Usando o VMware

Usando o VMware

O VMWare é um software realmente fantástico, do tipo que realmente vale à pena testar. Ele cria máquinas virtuais que simulam um PC completo dentro de uma janela (ou em tela cheia), permitindo instalar praticamente qualquer sistema operacional para a plataforma x86. É possível até mesmo abrir várias máquinas virtuais simultâneamente e rodar lado a lado várias versões do Linux e Windows, BeOS, DOS e o que mais você tiver em mãos. A página oficial é a: http://www.vmware.com.

No screenshot abaixo por exemplo estou rodando três seções do VMWare sobre o Mandrake 9.0 (o sistema host), uma com o Windows 2000 outra com o Windows 98 e a última com o Kurumin:
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O conceito das máquinas virtuais é bastante interessante. Cada máquina virtual trabalha como um PC completo, com direito até a BIOS e configuração do Setup. Dispositivos como o CD-ROM e drive de disquetes podem ser compartilhados entre as máquinas virtuais e o sistema host, em alguns casos até mesmo simultâneamente (um CD no drive pode ser acessado em todos os sistemas).

Os arquivos são armazenados em “discos virtuais” que aparecem como arquivos dentro da pasta do VMWare no sistema host e cada sistema operacional pode ter uma configuração de rede distinta, com seu próprio endereço IP e tudo mais. As máquinas virtuais ficam acessíveis na rede, como se fossem realmente PCs completos, permitindo que você rode um servidor Web ou um programa P2P dentro de uma máquina virtual, sem comprometer a segurança do seu sistema principal.

É muito útil para estudar sobre a integração de rede entre vários sistemas operacionais. Você pode simular uma rede com várias versões do Linux e Windows com um único micro.

Existem versões do VMWare para Linux e Windows, ambas com a mesma funcionalidade e recursos. Só a instalação que muda um pouco.

Baixando

O VMWare é um produto comercial, destinado principalmente a servidores. Ele é muito usado em provedores de acesso que podem rodar várias máquinas virtuais dentro de um mesmo servidor e assim oferecer hosts “semi-dedicados” a um custo bem mais baixos que o de servidores realmente exclusivos. O cliente continua tendo acesso completo a seu “servidor” apenas o desempenho pode ser menor, de acordo com o número de máquinas virtuais por host.

Outro uso comum é na área de help-desk, onde os analistas podem manter vários sistemas operacionais instalados, ou várias instâncias do mesmo sistema operacional com configurações diferentes.

O VMWare Workstation, que é a versão mais barata, destinada ao uso em desktop custa US$ 299 via download, enquanto as versões para servidores custam acima dos 3000. É o tipo do software que você compra apenas para uso profissional e mesmo assim pensando cinco vezes antes 🙂

Mesmo assim, você pode usar a versão de evaluação que expira em 30 dias. Na verdade, existe uma única versão que pode ser baixada no site, o que muda é apenas a chave de registro. Depois dos trinta dias o programa para de funcionar e você precisa inserir a chave definitiva, ou então reinstalá-lo e usar outra chave trial.

Não há necessidade de ser desonesto pois as chaves de evaluação são fornecidas para qualquer um, basta se registrar no site. Se a sua chave de registro expirar você pode pedir para o seu sócio(a), tio, sogro, amigo, primo, cunhado, etc. Assim pelo menos você os ajuda a aumentar o cadastro de clientes e pode usar o software até dominar seus recursos e finalmente comprá-lo quando for começar a usá-lo profissionalmente. O cadastro pede poucos dados, apenas nome, empresa, e-mail, país, estado e um telefone de contato.

Os links para os arquivos de instalação e para obter a chave de evaluação estão no:

http://www.vmware.com/download

A chave é enviada para o e-mail de registro e o pacote de instalação tem 12 MB.

Instalando

Apesar de ser em modo texto, a instalação do VMware é bastante simples, quase automática. O script faz várias perguntas, permitindo que você mude os diretórios de instalação, desabilite o compartilhamento de arquivos entre o sistema host e as máquinas virtuais e assim por diante, mas basta responder “sim” em todas as perguntas para que tudo seja configurado satisfatóriamente.

