A Epic Games Store está no centro de uma polêmica após seu CEO, Tim Sweeney, defender o modelo de negócios da plataforma em meio a críticas crescentes do mercado. A controvérsia começou quando dados revelaram o desempenho inferior da loja digital em comparação ao Steam, seu principal concorrente, mesmo após anos de investimentos massivos e estratégia agressiva de distribuição de jogos gratuitos.
Sweeney reagiu às críticas afirmando que os desenvolvedores têm liberdades na Epic Games Store que não encontram em outras plataformas. “Os desenvolvedores na Epic Games Store são livres para processar seus próprios pagamentos e ficar com 100% da receita, e muitos jogos grandes, como GTA, fazem isso”, defendeu o executivo.
O CEO também compartilhou números para contextualizar a posição da empresa no mercado, revelando que a plataforma possui entre 55% e 60% do volume de usuários ativos mensais do Steam. Sweeney atribuiu este engajamento ao programa de jogos gratuitos e aproveitou para alfinetar Gabe Newell, fundador da Valve, sugerindo que o modelo da Epic beneficia mais os desenvolvedores do que os supostos luxos pessoais dos executivos concorrentes.
A declaração provocativa não ficou sem resposta. Michael Douse, diretor de publicação da Larian Studios (responsável pelo aclamado Baldur’s Gate 3), contestou o discurso de Sweeney usando como exemplo o caso de Alan Wake 2. O jogo da Remedy Entertainment, mesmo premiado pela crítica, levou mais de um ano e dois milhões de unidades vendidas para se tornar lucrativo, com muitos analistas apontando a exclusividade na Epic Games Store como fator determinante para o desempenho comercial abaixo do esperado.
“Eu entendo que a Epic financiou inteiramente Alan Wake 2, mas essa conversa altruísta pró-desenvolvedor não cai bem quando a Remedy aparentemente entrou em crise financeira porque não pôde aproveitar a Steam para as vendas, sofrendo potencialmente centenas de milhões em receita perdida“, argumentou Douse.
O executivo da Larian também questionou a sustentabilidade do modelo de negócios da Epic, afirmando que o sucesso da plataforma dependeria da capacidade de “converter centenas de milhões de jogadores de Fortnite em jogadores ‘premium'”, algo que ele considera improvável. “Dar tudo de graça a todos pode aumentar os números, mas não cria uma loja viável a partir da qual se possa vender experiências premium”, completou.
A discussão ganhou ainda mais combustível quando Dave Oshry, CEO da produtora New Blood, revelou um dado surpreendente: seu jogo Blood West vendeu 200% mais no Steam no mesmo dia em que foi disponibilizado gratuitamente na Epic Games Store. Este dado sugere que, mesmo quando os jogadores podem obter o título sem custo, muitos preferem adquiri-lo na plataforma da Valve.
Embora a Epic Games Store tenha se destacado pela frequência e, por vezes, pela qualidade dos jogos oferecidos gratuitamente, outras plataformas adotam estratégias semelhantes. A Amazon disponibiliza títulos sem custo adicional para assinantes do Prime Gaming, enquanto a Sony oferece jogos mensais para membros da PS Plus.
O Xbox também participa dessa tendência com a iniciativa “Dias Para Jogar de Graça”, que permite o acesso temporário a diversos títulos nos fins de semana. A diferença fundamental é que, para estas empresas, a distribuição gratuita funciona como um benefício complementar aos seus serviços principais, não como estratégia central de negócios.
Essa polêmica evidencia a complexa relação entre plataformas digitais, desenvolvedores e consumidores no mercado de jogos, onde diferentes modelos de negócio competem pela preferência dos usuários em um cenário cada vez mais fragmentado.
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