Índice das dicas

Smartphones: a história do Symbian

Por Carlos E. Morimoto em 6 de dezembro de 2010 às 14h02

5

A Psion era uma pequena empresa Inglesa, que começou a produzir computadores de mão em 1984, que culminaram no Psion Series 5, um handheld bastante poderoso (para a época), que oferecia um volume surpreendente de recursos e rodava um sistema operacional próprio, o EPOC.

O Psion Series 5 era baseado em um processador ARM7100 de apenas 18.4 MHz, combinado com 8 MB de memória SRAM, usada para armazenamento e instalação de programas, que podia ser expandida através de cartões compact flash de até 128 MB. Na época, os cartões de memória eram ainda muito caros (eles vieram a se popularizar apenas a partir de 2004), de forma que 128 MB pareciam realmente uma capacidade inatingível.

Outra característica curiosa é que o Psion 5 funcionava com duas pilhas AA, que resistiam a até 30 horas de uso contínuo. Com isso, a autonomia não era problema, já que você podia comprar dois pares de pilhas recarregáveis e simplesmente ir trocando-os conforme o uso (os dados da memória eram preservados durante as trocas graças a uma bateria de backup, como as usadas nas agendas eletrônicas).

A característica que mais chamava a atenção era o teclado, que deslizava quando o aparelho era aberto, melhorando o aproveitamento do espaço e colocando a tela numa posição confortável para uso prolongado. Isso tornou o Psion o preferido entre engenheiros, médicos e profissionais em geral, já que era o único portátil da época que permitia trabalhar confortavelmente por longos períodos, substituindo um notebook:

Entre os aplicativos instalados, estavam um processador de textos, planilha, gerenciador de contatos, agenda, calculadora, leitor de e-mails e navegador, que podiam ser usados caso você comprasse o modem serial, que era vendido como acessório.

A tela era monocromática e não oferecia um contraste muito bom, refletindo muito a luz ambiente. Entretanto, ela tinha como grande vantagem a resolução de 640×240, espaçosa mesmo para os padrões atuais:

Em termos de hardware, o Psion 5 era bastante modesto, a começar pelo processador. O grande destaque era o sistema operacional, que aproveitava muito bem os recursos de hardware, e rodava com um desempenho surpreendente.

O Psion 5 foi seguido pelo Series 5 MX, pelo Psion Revo e pelo Series 7, um modelo maior e com tela colorida. Nenhum deles fez muito sucesso, o que acabou levando a empresa a descontinuar a linha em 2001. Apesar disso, o EPOC sobreviveu, dando origem ao Symbian, que o sistema mais usado em smartphones, sobretudo em aparelhos da Nokia, LG, Samsung, Motorola e Sony-Ericsson.

Duas vantagens do Symbian é que ele tem o apoio de vários fabricantes (incluindo a Nokia, que possui mais de 30% mercado global de aparelhos) e que ele é um sistema relativamente leve (principalmente se comparado ao Windows Mobile, que seria seu concorrente direto) permitindo que ele seja usado em aparelhos mais compactos, sem que as funções ou a autonomia da bateria sejam comprometidas.

A família Symbian é dividida em duas plataformas, parcialmente incompatíveis. De uma lado temos o S60, desenvolvido pela Nokia (e encontrado também em alguns aparelhos da LG, Samsung e alguns outros fabricantes, que licenciam o sistema) e o UIQ, encontrado em aparelhos da Sony-Ericsson e da Motorola. Entre os dois, o S60 é o mais usado, simplesmente porque a Nokia vende um volume muito maior de aparelhos.

Uma das principais diferenças entre os dois é que o S60 é controlado através das teclas, oferecendo uma interface mais familiar para quem está acostumado a usar as interfaces de celulares, enquanto o enquanto o UIQ oferece suporte a telas touchscreen e ao uso da stylus:

A relação entre o Symbian, o S60 e o UIQ pode parecer complicada, mas na verdade não é. O Symbian é o sistema operacional, que inclui drivers e bibliotecas de funções, enquanto o S60 e o UIQ são interfaces que rodam sobre ele, incluindo aplicativos e bibliotecas de desenvolvimento.