O primeiro passo é descompactar o arquivo .tar.gz baixado. Será criada uma pasta “vmware-distrib”. Basta abrí-la e chamar o instalador com o comando (como root):

# ./vmware-install.pl

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Num certo ponto da instalação o programa tentará compilar um módulo para o Kernel instalado na sua máquina. Este módulo é essencial para o funcionamento do VMware, mas para instalá-lo você precisará ter instalados os pacotes de desenvolvimento da sua distribuição, além dos pacotes kernel-sources e kernel-headers (geralmente incluídos nos pacotes de desenvolvimento).

Se você tiver tudo instalado basta ir pressionando enter que o instalador será capaz de encontrar sozinho o que precisa. Caso contrário procure os pacotes nos CDs da distribuição e tente novamente. Lembre-se que os pacotes kernel-sources e kernel-headers devem ser obrigatoriamente os pacotes da distribuição que você está usando. É através deles que o instalador pode compilar um módulo que funcione no Kernel da sua máquina sem precisar recompilar todo o Kernel.

As perguntas iniciais pedem apenas que você confirme os diretórios onde os arquivos serão instalados. Não há necessidade de alterar nada, basta ir aceitando o que ele sugerir:
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Depois vem o contrato de licença de praxe. Ele é exibido na própria janela do terminal, use a barra de espaço para avançar o texto:
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Em seguida vem a compilação e instalação do módulo do Kernel. Novamente basta ir dando enter para que ele prossiga. Demora alguns poucos segundos.

As opções finais configuram os recursos de rede para as máquinas virtuais.

Responda “Yes” (o default) para as perguntas “Do you want networking for your Virtual Machines” (para ativar o suporte a rede) e “Do you want this script to probe for an unused private network” (para que ele encontre uma faixa de endereços IP vaga para as conexões de rede virtuais entre o host e as máquinas virtuais) e “No” (novamente o default) para a pergunta “Do you want to be able to use host-only networking in your Virtual Machines” (que faz com que as máquinas virtuais comuniquem-se apenas com o sistema host, e não com os outros micros da rede).
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Pense com um pouco mais de calma na opção “Do you want this script to automaticaly configure your system to allow your Virtual Machines to access the host filesystem?”.

Esta opção é pratica, pois permite que você acesse os arquivos do HD dentro das máquinas virtuais, como se fosse um compartilhamento de rede, mas por outro lado abre a possibilidade de vírus e outros programas maliciosos instalados na máquina virtual danifiquem seus arquivos de trabalho. É algo a se pensar com um pouco de calma se você vai rodar o Windows 98 por exemplo. Lembre-se que de que mesmo desativando este recurso você poderá trocar arquivos entre os sistemas através de um servidor FTP, ou outro sistema de compartilhamento de arquivos qualquer. Também é possível usar disquetes e CD-ROMs.

Caso você responda que sim, o instalador configura um servidor Samba para ativar o compartilhamento dos arquivos. Este servidor fica disponível apenas para as máquinas virtuais, por isso não deve representar uma brecha de segurança.

Ele vai pedir um login e senha válidos na sua máquina Linux que serão usados pelas máquinas virtuais para ter acesso aos arquivos.
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Pronto, a instalação foi concluída. Agora basta chamar o vmware com o comando:

$ vmware

… que deve ser dado com seu login de usuário. O root é necessário apenas para a instalação.

Criando máquinas virtuais

Depois de instalado a configuração do VMware é bastante simples. O primeiro passo é inserir sua chave de registro. Os dados não são enviados via Web, a chave é checada apenas localmente pelo próprio programa, nada intrusivo.
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Em seguida será aberto um assistente de configuração para a criação da sua primeira máquina virtual. Como disse, as máquinas virtuais nada mais são do que arquivos dentro do VMware, que podem ser facilmente transportados de uma máquina para a outra, por isso o assistente lhe dá também a opção de abrir uma configuração já existente:
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O Wizzard fica acessível em File > Wizzard na tela principal do VMware. Como disse, você pode criar quantas máquinas virtuais quiser. O Wizzard permite configurar os recursos de que cada uma irá dispor e sua ligação com a rede.
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A primeira pergunta é sobre qual sistema operacional você pretende rodar na máquina virtual. Sua escolha determina a quantidade de memória RAM que a máquina virtual poderá utilizar e ativa algumas otimizações específicas para cada sistema. Apesar disso você pode rodar perfeitamente o Linux numa máquina virtual criada para o Windows 98 por exemplo, a opção apenas ativa algumas otimizações, não o prende ao escolhido.

