O governo federal anunciou a formação de um grupo de trabalho dedicado exclusivamente à regulamentação de entregadores por aplicativos no Brasil. Coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, o GT surge como resposta às reivindicações históricas desta categoria que vem lutando por melhores condições de trabalho há anos.
A iniciativa foi revelada pelo ministro Guilherme Boulos durante reunião com representantes dos trabalhadores. O grupo contará com a participação do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além de organizações representativas de entregadores de todas as cinco regiões do país e centrais sindicais
Separação em grupos
Um aspecto crucial da proposta é a separação entre entregadores e motoristas de aplicativos de transporte. “Nós tomamos a definição de separar os entregadores motoqueiros de motoristas porque existem pautas específicas de cada um”, explicou Boulos. Essa abordagem difere do projeto de lei atualmente em discussão no Congresso Nacional, que trata ambas as categorias conjuntamente.
Entre as principais demandas dos entregadores estão a implementação de uma remuneração mínima garantida, que compense as longas jornadas e os baixos pagamentos atuais, além do acesso a algum tipo de seguro previdenciário que ofereça proteção em casos de acidentes ou incapacidade.

Outro ponto central nas discussões é a exigência de maior transparência nos algoritmos que controlam a distribuição de entregas e definem os valores pagos. Muitos trabalhadores relatam não compreender como as plataformas determinam quem recebe quais entregas e quanto será pago por cada serviço.
De acordo com Nicolas dos Santos, da Aliança Nacional dos Empregadores por Aplicativos, existe grande expectativa que esta iniciativa finalmente encerre um debate que se arrasta por aproximadamente quatro anos. “A gente precisa ganhar bem, ter acesso a direitos e condições dignas de trabalho e moradia”, declarou um dos entregadores ouvidos durante o anúncio.
O ministro Boulos reconheceu que um dos principais obstáculos para avançar nas negociações é a resistência das plataformas em relação a determinados temas. Segundo ele, embora as empresas estejam abertas a discutir questões como transparência e previdência, há forte resistência quando o assunto é a adoção de um piso salarial para a categoria.
O grupo de trabalho terá duração inicial de 60 dias, com possibilidade de prorrogação caso seja necessário aprofundar as discussões. A regulamentação é vista como urgente diante das manifestações recentes da categoria, que incluíram protestos nacionais por uma taxa mínima por entrega.
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