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HyperScan: O console da Mattel que misturava cartas com games e virou um dos maiores fiascos da história

O HyperScan misturava cartas colecionáveis com games, mas vendeu pouco e virou um dos maiores fracassos da história dos consoles.

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Nota do Editor: Durante o recesso, estamos republicando matérias que foram destaque ao longo de 2025. Este conteúdo foi originalmente publicado em 1 de setembro de 2025. Nossa cobertura regular retorna na próxima segunda-feira, 05 de janeiro de 2026. Abraço!


Em 2006, a Mattel decidiu voltar ao mercado de consoles pela primeira vez desde o Intellivision, lançado nos anos 80. O resultado foi o HyperScan, um videogame que misturava CDs com cartas colecionáveis equipadas com RFID. A proposta parecia ousada, mas o produto se tornou rapidamente um dos maiores fracassos da história dos games.

Exótico a começar pelo design

Console HyperScan da Mattel, preto e vermelho, com controle com fio e a marca HYPERSCAN gravada na carcaça lateral

O HyperScan chegou às lojas em 23 de outubro de 2006, custando US$ 69,99. O momento não poderia ser pior: a Sony e a Nintendo se preparavam para lançar o PlayStation 3 e o Wii, dois gigantes que dominaram aquele fim de ano.

Visualmente, o console parecia um brinquedo indeciso. Seu corpo cúbico trazia um leitor circular de RFID em vermelho vivo, mas o aparelho balançava em superfícies planas, denunciando falhas básicas de design. Os cabos eram fixos e baratos, as portas de controle usavam conectores proprietários herdados de acessórios antigos de PC, e os joysticks eram frágeis, com botões moles e um analógico que frequentemente saía do lugar. Até havia uma porta USB na traseira, mas nunca foi usada oficialmente.

Console HyperScan da Mattel aberto mostrando um disco de jogo X-Men com a capa do Wolverine e a tampa vermelha do leitor de cartas

O hardware também denunciava sua fragilidade:

  • Processador Sunplus SPG290, chip usado em clones e consoles piratas

  • 16 MB de RAM, contra centenas nos concorrentes

  • 65.536 cores, algo que lembrava a década de 90

  • CD-ROM como mídia, com carregamentos de mais de um minuto

Na prática, isso significava gráficos 2D ultrapassados, em uma época em que o mercado já estava mergulhado no 3D.

A aposta no “cartão mágico”

O diferencial era o leitor RFID de 13,56 MHz, capaz de escanear cartas chamadas IntelliCards. Cada card liberava habilidades, personagens ou fases extras. Era como se a febre dos cards Pokémon ganhasse uma extensão digital.

Três pilhas de cartas metálicas coloridas do HyperScan sobre um tapete bege, com uma carta em destaque na pilha do meio mostrando um personagem em chamas

Só que a execução foi um desastre. O processo era lento, muitas vezes exigindo várias tentativas para funcionar. Além disso, os cards raramente adicionavam algo relevante ao jogo. E havia um problema maior: o custo. O set de X-Men exigia 56 cartas para liberar todo o conteúdo — o que significava gastar mais de US$ 150 somando console, jogo e expansões. Para um público-alvo de crianças, era um preço proibitivo.

No total, o HyperScan recebeu apenas cinco jogos: X-Men, Marvel Heroes, Spider-Man, Ben 10 e Interstellar Wrestling League. Outros dois chegaram a ser anunciados, mas foram cancelados antes mesmo do lançamento.

Caixas de jogos do HyperScan da Mattel, incluindo Spider-Man, Marvel Heroes, Ben 10, IWL e o disco de X-Men com a Mattel

Qualidade questionável e a saída de cena

Quem desmontava o HyperScan encontrava um festival de improvisos: peças coladas com fita adesiva, parafusos inadequados para eletrônicos e componentes frágeis. O console parecia montado às pressas, sem refinamento.

O catálogo reduzido, somado à baixa qualidade dos títulos, transformou o console em um peso morto rapidamente. As prateleiras começaram a se encher de caixas encalhadas. Poucos meses depois, o console e seus jogos eram vendidos em liquidações por menos de US$ 10.

Estima-se que apenas 20 mil a 30 mil unidades foram vendidas, um número insignificante diante dos milhões de consoles rivais.

Em 2007, a Mattel cancelou todos os planos para novos títulos e encerrou o projeto. 

O HyperScan foi só um entre tantos consoles curiosos que marcaram a indústria pelos motivos errados. Da mesma forma que a Mattel tentou unir cartas e videogames, outras empresas também arriscaram ideias ousadas, e muitas vezes falharam.

Se você gosta de mergulhar nessas histórias, confira nosso artigo sobre 9 consoles antigos que você provavelmente nunca viu:

 

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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