O default para o Windows 3.11 são 16 MB de RAM, enquanto o Windows 95 e 98 recebem respectivamente 64 e 96 MB. O Windows 200 Professional, Linux e FreeBSD ganham 128 a 256 MB, de acordo com a quantidade de RAM disponível no seu PC, mas isso pode ser alterado mais tarde, como veremos a seguir.

A configuração da memória é a configuração mais importante do ponto de vista do desempenho. Se o seu micro tiver pouca RAM, menos de 256 MB, então não adianta reservar muita memória para a máquina virtual caso contrário ela vai roubar toda a memória do seu sistema principal, deixando-o bastante lento.

Por outro lado, ao reservar pouca memória para a máquina virtual o sistema convidado é que ficará lento, pois ele tem que fazer memória virtual dentro do arquivo virtual onde é instalado, com um desempenho ruim.

Chegamos ao primeiro mandamento do VMware: é preciso uma quantidade generosa de memória RAM, sobretudo se você pretende rodar várias máquinas virtuais ao mesmo tempo. O ideal é ter 384 MB ou mais. Um belo pente de 512 MB também não seria nada mal 🙂

O VMware precisa de mais 16 MB de memória para cada máquina virtual, para buffers, cache de disco e o código do próprio programa. Isso significa que ao reservar 128 MB para o Windows 200 Professional por exemplo você terá ocupados um total de 144 MB. Se você tem 256 MB, então sobrarão apenas 112 MB para o seu sistema principal.
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Na próxima opção basta confirmar o nome de exibição sistema e o diretório onde os arquivos referentes a ele ficarão armazenados. Caso você crie mais máquinas virtuais, eles devem obrigatoriamente ficar em diretórios diferentes.
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Agora vem outra opção importante que é determinar onde o sistema será instalado. Você tem a opção de criar um disco virtual, usar um arquivo de disco virtual já existente (copiado de outra máquina por exemplo) ou usar uma partição livre no HD.

Usar um disco virtual é muito mais prático e aproveita melhor o espaço do HD, pois o arquivo cresce conforme são gravados dados, usando apenas o espaço realmente ocupado. Você pode criar um disco virtual de 4 GB por exemplo, mas se o sistema convidado ocupar apenas 500 MB, então o arquivo terá apenas 500 MB. O tamanho do disco virtual (determinado na opção seguinte) é apenas um limite.
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O problema com os discos virtuais é que o desempenho de acesso a disco dentro do sistema convidado é menor do que ao usar uma partição real, principalmente o acesso à memória swap. Eu sugiro que você comece usando um disco virtual e considere usar uma partição separada apenas se achar que realmente precisa de mais desempenho.

O VMware também é capaz de automaticamente mapear o CD-ROM e drive de disquete, disponibilizando-os para todas as máquinas virtuais. Isto é transparente. Você coloca o CD no drive, monta (se necessário) e ele fica disponível para o sistema convidado. O VMware suporta inclusive boot através do CD-ROM (mesmo se a sua placa mãe não suporta este recurso) permitindo instalar facilmente qualquer sistema.
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Naturalmente você também pode desativar o suporte a CD-ROM e Floppy, caso você não queira usa-os na máquina virtual.
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A última pergunta é sobre como a máquina virtual irá se conectar à rede. Como disse no início, o VMware simula um PC completo, o que permite conecta-lo à sua rede local como se fosse realmente um novo PC ou liga-lo diretamente ao seu sistema principal através de uma rede virtual, que permite compartilhar arquivos e a conexão com a Web.
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Explicando as opções:

