Por que prisões em Nova Jersey ainda obrigam presos a usar disquetes em 2025?

Presos não podem usar pendrives e enfrentam limitações tecnológicas absurdas nos EUA.

Em 2025, enquanto o mundo avança para mídias de armazenamento cada vez mais compactas e eficientes, os detentos da Penitenciária Estadual de Nova Jersey continuam obrigados a utilizar disquetes para acessar seus documentos digitais. Esta realidade anacrônica chamou a atenção após o relato de um prisioneiro que teve seu direito de defesa prejudicado por essas limitações tecnológicas.

Jorge Luis Alvarado, detido nesta penitenciária, compartilhou sua experiência no site Prison Journalism Project, descrevendo como seu advogado lhe enviou documentos importantes para preparação de recurso judicial em um pendrive – mídia que é terminantemente proibida nas celas. A ironia é que, ao mesmo tempo, cada prisioneiro pode manter até 20 disquetes em sua cela.

“Dentro da Penitenciária Estadual de Nova Jersey, é como estar em 1985”, desabafa Alvarado no relato. O problema vai além da nostalgia tecnológica: o limite de armazenamento de 1,44 MB por disquete é extremamente restritivo para documentos jurídicos, que frequentemente ultrapassam esse tamanho. “Um único processo judicial pode facilmente ocupar a memória de dois disquetes”, explica o detento.

As dificuldades se multiplicam considerando que os advogados modernos raramente utilizam essa tecnologia obsoleta. Encontrar disquetes à venda atualmente é um desafio, sem mencionar que essa mídia é conhecida pela facilidade com que pode ter seus dados corrompidos – uma ameaça constante para informações jurídicas vitais.

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Disquetes de 3,5 polegadas com capacidade de apenas 1,44 MB são a única opção de armazenamento digital pessoal permitida nas celas dos prisioneiros em Nova Jersey.

O cenário se torna ainda mais problemático quando consideramos o contexto dos processos judiciais. O tempo é um fator crítico quando se trata de entrar com recursos, e essa limitação tecnológica impõe barreiras significativas. Existe uma alternativa dentro da prisão: os detentos podem solicitar acesso a pendrives por meio dos computadores da biblioteca jurídica. No entanto, segundo Alvarado, a aprovação desses pedidos pode levar dias, prejudicando severamente o andamento de processos que exigem rapidez.

Vale notar que essa situação reflete não apenas um regimento prisional antiquado, mas também um padrão mais amplo de resistência à atualização tecnológica em várias instituições americanas. A dependência de tecnologias obsoletas parece ser um problema recorrente em diversos setores do governo dos EUA.

O problema das tecnologias obsoletas se estende além das prisões

A situação da Penitenciária Estadual de Nova Jersey, embora preocupante, seria relativamente simples de resolver. Afinal, trata-se apenas de uma questão de política interna e não de uma dependência técnica real de disquetes. Uma revisão das regras poderia facilmente modernizar o sistema, permitindo aos detentos acesso a mídias mais atuais sem comprometer a segurança.

Contudo, em outros setores governamentais americanos, a dependência de tecnologias ultrapassadas representa um desafio muito maior. Um exemplo alarmante é a Administração Federal de Aviação (FAA), responsável pelo controle do tráfego aéreo dos Estados Unidos, que ainda utiliza sistemas baseados em Windows 95 e disquetes em várias de suas torres de controle. O Windows 95, só para você ter uma ideia, está completando 30 anos nesta semana!

Vista externa de uma prisão com muros altos, torres de guarda e cercas de arame farpado.
A Penitenciária Estadual de Nova Jersey mantém políticas tecnológicas ultrapassadas que afetam diretamente o direito de defesa dos detentos.

Diferentemente da situação nas prisões, a modernização do sistema da FAA representa um desafio financeiro monumental. As estimativas apontam para um investimento na casa de “dezenas de bilhões de dólares” para atualizar completamente a infraestrutura tecnológica. Isso significa que, mesmo reconhecendo a urgência, uma solução definitiva ainda está longe de se tornar realidade.

Para os detentos como Jorge Luis Alvarado, a frustração é evidente. Enquanto o mundo exterior avança para armazenamento em nuvem e mídias com capacidade de terabytes, eles continuam limitados a uma tecnologia que a maioria dos jovens brasileiros sequer chegou a conhecer. Em um sistema judiciário onde cada detalhe e cada prazo importam, essas limitações não representam apenas um inconveniente tecnológico, mas potencialmente um obstáculo ao pleno direito de defesa.

Fonte: Tom’s Hardware

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Cearense. 37 anos. Apaixonado por tecnologia desde que usou um computador pela primeira vez, em um hoje jurássico Windows 95. Além de tech, também curto filmes, séries e jogos.
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