IBM vê só 1% de chance de superinteligência com a IA atual e põe OpenAI na berlinda

CEO da IBM diz que chance de AGI com tecnologia atual é de 1%. Conta bilionária da OpenAI não fecha, segundo Arvind Krishna.

A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, deve encerrar 2025 em um cenário bem menos confortável do que o de dois anos atrás. A empresa liderada por Sam Altman acumula questionamentos sobre resultados, segurança e finanças — e agora também enfrenta críticas públicas de um dos nomes mais fortes da velha guarda da tecnologia: o CEO da IBM, Arvind Krishna.

Em entrevista ao podcast Decoder, do site The Verge, Krishna estimou em apenas de 0% a 1% a probabilidade de a indústria alcançar a chamada “superinteligência” ou inteligência artificial geral (AGI) usando o conjunto de tecnologias disponível hoje. Segundo ele, o otimismo de empresas como a OpenAI não bate com a matemática dos investimentos em infraestrutura.

Investimento em data centers não fecha a conta, diz Krishna

Microsoft AI Mustafa Suleyman humanist superintelligence development team

O principal alvo da análise do CEO da IBM são os enormes gastos em data centers voltados ao treinamento de modelos de IA. Krishna afirmou que a maior parte do capital atual está sendo direcionada para a construção e equipagem dessas estruturas, em um nível “muito acima” do que os balanços de lucro e prejuízo justificariam.

Ele citou como referência o custo estimado para montar um data center de 1 gigawatt: cerca de 80 bilhões de dólares. Considerando que o conjunto de empresas envolvidas na corrida pela AGI fala em algo na faixa de 100 gigawatts, o investimento total chegaria a aproximadamente 8 trilhões de dólares em despesas de capital.

“Na minha opinião, não há forma de obter retorno sobre esse investimento, porque 8 trilhões de dólares de gasto de capital significam que são necessários cerca de 800 bilhões de dólares em lucros só para pagar os juros”, afirmou Krishna durante o programa.

Renovação de GPUs aumenta pressão sobre modelo de negócios

Krishna também lembrou que as unidades de processamento gráfico (GPUs), usadas para treinar modelos extensos de IA, precisam ser renovadas periodicamente. Segundo ele, a troca costuma ocorrer a cada cinco anos, tanto por vida útil quanto por obsolescência tecnológica.

Esse ciclo de substituição, somado ao volume de infraestrutura já planejado, coloca pressão adicional sobre o modelo de negócios das empresas de IA. Na visão do executivo, mesmo projetando crescimento de receita, ainda não há um caminho claro para que esses investimentos sejam amortizados em prazo razoável.

Para Krishna, olhar para o futuro da IA em termos financeiros continua sendo “especulativo”, já que não há garantias de que os avanços esperados — como a própria AGI — serão de fato alcançados no horizonte de tempo que justificaria aportes dessa magnitude.

Chance de AGI com tecnologia atual é mínima

O CEO da IBM foi direto ao falar sobre a possibilidade de chegar à inteligência artificial geral com as ferramentas atuais. Ele disse duvidar que o setor esteja tão perto da AGI quanto alguns líderes sugerem em entrevistas e apresentações para investidores.

Sem um “novo descobrimento impulsionador”, nas palavras de Krishna, as chances de atingir esse objetivo com a tecnologia hoje disponível estariam entre 0% e 1%. Ou seja, praticamente nulas do ponto de vista probabilístico.

A avaliação contrasta com o discurso de nomes como Sam Altman, que vêm apontando a AGI como uma meta plausível em um horizonte de poucos anos e justificam, em parte, os pesados investimentos em data centers e chips avançados justamente pela expectativa de alcançar esse patamar de inteligência.

Krishna diz entender ambição, mas discorda

Apesar das críticas, Krishna evitou tratar a ambição de alcançar a superinteligência como algo irracional. Ele afirmou compreender o impulso de líderes do setor de tecnologia que escolhem perseguir objetivos muito ambiciosos, mesmo com alto nível de incerteza.

“É uma crença, é o que algumas pessoas gostam de perseguir. Eu entendo da perspectiva deles, mas isso é diferente de concordar com eles”, resumiu o executivo.

A fala funciona como um contraponto público relevante em um momento em que a OpenAI enfrenta outras frentes de desgaste:

  • Frustração de parte da base de usuários com o desempenho do GPT-5, lançado em agosto, o que levou o próprio Sam Altman a reconhecer erros na estratégia do produto.

  • Múltiplas denúncias relacionadas a falhas de segurança no chatbot.

  • Questionamentos recorrentes sobre a real rentabilidade da empresa e a sustentabilidade do modelo de negócios no médio prazo.

Com a avaliação de Krishna, entra no debate um elemento que vai além da capacidade técnica: a dúvida sobre se a conta financeira da corrida pela superinteligência pode, de fato, fechar.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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