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Intel Classmate, parte 1

Por Carlos E. Morimoto em 16 de outubro de 2007 às 12h57

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Windows ou Linux?

Atualmente, existem tanto versões do Classmate com Linux quanto versões com o Windows. No caso das versões com o Linux é usada uma versão customizada do Mandriva ou do Metasys (com possibilidade de usar outras distribuições), enquanto nas versões com o Windows é usado o Windows XP Starter ou o XP Professional, que é o caso desta unidade que recebi:

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Trata-se de uma instalação padrão do Windows XP (com algumas bibliotecas e alguns componentes do sistema removidos para economizar espaço), com poucas personalizações. Até mesmo a página padrão do Internet Explorer continua sendo a página do MSN, ao invés de alguma página relacionada ao projeto. A instalação do Windows ocupa 1 GB da memória interna, deixando mais 1 GB disponível para arquivos e programas adicionais.

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Os quatro softwares adicionais dignos de nota são o e-Learning Class, o Parents Carefree, o Theft Control Center e o Note Taker.

O e-Leaning Class é um software destinado à integração com o professor. Desde que os Classmates estejam ligados em rede, o professor pode usar o software para enviar arquivos (apostilas, atividades, etc.) para os alunos, usar um sistema de chat e também usar uma função de controle-remoto (similar ao VNC) que permite que ele veja a tela do aluno, assuma o controle remotamente ou mesmo desative temporariamente os Classmates dos alunos, quando for iniciar uma explicação, por exemplo.

Nos projetos-piloto conduzidos aqui no Brasil (http://www.classmatepc.com/sharing-experiences.html), estas funções eram usadas pelos professores através de um UMPC:

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O Parents Carefree, é uma espécie de proxy local, que permite limitar o acesso à web, criando listas de sites proibidos (ou uma "lista branca", com endereços permitidos) e também loga as páginas acessadas pela criança. É similar ao que fazemos no Linux usando um proxy local com o Squid.

O Theft Control Center, um software "antifurto", que é baseado no uso de certificados digitais distribuídos via web. É necessário conectar periódicamente o notebook à web para baixar um certificado atualizado. Quando o prazo para a atualização do certificado está se esgotando ele passa a exibir um aviso que você deve conectar o Classmate à rede para abaixar a atualização:

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Cada notebook possui um código de identificação que é checado em relação a uma lista de notebooks roubados ou perdidos. Se o certificado não é atualizado dentro do prazo, ou se o notebook foi cadastrado na lista, o software pode travar o uso do sistema. A trava é feita em conjunto com uma rotina implantada no BIOS, de forma que o notebook passa a pedir uma senha de destravamento durante o boot.

Outro software interessante é o Note Taker. Ele é um software para anotações, que funciona em conjunto com um sensor e caneta (eles estão marcados como opcionais no datasheet, não tenho informações sobre o custo). O sensor é preso através de uma presilha no caderno ou bloco de papel e tudo o que você escreve ou desenha é transportado automaticamente para o software rodando no PC:

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A caneta funciona de uma forma bastante engenhosa. Um transmissor dentro da caneta detecta quando você pressiona a ponta contra o papel e envia um sinal que é captado pela base. Ela, por sua vez, usa um leitor infra-vermelho para acompanhar os movimentos da caneta sobre o papel e enviá-los ao software rodando no Classmate. O sensor na caneta faz com que os movimentos sejam enviados apenas quando você efetivamente escreve sobre o papel e o software seja aberto automaticamente quando você começa a escrever, o que torna o sistema bastante eficiente.

Pessoalmente achei o Note Taker bastante interessante do ponto de vista pedagógico, pois permite que os alunos continuem usando a escrita manual e possam organizar as notas e conteúdos copiados de uma forma prática dentro do PC, ao invés de passarem a usar apenas o teclado.

Apesar de ter achado o Note Taker interessante, achei o conjunto de softwares incluído por padrão bastante fraco. O principal, que é o projeto pedagógico, os aplicativos de ensino, e-books, sites educacionais, etc. acabariam ficando a cargo das escolas. Acredito que uma empresa do tamanho da Intel poderia fazer melhor, desenvolvendo projetos pedagógicos para o uso do Classmate, licenciando livros didáticos que poderiam ser fornecidos pré-instalados junto com o aparelho e assim por diante.

