Um desenvolvedor conseguiu algo que parece ter saído diretamente de um museu de informática: ele portou o Microsoft Word para Windows 1.1a, lançado em 1990, para que funcione nativamente no Windows 11. Não é uma emulação e máquina virtual. É o Word antigo recompilado para sistemas x64 modernos.
O projeto foi criado por Justin Marshall usando o código-fonte original do aplicativo, publicado pela Microsoft através do Museu da História da Computação em 2014. Para tornar o programa compatível com o Windows 11, os antigos componentes de 16 bits foram adaptados à arquitetura atual, mas a experiência e a interface permaneceram quase idênticas às de mais de três décadas atrás. O Word 1.1a funciona com menos de 1 MB de RAM, numa época em que os aplicativos modernos consomem centenas de megabytes ou até mesmo gigabytes para tarefas aparentemente simples.
Além da nostalgia tecnológica, o projeto também transmite uma mensagem interessante sobre a evolução do software moderno. Nos últimos anos, a Microsoft adicionou cada vez mais recursos baseados em nuvem e inteligência artificial ao Word, Bloco de Notas e outros aplicativos. Para alguns usuários, essas melhorias são úteis. Para outros, representam mais um exemplo de “excesso de recursos”, o fenômeno em que os aplicativos se tornam mais complexos e repletos de funcionalidades à medida que acumulam novos recursos.
O aplicativo não pode ser baixado e instalado diretamente pelos usuários. Devido à licença original da Microsoft, os interessados devem compilar o projeto por conta própria, utilizando o Visual Studio e outras ferramentas de desenvolvimento. Em outras palavras, trata-se mais de uma demonstração técnica e um exercício de preservação da história do software do que uma alternativa prática ao Microsoft 365.
O Word de 1990 não tinha o Copilot, integração com a nuvem, modelos inteligentes, colaboração em tempo real ou geração automática de texto. Mas fazia muito bem aquilo para o qual foi projetado: escrever documentos. Hoje, muitos aplicativos tentam fazer dez coisas ao mesmo tempo e acabam sendo mais lentos, mais confusos e mais difíceis de usar.
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