As tarifas de semicondutores dos EUA contra produtos chineses anunciadas pela administração Trump entrarão em vigor apenas em junho de 2027, mas já geram preocupações sobre o impacto na cadeia global de suprimentos eletrônicos. O governo americano finalizou a medida após concluir uma investigação de um ano que revelou dependência crítica de componentes fabricados na China.
A nova rodada de tarifas foi oficialmente anunciada com uma implementação bastante postergada, precisamente para 23 de junho de 2027. Este adiamento significativo pode estar relacionado a uma recente e leve redução nas tensões entre as duas potências, já que a própria China também adiou suas restrições de exportação de terras raras para o próximo ano.
Um ponto crucial é que, tecnicamente, as tarifas já estão em vigor, mas com taxa de 0%, valor que aumentará em 18 meses a partir da data anunciada. O percentual exato da nova tarifa só será conhecido 30 dias antes da implementação efetiva. Mais preocupante ainda é que estas novas taxas serão aplicadas por cima das tarifas de 50% sobre importações de semicondutores chineses que entraram em vigor em 1º de janeiro deste ano.

As novas tarifas de semicondutores dos EUA não são uma simples repetição das anteriores. Enquanto há alguma sobreposição, as novas sanções incluem itens da seção 8541 como diodos, transistores, amplificadores e acopladores óticos, mas não abrangem a seção 8542 coberta pelas tarifas de janeiro. Isso significa que diferentes componentes terão taxas distintas, e alguns sofrerão um duplo impacto tarifário.
A origem dessas medidas está em uma pesquisa conduzida pelo Bureau of Industry and Security (BIS), parte de uma investigação sobre a cadeia de produção de semicondutores da China iniciada durante a administração Biden. O relatório resultante, agora público, foca especialmente em chips “legados” (geralmente 22nm ou maiores) e componentes como amplificadores operacionais, chips analógicos e diodos – todos elementos essenciais para a construção de praticamente qualquer dispositivo eletrônico.
O BIS compara a atual dependência excessiva de semicondutores chineses à situação vivida durante a pandemia de COVID-19, quando ficou dolorosamente evidente que muitos produtos dependiam de componentes provenientes de um número limitado de fornecedores centralizados. A investigação descobriu que 66% dos produtos analisados (por receita) continham ou provavelmente continham pelo menos um chip fabricado em fundições baseadas na China, com muitos respondentes sequer conseguindo identificar precisamente a origem desses componentes.
Os meios não mercadológicos pelos quais a China teria conseguido se posicionar como fonte da maior parte dos suprimentos de semicondutores dos EUA incluem “empresas estatais ou controladas pelo Estado, restrições de acesso ao mercado, práticas regulatórias opacas, supressão de salários e substancial apoio financeiro estatal através de fundos de orientação governamental”. De forma análoga aos mercados de veículos elétricos e energia verde, essas práticas resultaram em uma redução artificial de preços e subsequente concentração da produção dentro da China.
Todo este cenário se desenrola em um mundo onde a China detém a maior parte dos suprimentos de terras raras e tem usado esse trunfo como arma na guerra comercial. Controlar tanto as matérias-primas quanto os meios de produção dos produtos que delas dependem representa uma vantagem estratégica significativa, algo que tarifas isoladas podem não ser suficientes para neutralizar.
Fonte: Tom’s Hardware
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