Se fôssemos traçar um paralelo com as distribuições Linux, o Symbian seria composto pelo Kernel e as bibliotecas básicas do sistema, enquanto o S60 e o UIQ seriam o KDE e o Gnome; interfaces que rodam sobre ele.

Continuando, embora o Symbian tenha nascido como um sistema proprietário, ele fez o caminho inverso em 2008, quando a Nokia, que já tinha 48% das ações da empresa, comprou o restante da Symbian, incluindo os direitos sobre o sistema, para em seguida anunciar a abertura do código fonte e a transferência do desenvolvimento para uma fundação neutra, a Symbian Foundation, processo que foi concluído até 2010.

Essa decisão pode parecer estranha a princípio, mas na verdade foi cuidadosamente calculada. A Nokia utiliza o Symbian na maior parte dos seus aparelhos, que representam alguns bilhões anuais apenas em lucro líquido. Com isso, comprar os direitos sob o sistema de forma a evitar que outra empresa concorrente o fizesse faz bastante sentido.

Por outro lado, manter o sistema proprietário significaria que a Nokia teria que arcar sozinha com todo o desenvolvimento do sistema e correr o risco de ver os desenvolvedores de softwares e outras empresas que utilizam o sistema debandarem para o Android, que é uma plataforma aberta. Com isso, comprar e em seguida abrir o sistema acabou se revelando a melhor saída.

A Symbian Fundation já contou com nomes de peso, como a Motorola, Sony Ericsson e a NTT DoCoMo, que estão contribuindo com código do UIQ e outros componentes, além da própria Nokia, que anunciou planos de abrir o S60 e doar o código à fundação. Vale lembrar que recentemente, devido basicamente à desistência dos particupantes, a Nokia assumiu novamente o controle total do Symbian, encerrando a fundação.

5 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 6 de dezembro de 2010 às 14h02

Comentários

S60
por Caio (anônimo) em 6 de dezembro de 2010 às 15h25
"Uma das principais diferenças entre os dois é que o S60 é controlado através das teclas, oferecendo uma interface mais familiar para quem está acostumado a usar as interfaces de celulares, enquanto o enquanto o UIQ oferece suporte a telas touchscreen e ao uso da stylus."

S60 da quinta geração é para touchscreen. E agora temos o Symbian 3.
 
por MCC (anônimo) em 25 de julho de 2009 às 16h36
Ola gostaria de um software de Banco de Dados para um Nokia E71. Algu[em conhece ?
 
por yesa (anônimo) em 7 de julho de 2009 às 20h51
oi, preciso de ajuda... gostaria de saber se vcs tem mais informações sobre o Symbian, é pra um trabalho da faculdade. Agradeço muito se puderem me ajudar.VLW
 
por ACM (anônimo) em 17 de abril de 2009 às 17h58
Prezados Senhores ,

Sei que este não seria o canal adequado p/ isto mas estou apelando p/ todas as possibilidades que encontro p/ tentar resolver o meu problema. Me desculpem, mas peço mto que me ajudem. Bom, vamos lá.

Estou precisando muito resolver um problema em meu celular e ja procurei demais e não encontrei o que preciso e portanto recorro aos srs. pois acredito que tenham grande conhecimento no ambiente Symbian.

O que preciso é uma solução para iniciar uma aplicação automaticamente qdo o celular é ligado. Ja encontrei o autoexec e o autostart, inclusive em vários sites, porém acredito que essas versões que estão disponíveis na internet devem ser antigas ou de alguma forma incompatíveis com o meu celular pois todos esses que tentei instalar deram como instalação não aceita.
As versões que achei e não instalaram foram essas abaixo:

AutoExec.v1.01.S60.SymbianOS.*******-XiMPDA
AutoExec v1.1 (SymbianWare)
Auto Start v1.32 (Psiloc)

Inclusive baixei a ultima versão desse AutoStart do site da Psiloc mas tb deu instalação não aceita.

O meu celular é um Nokia 6110 Navigator e pelo que vi o Symbian que roda nele é o S60 v3 OS 9.2

Desde já agradeço a atenção dispensada e conto muito com a colaboração dos senhores.

obrigado

Alexandre
 
por Luis (anônimo) em 24 de dezembro de 2008 às 19h03
O S60 está já com suporte a touchscreen. Veja só o N97 e o 5800 XpressMusic. Portanto, ele já não deve mais nada ao UIQ.