A Canon e a japonesa Dai Nippon Printing (DNP) acabam de dar um passo que pode abalar o domínio da ASML na fabricação de chips avançados. A DNP desenvolveu materiais para produzir semicondutores de 1,4 nm usando nanoimpressa — técnica que dispensa os scanners de litografia EUV que custam centenas de milhões de dólares.
A DNP planeja iniciar a produção em massa desses materiais em 2027. Eles funcionam em conjunto com as máquinas de nanoimpressa da Canon, que já enviou a primeira unidade para a Intel testar no final de 2024.
Como funciona a nanoimpressa
Diferente da litografia tradicional, que usa lasers potentes para queimar padrões no silício, a nanoimpressa funciona como um carimbo. Um molde com o desenho do chip é pressionado diretamente sobre o wafer, transferindo o circuito de forma mecânica.
O ganho é duplo. Primeiro, o consumo de energia cai até 90% comparado aos equipamentos convencionais. Segundo, o preço: cada máquina da Canon sai por cerca de US$ 6,4 milhões — dezenas de vezes menos que um scanner EUV da ASML.
A litografia responde por 30% a 50% do custo total de fabricação de um chip, segundo fontes japonesas. Se a nanoimpressa escalar, o impacto pode ser significativo para quem não consegue bancar infraestrutura de ponta.
Intel, Samsung e TSMC observam de longe
A Intel foi a primeira a receber uma máquina de nanoimpressa da Canon para testes. Mas outras gigantes também demonstraram interesse. Samsung, TSMC, Micron e Kioxia acompanham o desenvolvimento da tecnologia, ainda que sem compromissos públicos.
O motivo da cautela é claro: essas empresas investiram bilhões em fábricas otimizadas para litografia EUV. Migrar para uma nova técnica exige validação completa de rendimento, precisão e volume de produção. Ninguém troca de rota sem ter certeza de que a aposta vale a pena.
Japão tenta retomar protagonismo
Canon e Nikon já foram líderes globais em equipamentos de litografia. Nas últimas duas décadas, perderam terreno para a ASML, que hoje controla 90% do mercado de scanners avançados. A nanoimpressa é a tentativa japonesa de reconquistar espaço em um setor estratégico.
A Fujifilm também anunciou planos de desenvolver materiais para essa tecnologia. O movimento sugere uma aposta coordenada da indústria japonesa para criar uma alternativa viável aos equipamentos europeus.
O que vem pela frente
A DNP promete entregar materiais para nanoimpressa em escala comercial a partir de 2027. Se a tecnologia funcionar conforme o esperado, pode abrir caminho para fabricantes menores ou novos entrantes que não conseguem arcar com os custos da litografia EUV.
Mas a ASML segue firme. Sua tecnologia é testada, integrada e confiável. Substituir isso não é só questão técnica — é também de confiança, tempo de validação e compatibilidade com processos já estabelecidos.