  • No Networking: Sem rede. Você pode instalar o sistema normalmente, instalar programas, etc. Mas a única forma de conexão do sistema instalado na máquina virtual serão disquetes e CD-ROMs.
  • Bridged Network: A máquina virtual acessa diretamente a sua rede local, como se tivesse sua própria placa de rede. Você pode inclusive instalar um servidor Web e disponibilizá-lo dentro da sua rede local ou mesmo para a internet. O sistema convidado tem seu próprio endereço IP e suas próprias configurações de rede, tudo isolado do sistema host.
  • Host-only network: Esta opção simula uma ligação direta entre o sistema host e o convidado, como se eles estivessem ligados através de um cabo cross-over ou um cabo paralelo. É possível compartilhar arquivos entre os dois sistemas mas o sistema convidado não acessa diretamente a rede local. Note que para o sistema convidado ter acesso aos arquivos do sistema host é preciso que você tenha ativado a opção durante a instalação do WMware. O default durante a instalação é “Yes”, se você simplesmente deu “Enter” em todas as perguntas então o suporte deverá estar ativo.
  • Bridged and host-only networking: Esta opção combina as duas anteriores. Existe um link exclusivo entre o host e o convidado, mas ao mesmo tempo o convidado acessa diretamente a rede local ou a internet. É como se os dois tivessem cada um duas placas de rede, uma interligando-os e outra ligando-os á rede local.
  • NAT: Esta opção é semelhante à host-only Networking, mas agora o sistema convidado também acessa a internet compartilhando o endereço IP do sistema host, como se você estivesse compartilhando a conexão entre os dois.

Esta é a opção mais simples para simplesmente acessar a Web nos dois sistemas, pois o WMware cuida de tudo. Não importa se você se conecta via modem ou banda-larga. Basta configurar o sistema host para obter um IP automaticamente.

Por default o VMware se instala na pasta vmware, dentro do seu diretório de usuário. Dentro da pasta ficam as pastas das máquinas virtuais.

Dentro de cada uma você encontrará um arquivo .cfg que contém a configuração da máquina virtual, alterando por exemplo a quantidade de memória RAM reservada para ela.
temp_html_m6ded7fdSeguindo a tradição Unix, este é um arquivo simples de texto, que pode ser editado facilmente. A memória RAM vai na opção “memsize = 128“, basta alterar o número para o desejado e salvar o arquivo:
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Com tudo configurado basta voltar à tela principal do WMware e pressionar o botão “Power On” para começar a brincadeira 🙂
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O VMware possui inclusive um BIOS próprio, com Setup e tudo mais. Tudo rodando dentro da janela do VMware.
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Ao tentar inicializar o sistema pela primeira vez você receberá uma mensagem como esta:
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O VMware não faz tudo sozinho 🙂 Antes de usa-lo é preciso instalar o sistema operacional, usando um CD-ROM ou disquete de boot. Podemos começar instalando o Windows 98. Por sorte tenho um CD com uma daquelas versões beta que expiram em 60 dias que posso instalar legalmente.

Começamos a via sacra de sempre, criar o disquete de boot, formatar o HD, rodar scandisk… A vantagem de usar o VMware é que você não precisa reiniciar a máquina durante a instalação, basta reiniciar a máquina virtual do Windows.

Veja que o Windows reconhece o disco virtual do VMware como se fosse um HD real, com o limite de 2 GB da FAT 16 e tudo mais. Ele formata, roda scandisk, etc. A simulação é mesmo perfeita.
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O WMware também não tem problemas com os programas gráficos de instalação, tanto do Windows quanto das distribuições Linux. Existem poucas excessões e mesmo assim quase sempre contornáveis. Para abrir o programa de instalação do Mandrake 9.0 por exemplo você precisa selecionar a opção “vgalo” (VGA padrão) no início da instalação.
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O Windows detecta o vídeo do WMware como uma placa VGA padrão, colocando o vídeo a 640×480 com 16 cores. Não adianta tentar instalar o driver da sua placa de vídeo pois ele não funcionará.
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O Windows não tem acesso direto ao hardware da máquina (caso contrário você começaria a ver telas azuis também no Linux… :-). No lugar disso o VMware cria dispositivos virtuais, que possuem drivers específicos.

