Resumo rápido!
O mercado chinês está voltando no tempo tecnológico por pura matemática financeira. Enquanto os preços do DDR5 explodem e até o DDR4 começa a pesar no bolso, as placas-mãe com suporte a DDR3 viraram best-sellers inesperados — com crescimento de 200% a 300% nas vendas recentes.
A tempestade perfeita que ressuscitou o DDR3
A história começa nos datacenters. Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram linhas de produção inteiras para atender a fome insaciável de memória HBM e DDR5 densa, usadas em clusters de IA. O CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, foi direto: “a oferta agregada da indústria permanecerá substancialmente abaixo da demanda em um futuro próximo” — e completou que o problema vai durar “anos, não apenas meses”.
Escassez de memória RAM pode durar até 2031, alertam fabricantes
Com DDR5 inacessível, consumidores migraram para DDR4. Mas o próprio DDR4 começou a subir — afinal, as fábricas estão priorizando chips de alta margem para o mercado corporativo. Foi aí que a China abriu um terceiro caminho: resgatar o DDR3 do esquecimento.
Diferente do DDR4 e DDR5, que têm oferta controlada e atrelada à produção nova, o DDR3 está em superávit absoluto. São milhões de pentes usados vindos de PCs corporativos aposentados — aqueles Dell Optiplex e HP EliteDesk de escritório que rodaram planilhas por anos e agora viraram matéria-prima de reciclagem tech.
Esse estoque gigantesco de pentes usados encontrou compradores dispostos a construir máquinas boas o suficiente para navegação, trabalho básico e até alguns jogos leves. Não estamos falando de rigs para competitivo ou workstations de edição 4K, mas sim de computadores funcionais por uma fração do custo.
Fabricantes confessam: não vão aumentar produção tão cedo
A G.SKILL, referência em kits de alta performance, quebrou o protocolo e admitiu publicamente que seus preços “refletem o custo dos fornecedores de circuitos integrados e podem mudar sem aviso”. Tradução: a marca repassa integralmente a alta imposta por Samsung, SK Hynix e Micron, e nenhuma delas sinaliza alívio antes de 2027.
O motivo? Receio de catástrofe comercial. Se a demanda por IA arrefecer subitamente, fábricas recém-construídas podem virar elefantes brancos. Diante desse risco, fabricantes preferem manter a oferta controlada e margens altas, mesmo que isso signifique deixar consumidores comuns no prejuízo.
O mercado de PCs pode encolher 9% em 2026
Analistas já projetam retração de até 9% nas vendas de PCs neste ano, com a memória RAM respondendo por até 18% do custo de um notebook. Dell e Lenovo avisaram parceiros que seus produtos podem ficar entre 15% e 20% mais caros ainda neste semestre. Até o mercado de smartphones deve recuar 0,9%, em parte pela escassez de LPDDR5.
Projeções indicam primeiro trimestre brutal em 2026
A consultoria TrendForce divulgou nesta semana suas previsões mais alarmantes desde a crise de fornecimento de 2018. Para o primeiro trimestre de 2026, a expectativa é de aumentos entre 55% e 60% nos preços de DRAM convencional, enquanto NAND Flash deve subir entre 33% e 38%. SSDs para consumidor final já estão com projeção confirmada de alta superior a 40%.