Nepal em chamas: protestos contra corrupção e bloqueio das redes sociais deixam 19 mortos

Protestos da Geração Z contra corrupção e bloqueio das redes no Nepal deixam mais de 19 mortos e forçam renúncia do premiê.

Katmandu viveu nas últimas 48 horas uma das maiores convulsões políticas de sua história recente. Um movimento juvenil autodenominado “Geração Z” tomou as ruas contra a corrupção e a proibição de redes sociais, forçando a renúncia do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli e deixando ao menos 19 mortos e centenas de feridos.

O epicentro da revolta foi a decisão do governo de bloquear 26 plataformas digitais, entre elas Facebook, Instagram, WhatsApp, YouTube e X. Para milhões de jovens nepaleses, foi o estopim de um descontentamento acumulado por anos de estagnação econômica, desemprego e denúncias de nepotismo.

Como a crise começou

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O gabinete de Oli aprovou uma diretiva que obrigava as redes sociais a registrar operações no Nepal, renovar licenças a cada três anos e manter representantes locais. Diante da resistência das empresas em cumprir o prazo, o governo ordenou o bloqueio imediato.

Em um país onde 80% do tráfego de internet depende das redes sociais, o impacto foi imediato. Pequenos empreendedores ficaram sem seus canais de vendas, estudantes sem comunicação e ativistas sem voz.

A revolta da Geração Z

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O bloqueio coincidiu com a popularização da campanha digital “Nepo Kid”, que viralizou em plataformas como TikTok e Reddit. Jovens expuseram os filhos de políticos ostentando carros de luxo, viagens internacionais e privilégios, em contraste com a realidade de uma população cujo PIB per capita é de apenas US$ 1.300.

As críticas foram além da censura: denunciavam um sistema político fechado, onde os mesmos líderes se revezam no poder há décadas, alimentando escândalos de corrupção e favorecimentos.

Da internet às ruas

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Na segunda-feira (08), milhares de jovens marcharam em Katmandu. O que começou como protesto pacífico escalou após o confronto com barricadas policiais. A repressão incluiu gases lacrimogêneos, canhões de água e, por fim, munição real.

O resultado foi devastador. Segundo a Reuters, 19 mortos e mais de 500 feridos em 24 horas, o dia mais violento da democracia nepalesa desde os movimentos de 1990 e 2006.

Queda de Oli e crise política

O primeiro-ministro tentou resistir, chamando os jovens de “anarquistas”, mas rapidamente perdeu apoio. Cinco ministros pediram demissão em protesto contra a repressão, e parte da coalizão governista abandonou o governo.

Pressionado, Oli anunciou sua saída em carta pública dizendo buscar “uma saída política e constitucional para a crise”. Horas depois, foi evacuado de helicóptero com outros ministros, enquanto sua residência e a de líderes opositores eram incendiadas.

 

Apesar da revogação do bloqueio às redes sociais, as ruas seguem em ebulição. Sedes partidárias foram incendiadas, voos em Katmandu suspensos e relatos apontam que até ministros foram agredidos por manifestantes.

Organizações como ONU e Amnistia Internacional exigem uma investigação independente sobre a repressão. Especialistas temem que a jovem democracia nepalesa, com apenas 15 anos de vigência plena, esteja diante de um de seus maiores testes de sobrevivência.

Muito além das redes: a ira contra a corrupção

 

Embora o bloqueio das redes sociais tenha sido o estopim da revolta, analistas e manifestantes apontam que o verdadeiro combustível das ruas foi a corrupção endêmica.

Ex-ministros, como Govinda Bandi, acusaram o governo de usar a narrativa da “segurança digital” para ocultar denúncias de nepotismo e enriquecimento ilícito. A crítica ganhou força após campanhas virais como “Nepo Kid”, que expuseram o estilo de vida luxuoso dos filhos de políticos, em contraste com a realidade do cidadão comum.

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Cartazes exibidos em Katmandu resumiam o sentimento popular: “Fechem a corrupção, não as redes sociais”. Para a chamada “Geração Z”, a medida de Oli foi interpretada como uma tentativa de silenciar a indignação coletiva.

Relatórios da AP News e da Reuters reforçam que a proibição digital apenas catalisou uma insatisfação mais profunda com décadas de privilégios políticos, escândalos de contrabando e má gestão do Estado — fatores que, para muitos, tornaram inevitável a explosão social.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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