Considerações finais

Nós amamos interfaces gráficas. Geralmente elas são tudo que um usuário médio de sistemas proprietários como o Windows precisa. Os sistemas Unix são bem diferentes. Antes que as interfaces gráficas predominassem, os administradores de sistemas (e usuários desktop também) dependiam apenas da linha de comando para fazer suas configurações, e levavam um tempo enorme para dominar essa arte.

O crescente uso e popularidade do GNU/Linux vem educando as pessoas quanto à sua arquitetura superior, maior segurança e arquivos de configuração relativamente simples. Também é fato que a ampla disponibilidade de front-ends gráficos trouxe uma nova leva de usuários, que se sentem tão em casa no Linux quanto no Windows. No entanto, a crítica que se costuma fazer é a de que, por melhores e mais avançadas que elas possam ser, elas jamais poderão emular o nível de controle oferecido pela linha de comando. A afirmação tem um fundo de verdade.

A interface gráfica do Webmin vem desafiar a afirmação. Embora você vá acabar descobrindo que certos módulos não vão funcionar, já que as distros não chegam a um denominador comum quanto à localização dos arquivos de configuração, o Webmin é um dos programas mais ricos em recursos que você já usou. Cada módulo está entupido de recursos e no momento já existem 113 deles, sem falar nos módulos de terceiros. Pelo visto, o Webmin só não serve o cafezinho, mas eu não me espantaria se encontrasse um módulo que cuidasse disso também. Tenho esperanças de que quando a LSB (Linux Standard Base) for adotada o problema será resolvido. Este artigo não tem como fazer jus ao vasto território coberto pelo Webmin. Para você ter uma idéia, se você não gostar dos títulos dos módulos, existe até um módulo que permite mudar os nomes para outros que façam mais sentido para você. Isso é o que eu chamo de customização.

Ainda que tenha sido desenvolvido principalmente para máquinas remotas em LANs e WANs, o Webmin serve perfeitamente a usuários que queiram configurar várias máquinas não conectadas rodando distros diferentes sem a necessidade de lembrar da multiplicidade de caminhos de arquivos e comandos. Nada disso livra o usuário de ter que dominar a linha de comando do GNU/Linux. O Webmin não é para novatos. Pôr o Webmin nas mãos de um novato sem o conhecimento obtido a duras penas seria como dar um lança-chamas a um piromaníaco durante um vazamento em uma refinaria de petróleo. Sem as habilidades e o conhecimento exigidos, o uso prematuro e indiscriminado do Webmin o tornaria tão perigoso quanto o piromaníaco na refinaria.

Sendo assim, quando você tiver as habilidades de administração de sistema adequadas na linha de comando, pode se dar ao luxo de relaxar um pouco com a praticidade do Webmin. Depois, a melhor coisa que você pode fazer é dar uma boa lida em um ótimo livro sobre o Webmin – e de graça, cortesia da série de livro abertos de Bruce Perens. Aponte o navegador para o PDF. Ele foi escrito por Jamie Cameron – e ele deve conhecer uns dois ou três truques interessantes. Afinal, ele foi o principal programador do Webmin.

Créditos a Gary Richmond – freesoftwaremagazine.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>

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