Um detalhe digno de nota é que estes 4 softwares possuem versão Linux, como divulgado no: http://www.classmatepc.com/classmatepc-system-software.html. O Theft Control e o Note Taker foram portados diretamente, pela própria Intel, enquanto o e-Learning Class e o Parents Carefree são substituídos por, respectivamente, o EduSyst Policy Control e o EduSyst Class Control, que oferecem funções similares.

Continuando, o principal problema em usar o Windows no Classmate é a questão da memória. Na unidade que recebi, o arquivo de troca do Windows veio desativado por padrão, de forma que o sistema dispõe apenas dos 256 MB de memória instalada. Como o chipset de vídeo usa de 8 MB a 128 MB memória compartilhada (o valor é definido dinamicamente de acordo com o uso), a quantidade de memória efetivamente disponível para o sistema é um pouco menor.

Sem o arquivo de troca, aplicativos que precisam de mais memória passam a ser fechados com erros diversos, o que limita um pouco o uso do sistema. O próprio Windows exibe periodicamente um aviso reclamando da falta do arquivo de paginação:

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Naturalmente, nada impede que você ative o arquivo de troca, deixando que o sistema use algum espaço do drive de memória Flash, mas isso reduz o espaço de armazenamento disponível e abre a possibilidade do grande volume de operações de leitura e escrita começarem a esgotar os ciclos de leitura e escrita das células de memória flash depois de alguns meses de uso.

Ao ativar o arquivo de troca (deixando que o Windows gerencie o tamanho), é criado um arquivo de troca de 256 MB. Como o e-Leaning Class, Parents Carefree e outros softwares são carregados por padrão junto com o sistema, o uso de memória é muito alto. Mesmo sem abrir nenhum programa adicional já temos 170 MB de memória swap usados e apenas mais 71 MB de memória física disponível:

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Este screenshot do relatório do Everest mostra um consumo ainda maior, com 212 MB de memória física e 211 MB de memória swap usados. A diferença entre os dois screenshots é que o Task Manager foi tirado após um boot limpo, enquanto o do Everest foi tirado depois de instalar e abrir o Everest:

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Para usar o Windows XP de forma confortável no Classmate, seria necessário utilizar 512 MB de memória física, permitindo que o sistema trabalhasse sem usar uma quantidade significativa de memória swap. Ao contrário de um desktop tradicional, onde temos bastante espaço disponível no HD, o espaço de armazenamento do Classmate é bastante limitado. Permitir que o Windows crie um arquivo de swap de 256 MB já sacrifica um quarto do 1 GB de espaço disponível para armazenamento, o que é bastante coisa.

Do ponto de vista técnico, também não vejo nenhum bom motivo para o uso do Windows. O Classmate é o melhor exemplo que posso imaginar para um aparelho onde o que importa são os aplicativos e não o sistema operacional.

O Windows XP é um sistema pesado para a configuração de hardware do Classmate, oferece poucas opções de personalização e representa um custo adicional, na forma de licenças. Uma distribuição Linux personalizada para o aparelho pode aproveitar melhor os recursos do hardware e incluir um número maior de aplicativos, com a vantagem de ser mais personalizável.

A equipe da Mandriva tem trabalhado em uma versão customizada para o Classmate, que parece bastante promissora. Temos ainda um sistema desenvolvido pela Metasys, que não tive oportunidade de experimentar. Não existe nenhum obstáculo técnico que impeça o uso de outras distribuições no Classmate, de forma que é apenas questão de outros grupos ou empresas aparecerem com soluções que melhor atendam o público alvo do projeto.

Aqui temos um exemplo, com o Classmate rodando uma instalação padrão do Kurumin 7, acessando através da rede wireless e exibindo um vídeo da BBC via streaming:

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Na segunda parte da análise falarei mais sobre os componentes internos e também sobre como instalar Linux no Classmate o que, como pode imaginar tem suas peculiaridades.

Confira a segunda parte em: http://www.hardware.com.br/analises/intel-classmate-parte2/


2 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 16 de outubro de 2007 às 12h57

Comentários

Dúvida
por Robson (anônimo) em 8 de fevereiro de 2012 às 18h10
Olá gostei da matéria e estou com um em maos e gostaria de saber como instalo o sistema operacional nele

aki vai meu e-mail para resposta: robson.r3@hotmail.com
Como Instalar windows XP em notbook classmate cm52c
por Alex (anônimo) em 20 de setembro de 2011 às 16h51
estou usando uma gravadora usb com cd windows xp profissionaL
DA o boot mas quando começa copiar os arquivo da erro de disco
preciso de ajuda