Usando o PackageKit

Usando o PackageKit

Instalar, atualizar, remover ou gerenciar pacotes do Fedora até hoje era uma tarefa que basicamente só havia dois meios de se executar: através do utilitário yum, que é usado via terminal, ou seja, através de comandos e mais comandos, ou através do utilitário Yumex, que depois de instalado manualmente, oferece uma integrada e ótima interface de utilização do Yum. Essa história se repete em todas as outras distribuições, que possuem normalmente um utilitário gráfico específico para ela e obrigatoriamente um gerenciador via linha de comando. Isso acabou sendo mais um motivo de confusão para os usuários iniciantes, que acabam se perdendo no gerenciamento de pacotes por ser diferente em cada distribuição.

A partir do Fedora 9, um aplicativo desenvolvido pelo time do PackageKit integrou o conjunto de pacotes padrão da instalação, e outras distribuições estão aderindo ao projeto aos poucos, tornando-o parte dos pacotes básicos. Trata-se de interfaces gráficas para gerenciamento de pacotes, atualização do sistema e gerenciamento de repositórios. A versão tratada aqui neste tutorial é baseada em GTK, ou seja, roda nativamente dentro do ambiente gráfico Gnome – mas vale lembrar que o PackageKit tem interfaces disponíveis para o Gnome, KDE e até OpenMoko (veja telas no final do tutorial), mas o princípio de funcionamento, as opções e o uso é praticamente igual nessas interfaces.

O Fedora foi somente uma das primeiras distribuições a usar o PackageKit, significando que outras distribuições também estão usando ou irão utilizar; você também pode encontrar o PackageKit no Ubuntu, por exemplo. Como postado nesse blog, “a idéia do PackageKit é ser um gerenciador gráfico de pacotes universal, usado por várias distros. Isso não quer dizer que com ele você vai poder instalar .debs no Fedora. O PackageKit é apenas uma interface comum, que no Ubuntu lida com os .debs e no Fedora lida com os .rpms. Sacaram? O mesmo programinha, cuidando de repositórios e tipos de pacotes diferentes em cada distro”.

Segundo Marcos Elias Picão, “o problema das diversas versões de pacotes (rpm, deb, etc.), específicas para cada família de distribuição Linux, serve para desapontar alguns usuários na instalação de alguns programas: falta de pacotes para sua distro, versões atualizadas demoradas em distros sem atualizações freqüentes ou não mais ativas, etc. Um programa para Linux veio tentar solucionar, ou pelo menos minimizar essa questão.
É o PackageKit, uma camada de empacotamento do DBUS, que usa uma API independente de distribuição (de Linux) e de arquitetura, para gerenciar os programas no sistema. Resumidamente, é uma forma para atualizar e administrar programas em um sistema GNU/Linux sem se preocupar com a distribuição ou sistema de gerenciamento de pacotes existente. Além de facilitar a instalação de diversos pacotes, isenta o uso da linha de comando (especialmente pelos que temem o terminal ;), ao mesmo tempo unificando os gerenciadores de pacotes de várias distros numa interface só.
Em míseras 6 semanas de desenvolvimento colaborativo intensivo, a versão 0.1.0 já possui backends para conary, yum, apt, box e alpm, como também documentação detalhada e algumas traduções (entre elas, português do Brasil).”

Neste tutorial em específico, como já puderam notar, vou tratar sobre a utilização do PackageKit no Fedora, usando no Gnome, o gpk-application (no KDE, o KPackageKit é quem faz o serviço):

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Eu acredito que, aprendendo a utilizá-lo no Gnome e no Fedora, você será capaz de usar o PackageKit no KDE ou até no OpenMoko sob qualquer distribuição Linux, dado que, como disse acima, todas as interfaces do PackageKit são semelhantes, só diferenciando um pouco no visual. Por exemplo, no Gnome, são todos modulares e portanto acessíveis por caminhos diferentes do menu; no KDE, todos os “módulos” são embutidos em uma mesma interface, e ao invés de acessar as diferentes operações em distintos ícones do menu, um só aplicativo contém as diversas operações em uma coluna direita, unindo tudo em uma coisa só. É a filosofia de cada ambiente fazendo diferença no resultado final.

Então, vamos começar.

No Gnome, as opções estão divididas entre o menu Sistema > Administração, onde estão: Adicionar/Remover Programas, Atualizar Sistema, e Fontes de Programas – essas são as opções gerais, que alteram todo o sistema e para isso necessitam de autenticação (senha) de root para por em prática qualquer ação:

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A única opção disponível a nível de usuário é em Sistema > Preferências > Sistema > Atualizações de programas.

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Vamos começar com o utilitário para adicionar e remover programas, acessível através de Sistema > Administração > Adicionar/Remover Programas. Ele é o programa principal do PackageKit: através dele, é possível pesquisar, instalar e remover pacotes e grupos de pacotes, como, por exemplo, instalar o XFCE e seus componentes. Veja-o aberto:

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Através do menu Filtros, é possível fazer uma busca bem refinada, como em programas instalados ou não-instalados somente, ou apenas programas livres, etc. Veja um exemplo:

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Para efetuar a busca por pacotes, basta digitar no campo correspondente, no canto superior esquerdo da tela, e teclar o Enter. Eu, no exemplo abaixo, pesquisei o termo “MSN”, e ao lado apareceram para mim todos os pacotes relacionados, constando uma breve descrição do pacote em negrito, e abaixo o verdadeiro nome do pacote seguido de sua arquitetura:

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Ao clicar em um pacote, aparece na tela diversas informações sobre ele: a descrição, logo abaixo, o site do projeto, o grupo no qual ele pertence, a licença, tamanho para download e a fonte:

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Ao selecionar um pacote, temos outras diversas informações através do menu “Seleção”:

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Lá, além de poder entrar na página do projeto, você pode ter a lista de todos os arquivos que o pacote instala no seu sistema, em “Get file list”:

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Em “Depende de”, ver quais os pacotes que o selecionado depende para ser instalado:

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E, em uma tela semelhante à acima, em “Requerido por”, verificar quais pacotes dependem do selecionado para funcionar corretamente.