Para instalá-los acesse o menu Settings > VMware Tools Install:
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Imediatamente é aberto um programa de instalação na janela do Windows que instala os drivers necessários. Como tem o controle da situação, o VMware pode “interferir” no sistema convidado, simulando a inserção de um CD-ROM.
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O VMware tools vale para todas as versões do Windows, do 95 ao XP. Testei também no Windows 2000 Professional onde ele funcionou da mesma forma:
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Abrindo o gerenciador de dispositivos do Windows você verá que os dispositivos detectados são diferentes dos realmente instalados na sua máquina. O vídeo é detectado como “VMware SVGA II”, a placa de rede como uma “AMD PCNET” e assim por diante:
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O VMware tools é necessário apenas no Windows. Todas as distribuições Linux atuais já possuem os drivers necessários, inclusive para o vídeo, reconhecido como uma placa de vídeo compatível com o padrão VESA. O Xfree 4.3 em diante inclui até um driver específico para o VMware, com suporte a aceleração de vídeo e tudo mais.

No screenshot abaixo estou rodando o Kurumin, dando boot diretamente através do CD. Nem precisei criar outra máquina virtual, ele roda na mesma VM onde instalei o Windows 2K sem problemas:
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Seja no Windows ou no Linux o vídeo do VMware é um pouco lento, demora alguns centésimos de segundo para atualizar a tela depois de um click do mouse. Não chega a atrapalhar muito, mas é perceptível. Outra deficiência é que o VMware não suporta as chamadas do DirectX (no Windows) o que o impede de rodar a maioria dos games. O VMware foi feito pensando nos aplicativos mais “sérios”.

Na janela do VMware você verá botões para desligar e reiniciar a máquina virtual. Temos também um botão “Full Screen”, que faz com que a máquina virtual assuma o controle do vídeo e passe a rodar em tela cheia, tornando a simulação mais perfeita. Você pode voltar ao modo janela a qualquer momento pressionando “Ctrl + Alt”.

Temos ainda um botão para suspender a máquina virtual, onde o conteúdo da memória RAM é copiado para um arquivo no HD, permitindo voltar ao mesmo ponto mesmo ao desligar o VMware. Funciona da mesma forma que o hibernar do Windows, mas é implantado diretamente pelo VMware, permitindo que o recurso seja usado em qualquer sistema operacional.
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Mais opções

O VMware inclui algumas opções bastante interessantes, como por exemplo usar um arquivo .ISO ou .IMG com a imagem de um CD-ROM ou disquete no lugar do dispositivo real. Isso permite que você instale a última versão da sua distribuição Linux favorita sem ter nem mesmo um gravador ou CD-ROM.

Para isso, volte à tela principal do VMware (desligue as máquinas virtuais que estiverem rodando) e acesse a opção Settings > Configuration Editor:
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Aqui estão as opções para máquina virtual. Estas opções também podem ser alteradas através do arquivo de configuração que vimos no início, mas naturalmente este utilitário facilita bastante as coisas.

A mudança mais corriqueira é alterar a quantidade de memória RAM destinada à memória virtual. Você pode alterar a qualquer hora e conforme a necessidade, reservando menos memória quando for usar mais de uma VM ao mesmo tempo. A alteração é transparente para o sistema guest, é como se você abrisse o micro e removesse um dos pentes de memória. A única restrição é que é preciso desligar a máquina virtual antes de fazer qualquer alteração aqui.
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Durante a criação da máquina virtual foi criado um único disco virtual, que não pode ter seu tamanho alterado sem perda dos dados. Caso você precise de mais espaço, basta criar um novo disco.

O VMware suporta o uso de 4 discos virtuais IDE e mais 7 discos virtuais SCSI. O que muda é apenas a forma como estes dispositivos serão detectados pelo sistema guest, já que de qualquer forma os discos virtuais são arquivos dentro da pasta do VMware.

Basta escolher a opção “Virtual disk“, escolher o tamanho máximo e em seguida clicar no botão “Install“. :
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Além de criar discos virtuais, é possível usar uma partição do HD (opção “Raw Disk”). Neste caso a máquina virtual ganha acesso direto à partição e pode criar e deletar arquivos. Não é preciso reformatar a partição para usa-la como Raw Disk, mas isso pode ser perigoso ao rodar o Windows por exemplo, já que os vírus passarão a ter acesso direto ao seu HD.

