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Cuidado! Comet Browser expõe falhas críticas de segurança e privacidade

O Comet Browser, da Perplexity, enfrenta críticas por vulnerabilidades graves que podem expor senhas e dados sensíveis. Saiba os detalhes.

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Pesquisadores da Brave e Guardio revelaram sérias vulnerabilidades no Comet browser, o navegador com inteligência artificial da Perplexity, lançado em julho deste ano. Os problemas de segurança identificados colocam em risco informações sensíveis dos usuários, como senhas e dados bancários, contradizendo diretamente as promessas da empresa sobre a robustez de proteção do navegador.

Enquanto a Perplexity afirma que “os recursos de segurança, privacidade e padrões de conformidade que seu negócio exige já estão incorporados no núcleo do Comet“, as análises técnicas apontam graves falhas que permitem ataques de injeção de prompts e manipulação por sites maliciosos.

O navegador, disponível para assinantes Perplexity Max e alguns usuários Pro por U$200 mensais, apresenta problemas estruturais em sua abordagem de processamento de conteúdo web. Segundo os especialistas, o Comet browser não distingue adequadamente entre comandos do usuário e conteúdo não confiável de páginas, criando uma brecha crítica de segurança.

Como funcionam as vulnerabilidades do Comet

Scamlexity: We Told an AI to Buy an Apple Watch. It Fell for a Fake Walmart Store - YouTube

Em relatório publicado em 20 de agosto, Artem Chaikin, Engenheiro Sênior de Segurança Móvel da Brave, e Shivan Kaul Sahib, VP de Privacidade e Segurança, explicam que a falha está no processamento de conteúdo das páginas pelo Comet. Quando um usuário pede para “resumir esta página”, o navegador alimenta parte do conteúdo diretamente para seu modelo de linguagem (LLM) sem distinguir entre instruções do usuário e conteúdo não confiável.

“Esta vulnerabilidade permite que atacantes incorporem cargas de injeção indireta de prompts que a IA executará como comandos. Por exemplo, um atacante poderia obter acesso aos e-mails de um usuário a partir de um texto preparado em uma página em outra aba”, alertam os pesquisadores da Brave.

O mais alarmante é que não seria necessário um gênio da programação para explorar estas falhas. Um usuário comum visitando uma página com conteúdo malicioso embutido e usando o assistente de IA para resumir o texto já estaria vulnerável. Como o assistente não consegue diferenciar entre código malicioso e conteúdo legítimo, ele simplesmente segue as instruções prejudiciais.

Testes comprovam riscos de phishing e fraudes

A equipe da Guardio, em sua pesquisa intitulada “Scamlexity”, realizou testes práticos que demonstram a gravidade da situação (veja vídeo acima). Os pesquisadores criaram uma página falsa da Walmart e ordenaram ao Comet browser que comprasse um Apple Watch. O resultado foi alarmante: o navegador escaneou a página obviamente falsa, adicionou o produto ao carrinho, usou os dados de cartão de crédito e endereço salvos, e finalizou a compra.

“Um comando, alguns momentos de navegação automatizada sem nenhuma supervisão humana, e o dano foi feito. Enquanto o humano espera por um novo Apple Watch brilhante, os golpistas já estão gastando seu dinheiro”, alertam Nati Tal e Shaked Chen da Guardio.

Embora em alguns testes o Comet tenha recusado comandos por preocupações de segurança ou solicitado intervenção humana para finalizar a compra, houve diversas ocasiões em que o navegador caiu completamente na armadilha e entregou credenciais a potenciais golpistas.

Outro experimento envolveu um e-mail de phishing falso do Wells Fargo, enviado de um endereço ProtonMail obviamente suspeito. O assistente de IA do Comet não apenas clicou no link malicioso como se ofereceu para ajudar o usuário a fornecer suas credenciais aos golpistas.

“O resultado: uma cadeia de confiança perfeita que deu errado. Ao lidar com toda a interação, desde o e-mail até o site, o Comet efetivamente avalizou a página de phishing. O humano nunca viu o endereço suspeito do remetente, nunca passou o mouse sobre o link e nunca teve a chance de questionar o domínio”, explicam os pesquisadores.

Como a Guardio destaca, toda a intuição natural que desenvolvemos contra esquemas de phishing torna-se completamente inútil quando a IA está tomando decisões por nós.

Preocupações se estendem a outros navegadores com IA

Navegador Microsoft Edge exibindo a página Copilot Mode, com a mensagem "Your AI-powered browser" sobre fundo de flores coloridas, em um monitor

O Comet browser não é o único navegador com IA surgindo no mercado. A Browser Company recentemente mudou seu foco do navegador Arc para um navegador com IA chamado “Dia”. Rumores indicam que a OpenAI também está desenvolvendo um navegador com capacidades agênticas.

A Microsoft também entrou nessa corrida. Em 28 de julho, a empresa anunciou o novo e experimental “Modo Copilot” para o Edge. A experiência de IA do Edge está disponível gratuitamente por tempo limitado, e a Microsoft lista vários recursos que soam similares aos que colocaram o Comet em apuros.

Segundo Zac Bowden, Editor Sênior do Windows Central, “ele supervisiona a barra de endereço e a página de nova aba, e está sempre a um clique de distância para analisar um site ou documento que você está visualizando. O Copilot no Edge agora também consegue ver todas as suas abas abertas, oferecendo ações ou sugestões contextuais baseadas em toda a sua sessão de navegação ativa, e não apenas em uma aba específica”.

Essas descobertas levantam sérias questões sobre a maturidade e a segurança dos navegadores com IA em geral. Os riscos demonstrados com o Comet browser podem ser apenas a ponta do iceberg de uma nova classe de vulnerabilidades que surgem com a integração da IA aos navegadores.

Fonte: Brave

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Postado porFelipe Alencar

Cearense. 34 anos. Apaixonado por tecnologia e cultura. Trabalho como redator tech desde 2011. Já passei pelos maiores sites do país, como TechTudo e TudoCelular. E hoje cubro este fantástico mundo da tecnologia aqui para o HARDWARE.

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