Ao invés de pesquisar por um pacote em individual, é possível listarmos todos os pacotes pertencentes à uma mesma categoria. Por exemplo, um designer quer navegar entre os aplicativos para manipulação de imagens e ver qual se encaixa melhor em suas necessidades. Para isso, na tela principal, clique na categoria correspondente na coluna esquerda, e do lado direito será listado para você os pacotes pertencentes àquela seção:

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Vamos voltar à instalação. Após selecionar o pacote, ou os pacotes, que você deseja instalar, basta ir em “Seleção” e depois “Instalar”. O programa mostrará para você os pacotes adicionais que serão instalados para o funcionamento daqueles selecionados:

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Após aceitar, clicando em “Instalar”, o aplicativo dará prosseguimento à instalação:

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Logo neste instante, entrará em ação um ícone na bandeja do sistema, contendo as operações em andamento ao clicar sobre ele:

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Ao terminar a instalação, se assim estiver configurado, ele exibirá uma janela alegando que as tarefas foram concluídas com sucesso.

Voltando ao programa principal, para recarregar a lista de pacotes, ou seja, manter “frescas” as informações sobre os pacotes em seus determinados repositórios, basta ir em “Sistema” e “Recarregar lista de pacotes”. Também é possível acessar o gerenciador de repositórios através de “Fontes de Programas”:

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O “Fontes de programas”, também acessível através de Sistema > Administração > Fontes de Programas, como dito acima é o responsável pelo gerenciamento dos repositórios ativos ou não na máquina. Para ativar ou desativar um determinado servidor previamente configurado e instalado, basta selecioná-lo ou não:

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Para adicionar o repositório Livna, por exemplo, e depois ativá-lo, é preciso primeiramente instalá-lo, normalmente a partir de um pacote RPM disponível no site do repositório não-oficial. Mais informações sobre instalação de repositórios em: http://www.projetofedora.org.

Neste aplicativo em questão, também é possível mostrar repositórios que contém programas de depuração e desenvolvimento, selecionando a opção correspondente, quase no rodapé da janela:

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Agora vamos ao outro mini-aplicativo, de atualização do sistema. Para acessá-lo, vá até Sistema > Administração > Atualizar Sistema. Ao entrar nele, automaticamente ele verificará se há alguma atualização disponível; você também pode pedir para ele baixar a lista de pacotes e verificar manualmente clicando em “Recarregar”:

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Caso haja alguma atualização, depois clicar no botão “Atualizar Sistema” que todos os pacotes disponíveis serão instalados. Case deseje selecionar, clique em “Revisar”, e então escolher pacotes individuais para atualização.

E caso você queira verificar o histórico de atualizações do sistema, na janela principal clique em “Ver Histórico”, e um log aparecerá com diversas informações úteis:

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Vamos agora para outro mini-aplicativo, o que atualiza automaticamente o sistema. Para abri-lo, vá até Sistema > Preferências > Sistema > Atualização do Sistema. Você pode configurá-lo para nunca verificar atualizações (Never), verificar semanalmente (Weekly), diariamente (Daily) ou a toda hora (Hourly), no primeiro campo de seleção. Já no segundo, você pode deixar a opção de nunca instalar automaticamente as atualizações (Nothing), somente atualizações de segurança (Only securty updates) ou todas as atualizações (All updates).

Logo abaixo, configuram-se as notificações. Nesse caso, você pode pedir para o aplicativo exibir um pop-up cada vez que estiver disponível uma atualização (supondo que ele verifique todo dia, e uma atualização esteja disponível, ele mostrará para você), e/ou que ele notifique para quando as tarefas tenham sido completadas (quando acaba de instalar um pacote ou uma atualização, por exemplo).

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Quando há uma atualização disponível, a notificação que aparece na bandeja é similar à esta:

gpk-updates.warning

Como disse no início, o PackageKit tem sua interface para o Gnome, como demonstrado aqui com o gpk-application, para o KDE, com o KPackageKit, e para o OpenMoko; em todos esses ambientes, como já disse no começo deste tutorial, o PackageKit se comporta de maneira semelhante, só alterando alguns detalhes de acordo com o ambiente gráfico. Veja dois exemplo, primeiramente no KDE:

kpk

E no OpenMoko, cuja diferença de interface é maior devido às necessidades de se adaptar em uma tela de smartphone:

assassin

E assim, terminamos de usufruir dos principais recursos do PackageKit, um conjunto de aplicativos que apesar de já ter diversos recursos, ainda carece de muitos, mas isso é totalmente justificável pelo fato de ser um projeto bem recente. O PackageKit ainda tem muito chão pela frente, e quem sabe (eu estou torcendo) ele conseguirá ser uma interface universal de gerenciamento de pacotes em grande parte das distribuições, sendo então mais uma facilidade para o iniciante se acostumar ao mundo dos pacotes no Linux. Várias distribuições já estão apostando na facilidade de uso e flexibilidade que o PackageKit oferece. O site do projeto é www.packagekit.org

Boa diversão!

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