Outro ponto delicado é se você tiver um sistema operacional instalado na partição (em dual boot com o titular) e quiser rodá-lo dentro do VMware. Embora isso seja possível, dentro do VMware o sistema terá que lidar com dispositivos diferentes dos que realmente estão instalados na sua máquina. Ou seja, você precisará reconfigurar o sistema, como se tivesse levado o HD para outra máquina.
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Além de adicionar discos virtuais e partições você pode adicionar drives de CD. Existem duas opções neste caso. A opção “CD-ROM” faz com que o VMware acesse o CD como se fosse um outro programa qualquer. Você precisa colocar o CD na bandeja e montá-lo no Linux para só então ter acesso a ele dentro do VMware.

O modo “CD-ROM (raw access)” por sua faz com que o VMware tente acessar diretamente o CD-ROM.

Finalmente, temos a opção “CD-ROM Image” que permite montar um arquivo ISO. Isso mesmo, basta apontar a localização do arquivo e o VMware fará o sistema host pensar que está acessando um CD-ROM de verdade :-). Isso permite que você teste novas versões das distribuições além de outros sistemas operacionais sem precisar queimar o CD.

Para que o VMware passe a dar boot através do CD-ROM virtual, basta acessar o Setup (o do VMware, que aparece ao ligar a máquina virtual) e configura-lo para dar boot através do dispositivo criado. Não esqueça de marcar a opção “Start Connected”
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Temos mais duas opções que se aplicam aos discos virtuais e partições que são os modos “Undoable” e “Nonpersistent“.

O modo “Undoable” (undo= reverter, able=capaz de) faz com que o VMware armazene todas as alterações feitas nos arquivos num log, ao invés de alterar os dados realmente. Cada vez que você desliga ou reinicia a máquina virtual, é dada a opção de aplicar ou descartar as alterações feitas na seção anterior. Este modo é bom para testar novos programas e fuçar nas configurações dentro da máquina virtual, sem o perigo de detonar o sistema e ter que reinstalar tudo de novo.

A opção “Nonpersistent” é semelhante, mas agora todas as alterações são descartadas ao desligar a máquina virtual. Esta opção é útil para treinamentos por exemplo, pois a máquina virtual estará sempre configurada do mesmo jeito, como se o sistema estivesse rodando através de um CD-ROM.
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Mais abaixo temos a configuração dos drives de disquete, onde também é possível acessar um dispositivo real ou uma imagem de um disquete de 1.44. É útil para testar disquetes de boot:

O VMware é capaz de similar a existência de várias placas de rede dentro da máquina virtual, mesmo que o seu PC tenha uma única placa de rede. Isto é feito através do uso de endereços IP virtuais, um recurso suportado pelo Linux, Windows e vários outros sistemas operacionais.

Digamos que você esteja rodando o Mandrake 9.1 no seu PC (que tem uma única placa de rede), usando o endereço 192.168.0.1. Você pode instalar o Windows 2000 dentro do VMware e configurá-lo para usar duas placas de rede em modo Bridged, usando os endereços 192.168.0.2 e 192.168.0.3. Se você for em qualquer outro PC da rede vai perceber que os três endereços IP realmente estão disponíveis, como se fossem PCs separados!

O que acontece neste caso é que o VMware cria dois endereço IP virtuais, que apontam para a máquina virtual. Ao chegar qualquer pacote para o endereço 192.168.0.2 ou 192.168.0.3 o Mandrake 9.1 vai receber o pacote e o direcionar diretamente para o VMware, que se encarregará de despachá-lo para o Windows 2000.

A mesma placa de rede passa a escutar nos três endereços, mas graças à simulação, o Windows acha que tem duas placas de rede só para ele. Você pode ter um número muito grande de máquinas virtuais rodando no mesmo micro, cada uma com até três endereços IPs válidos. Ou seja, você pode simular uma rede inteira usando um único PC.

Durante a criação da máquina virtual já tivemos a oportunidade de criar uma conexão de rede, aqui você pode criar as duas conexões restantes, ou alterar as configurações da atual:
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Ao instalar o VMware você perceberá que nenhuma das máquinas virtuais será capaz de usar a placa de som. Embora às vezes seja um pouco problemático dividir a mesma placa de som entre o seu sistema host e as máquinas virtuais, o VMware oferece este recurso na aba Sound:
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Basta ativar a opção “Present” e marcar a opção “Start Connected”. A placa de som é reconhecida dentro da máquina virtual como uma placa de som Sound Blaster 16 não plug-and-play usando o IRQ 5, DMA 1 e 5, IO 0x220 (os endereços padrão).

