descreveu o encontro como a criação de uma “cápsula do tempo sobre Nova York”. As imagens de bastidores mostram o compartimento lateral da Bolex aberto e a película de 16 mm sendo colocada no mecanismo. O filme sai de uma bobina, passa pelo sistema de transporte e é recolhido em uma segunda bobina depois de atravessar a área de exposição.
Os modelos clássicos usavam um mecanismo de relojoaria movido por mola, dispensando um motor elétrico durante a gravação. A película era instalada dentro da própria câmera em duas bobinas, normalmente com rolos de até 100 pés, pouco mais de 30 metros.
A combinação de tamanho relativamente compacto, funcionamento mecânico e película de 16 mm ajudou a transformar a H16 em uma câmera popular entre documentaristas, cineastas independentes e usuários que procuravam uma qualidade superior à oferecida pelos formatos domésticos menores.
Kodak 50D e 250D foram usadas na filmagem
A Kodak informou que a parte filmada utilizou películas Vision3 50D e 250D em 16 mm. O material foi processado pelo Kodak Film Lab de Nova York. Os dois negativos são balanceados para luz do dia, mas atendem a condições diferentes. A Vision3 50D é uma película de baixa sensibilidade pensada para ambientes externos bem iluminados. Seu grão mais fino favorece imagens com mais detalhes, especialmente em cenas de alto contraste.
A Vision3 250D tem sensibilidade maior e oferece mais liberdade quando a luz varia. Isso era útil em uma filmagem aérea na qual a exposição podia mudar conforme os aviões alteravam a direção, passavam por áreas de sombra ou modificavam sua posição em relação ao sol.
DC-6B retornou aos Estados Unidos 68 anos depois

O principal avião das imagens também estava completando uma viagem histórica. Construído pela Douglas Aircraft Company em Santa Monica em 1958, o DC-6B dos Flying Bulls não pousava nos Estados Unidos desde que deixou a fábrica. O quadrimotor foi entregue originalmente à companhia estatal iugoslava JAT. O então líder da Iugoslávia, Josip Broz Tito, mandou converter o interior para o transporte de autoridades e convidados.
Em 1975, a aeronave passou para Kenneth Kaunda, então presidente da Zâmbia. Depois do período como avião VIP, o DC-6B terminou abandonado no aeroporto de Lusaka e só entrou para a coleção dos Flying Bulls no começo dos anos 2000. Uma restauração de milhares de horas devolveu o avião às condições de voo. Segundo a Red Bull, o exemplar é atualmente o único DC-6 em condições operacionais que ainda possui certificação para transportar passageiros.
P-38 de 1944 acompanhou o quadrimotor
O segundo avião registrado por Kerrigan foi um Lockheed P-38 Lightning construído em 1944. O modelo é facilmente reconhecido pelas duas estruturas traseiras paralelas, ligadas pelo estabilizador horizontal, e pela cabine instalada em uma seção central. Mais de 10 mil exemplares foram fabricados entre 1941 e 1945, mas poucos continuam voando. A unidade dos Flying Bulls, registrada como N25Y, é descrita pelo grupo como o único P-38 baseado na Europa e um dos poucos ainda em operação.
O DC-6B e o P-38 atravessaram o Atlântico em etapas, com passagens por Inglaterra, Islândia, Terra Nova e Canadá antes da chegada a Nova York. A viagem marcou a primeira travessia transatlântica realizada pelos Flying Bulls com duas aeronaves.
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