Versões comerciais: CrossOver, Bordeaux e Cedega

Assim como em outros casos, o desenvolvimento do Wine deu origem também a alguns projetos comerciais, que oferecem interfaces fáceis de usar e são compatíveis com alguns softwares adicionais. A principal função deles é oferecer versões “suportadas” do Wine, onde a compatibilidade com alguns aplicativos específicos seja mais ou menos garantida.

O projeto mais tradicional é o CrossOver Office da CodeWeavers. Ele surgiu com o objetivo de facilitar o uso do Microsoft Office sob o Wine e a partir daí foi gradualmente expandido, ganhando também suporte a várias versões do Photoshop, Microsoft Visio, Quicken e outros. Ele está disponível (US$ 39, com trial de 30 dias) no http://www.codeweavers.com/products/cxlinux/.

O pacote é distribuído na forma de um arquivo executável, que você precisa apenas executar como root para instalar, como em:

# chmod +x ./install-crossover-standard-demo-7.1.0.sh
# ./install-crossover-standard-demo-7.1.0.sh

A partir daí, basta abrir a interface e instalar os aplicativos disponíveis na lista, fornecendo os CDs de instalação conforme solicitado. É possível também instalar outros aplicativos, marcando a opção “Instalar software não suportado”, mas nesse caso a compatibilidade não é muito diferente da oferecida pelo Wine regular.

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Em resumo, o CrossOver Office pode ser uma opção em casos específicos, onde você precisa de um dos softwares incluídos na lista de compatibilidade e não teve sucesso em rodá-lo sobre o Wine puro. Apesar da interface ser simples e fácil de usar, o CrossOver não oferece grandes vantagens em relação ao Wine para os aplicativos não listados, por isso não é muito interessante para rodar aplicativos diversos.

Mais recentemente foi lançado também o CrossOver Games, que oferece uma interface para a instalação de jogos 3D, similar ao PlayOnLinux e ao Cedega.

Em seguida temos o Bordeaux (http://bordeauxgroup.com/) outro projeto comercial, que oferece suporte a um conjunto limitado de aplicativos, incluindo o Office 2007, Visio 2003, Photoshop CS2, Trillian e jogos baseados no Steam, além de oferecer uma interface simplificada para instalar outros aplicativos suportados pelo Wine.

Embora a interface seja proprietária, os scripts, DLLs e outros componentes incluídos no pacote são open-source, o que contribui no desenvolvimento do Wine e de outros softwares. Muitas das funções disponíveis no Winetricks, por exemplo, vieram justamente do trabalho no Bordeaux. A principal vantagem dele em relação ao CrossOver Office é o preço, já que custa apenas US$ 20.

Finalmente, temos o Cedega (http://transgaming.com), outro projeto bastante antigo, desenvolvido com o objetivo de oferecer suporte aprimorado a jogos 3D. Ele é distribuído em um sistema de assinatura, onde você paga US$ 45 por uma assinatura de 12 meses e pode baixar todas as novas versões que forem disponibilizadas durante o período em que for assinante.

Depois de instalado, abra o programa usando o comando “cedega” ou o ícone do menu. Nas versões recentes (a partir do 5.0) os games são instalados e abertos usando uma interface que inclui opções para montar o CD e instalar. A partir do 5.2 foi incluído um banco de dados, que permite ao Cedega usar automaticamente as melhores opções de configuração para cada jogo, baixando as informações a partir de uma base de dados atualizada com frequência:

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A principal crítica com relação ao Cedega é o fato de ele ser um aplicativo inteiramente fechado, que simplesmente obtém código do Wine, sem contribuir de volta, nem disponibilizar as modificações.

Foi justamente essa atitude predatória que levou a equipe do Wine a substituir a licença MIT (mais liberal) pela licença LGPL em 2002. Assim como no caso dos softwares disponibilizados sob a GPL, o uso da LGPL torna necessário que os desenvolvedores de versões modificadas disponibilizem as modificações.

A principal diferença entre as duas licenças é que a LGPL permite que o Wine seja usado para portar softwares proprietários, como no caso do Google Picasa, enquanto a GPL exige que trabalhos derivados tenham o código aberto e sejam disponibilizados sob a mesma licença.

A mudança fez com que o Cedega se tornasse um fork da última versão do Wine disponibilizada sob a licença MIT (em 2002), sem poder incorporar as melhorias incluídas desde então. Isso fez com que a lista de jogos suportados pelo Wine (e pelo CrossOver Games, que é baseado nas versões atuais do Wine) passasse a divergir, com o Wine passando a suportar um número cada vez maior de jogos que não são suportados no Cedega.

Veja também:

Alterando o visual do Wine

Dicas para uso do Wine

IEs4Linux: instalando o Internet Explorer facilmente no Linux

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