No Windows você deve ir no Adicionar novo hardware e deixar que ele procure a placa. No Linux você pode usar o sndconfig ou então ativar a placa manualmente através do comando:

# modprobe sb io=0x220 irq=5 dma=1 dma16=5 mpu_io=0x330

(funciona em todas as distribuições)

O VMware passa a compartilhar o uso da placa de som com os demais programas. Caso você esteja utilizando uma placa de som PC que suporte vários fluxos de áudio simultâneos os sons saem misturados.

Finalmente, a aba “Misc” permite configurar mais algumas opções diversas. Aqui você pode mudar a configuração inicial de qual sistema operacional está sendo usado (permitindo ao VMware ativar as otimizações para ele) e também mudar o nome de exibição.

Baixo está a “Switch to full screen at every power on” que é útil caso você esteja usando a mesma resolução de tela no sistema Host e no convidado. Lembre-se que o VMware não permite que o convidado use uma resolução mais alta que a do host. Se você quer usar 1280×1024 no convidado, vai ter que primeiro mudar a resolução para 1028×1024 (ou mais) no sistema host.
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Desempenho

O VMware não é um emulador, ele apenas “marcara” as chamadas feitas pelas máquinas virtuais, de modo que elas possam ser executadas pelo sistema host. O convidado acha que está acessando um HD de verdade, enquanto o host apenas lê dados dentro do arquivo do disco virtual, o convidado envia dados através da sua placa de rede virtual e o VMware faz o host pensar que é apenas mais um programa enviando dados pela rede e assim por diante.

Graças a isto o desempenho dentro da máquina virtual (desde que não sejam executadas outras tarefas simultâneamente) é em geral de 70 a 90% do desempenho real proporcionado pelo processador. O overhead do mascaramento das chamadas é relativamente pequeno.

Isto é percebido ao instalar servidores dentro de seções do VMware e ao rodar benchmarks.

Entretanto, o VMware possui dois pontos fracos que fazem o desempenho em algumas tarefas ser bem menor.

O primeiro deles é o desempenho do vídeo. O VMware utiliza um driver Vesa, com poucos recursos de atualização e que exige um duplo processamento (a imagem precisa ser montada no sistema convidado e depois montada e exibida novamente pelo sistema host). Isto faz com que a atualização de tela não seja completamente transparente, deixando a impressão de estar usando um micro bem mais lento.

Isto também atrapalha em tarefas que fazem uso intensivo do vídeo. É até possível assistir um Divx ou DVD por exemplo, mas a menos que você tenha um processador muito rápido a imagem ficará falhada.

No screenshot abaixo eu estou usando o Kurumin 1.1 para assistir um divx dentro da janela do VMware. Eu consigo assistir este mesmo perfeitamente divx com o Kurumin rodando no meu Pentium II 266, sem falhas perceptíveis. Mas, no VMware eu tenho falhas na atualização da imagem e som nas cenas mais movimentadas mesmo no meu Athlon XP 1600+.
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O desempenho do vídeo está sendo melhorado no VMware 4, que será lançado em algum ponto do segundo semestre de 2003. Prometeram ainda suporte parcial às chamadas do Direct-X, o que permitirá rodar alguns jogos.

O segundo ponto, mais difícil de resolver é o desempenho do acesso a disco caso seja usado um disco virtual, que causa uma perda de desempenho de até 70%, retardando bastante algumas tarefas.

Este segundo problema pode ser amenizado caso você utilize uma partição separada ao invés de um disco virtual.

De qualquer forma, apesar destas limitações o VMware é uma ferramenta extremamente útil no dia a dia. Ele permite eliminar a barreira do sistema operacional, permitindo que você use os programas que quiser, independente do sistema operacional para o qual foram escritos. Isso facilita enormemente migração para o Linux (ou para o BSD, ou outro sistema x86 que você tenha interesse) pois permite que você continue usando os aplicativos a que está acostumado até que encontre substitutos nativos à altura.

As máquinas virtuais também derrubam as barreiras contra novos sistemas operacionais, pois você pode rodar o que quiser dentro de uma máquina virtual, sem nem mesmo precisar reinicializar seu sistema host 🙂

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