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China ativa primeiro data center submarino comercial com energia eólica; Microsoft tentou e desistiu

China ativou em 2026 o primeiro data center submarino comercial do mundo com energia eólica. PUE abaixo de 1,15, investimento de US$ 226 mi e planos para 500 MW. O que a Microsoft desistiu, Pequim transformou em negócio

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A China afundou literalmente sua aposta na corrida pela IA. O país ativou o primeiro data center submarino comercial do mundo alimentado por energia eólica, instalado a cerca de 10 km da costa de Xangai, na Área Especial de Lin-gang. São módulos de servidores selados, posicionados no fundo do mar, conectados por cabos a turbinas eólicas offshore.

O número que justifica toda a operação: PUE abaixo de 1,15. Em data centers terrestres convencionais, o PUE médio global gira em torno de 1,58, segundo dados do setor. Isso significa que, para cada watt usado em processamento, gasta-se 0,58 watt adicional apenas para manter as máquinas na temperatura certa. Aqui, a conta cai drasticamente, porque o Mar da China Oriental faz o trabalho de resfriamento de graça, com água entre 4°C e 8°C.

A primeira fase opera com 2,3 megawatts de capacidade. Parece pouco, mas o plano da operadora Shanghai Hicloud já prevê uma expansão para 24 MW em fases seguintes, com um consórcio que inclui a China Telecom discutindo escalar até 500 MW ligados à energia eólica offshore. O investimento total na fase atual é de US$ 226 milhões.

O que a China fez que a Microsoft tentou e desistiu?

Trabalhador em plataforma elevatória limpa cápsula cilíndrica submersa com logo da Microsoft, após retirada do mar do projeto de data center submarino

A comparação inevitável é com o Project Natick, da Microsoft. Em 2018, a empresa mergulhou um cilindro com 855 servidores na costa das Ilhas Orkney, na Escócia, e ficou dois anos monitorando o experimento. O resultado foi tecnicamente impressionante — apenas 6 dos 855 servidores falharam, contra 8 de 135 em terra firme no mesmo período. Mas em 2024, a chefe de Operações em Nuvem da Microsoft, Noelle Walsh, foi direta: “Não vamos construir data centers submarinos em nenhum lugar do mundo.”

A China foi na direção oposta. Enquanto a Microsoft encerrou como pesquisa e patenteou conceitos que nunca saíram do papel, Pequim transformou a ideia em infraestrutura comercial com suporte estatal, subsídios governamentais e contratos fechados com a China Telecom. A Highlander, empresa por trás do projeto em Hainan, recebeu 40 milhões de yuans (cerca de R$ 30 milhões) do governo em 2022 para desenvolver tecnologia equivalente. Ninguém faz isso só por amor à inovação sustentável.

Manutenção, ecossistema e dependência de subsídio

O que o anúncio oficial não aprofunda é o custo e a complexidade de manutenção. Conectar um data center submarino à internet é, segundo a própria Highlander, “mais complexo do que com servidores terrestres tradicionais”. Qualquer falha de hardware exige operações submarinas, com custos e tempos de resposta que nenhum SLA convencional foi desenhado para absorver.

Há também a questão ambiental. O calor dissipado pelos servidores aquece a água ao redor. A empresa cita uma avaliação de 2020 feita em um projeto piloto em Zhuhai que indicou temperaturas “muito abaixo dos limites aceitáveis”, mas isso era um piloto pequeno. Com uma expansão para 500 MW, o impacto nos ecossistemas marinhos locais entra em território desconhecido.

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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