Codecs e plugins

O formato mais rudimentar para codificação de áudio é o WAV, que simplesmente armazena o som em formato não comprimido. Similarmente, o formato RAW permite salvar vídeos sem compressão, simplesmente gerando uma seqüência de imagens em bitmap com os quadros do vídeo. Os dois formatos são bastante simples e exigem pouco processamento para serem exibidos.

O grande problema é que os arquivos são muito grande, o que os torna impróprios para transmissão via web, ou mesmo para uso em sistemas de TV digital. Isso levou ao surgimento de diversos sistemas de compressão de áudio e vídeo, como o MP3, AAC, Vorbis (OGG), FLAC, MPEG-4, Theora, WMV e tantos outros, que permitem gerar arquivos menores.

Estes formatos podem ser divididos em dois grupos: os formatos livres, como o OGG, o FLAC e o Theora, cujos codecs podem ser distribuídos livremente e que por isso podem ser encontrados pré-instalados em quase todas as distribuições atuais e os formatos proprietários e/ou patenteados, como o MP3, AAC, MPEG-4, etc. cujos proprietários criam obstáculos para uso no Linux (e para a inclusão em players open-source ou gratuitos de maneira geral), restringindo ou cobrando royalties sobre a distribuição dos codecs.

Por melhores que sejam os codecs livres, na maioria dos casos a escolha do codec usado não é exatamente uma escolha, pois é feita não por você, mas sim por quem gerou o arquivo. Isso faz com que, no final das contas, você não tenha muita escolha a não ser manter uma boa coleção de codecs instalados, de maneira a poder abrir vários tipos de arquivos.

Entram em cena então os projetos de codecs open-source, como o Lame, que permite ouvir e gerar arquivos mp3. Eles são desenvolvidos através de engenharia reversa, onde o desenvolvedor analiza o resultado da codificação e decodificação usando os codecs originais e desenvolve um algoritmo próprio que gere um resultado similar. Estes algoritmos, juntamente com o restante do código-fonte são protegidos pela lei da livre expressão, uma vez que são apenas uma forma de descrever o funcionamento do algoritmo. Entretanto, quando compilados eles se enquadram na questão das patentes, o que dificulta a distribuição.

É importante enfatizar que a distribuição dos pacotes compilados do Lame e de outros codecs open-source não tem nada de ilegal. O grande problema é que abre margem para cobrança de royalties por parte dos detentores dos direitos, o que faz com que praticamente nenhuma das grandes distribuições os incluam por padrão, muito embora você possa instalá-los facilmente através de repositórios adicionais, como no caso do PLF (do Mandriva) e o Medibuntu.

Mas primeiras versões do Ubuntu, a Conical adotou uma postura bem conservadora, não incluindo os codecs em nenhum dos repositórios e não oferecendo nenhuma maneira simples de instalá-los. Com isso, os usuários precisavam adicionar os repositórios e instalá-los manualmente, o que levou ao surgimento de projetos como o Automatix, um conjunto de scripts que automatizava a instalação.

Nas versões atuais, as coisas são muito mais simples. A maior parte dos pacotes necessários são disponibilizados através do repositório multiverse e, ao tentar abrir um arquivo em um formato não suportado, o reprodutor de mídia dispara um assistente que localiza os pacotes necessários e oferece a instalação:

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Você pode também instalar os pacotes diretamente usando o apt-get:

# apt-get install gstreamer0.10-ffmpeg gstreamer0.10-plugins-good gstreamer0.10-plugins-bad-multiverse gstreamer0.10-lame

Outra facilidade é o pacote “ubuntu-restricted-extras “, um metapacote que se encarrega da instalação de diversos componentes, incluindo o suporte a flash e java no Firefox, um conjunto bastante completo de codecs e até mesmo o pacote msttcorefonts, que instala algunas fontes truetype do Windows:

$ sudo apt-get install ubuntu-restricted-extras

Assim como outros metapacotes, o ubuntu-restricted-extras é apenas um pacote vazio, que lista vários outros pacotes em sua lista de dependências. Ao instalá-lo, o apt verifica a lista e instala junto todos os pacotes citados. Em outras palavras, ele é apenas uma âncora, destinada a facilitar a instalação de um grupo pode outros pacotes. Instalá-lo, equivale a instalar manualmente os pacotes:

gstreamer0.10-plugins-ugly
gstreamer0.10-plugins-ugly-multiverse
msttcorefonts
flashplugin-nonfree
unrar
gstreamer0.10-plugins-bad
gstreamer0.10-plugins-bad-multiverse
gstreamer0.10-ffmpeg
libavcodec-unstripped-51
gstreamer0.10-pitfdll
libmp3lame0
libdvdread3
sun-java6-plugin

Para ativar o suporte a DVDs protegidos nos players de vídeo, é preciso instalar o pacote libdvdcss2, que inclui a biblioteca necessária para quebrar a encriptação. Ele complementa o pacote “libdvdread3”, que permite visualizar os menus de abertura dos DVDs. Ele está disponível no repositório do Medibuntu, que você precisa ter ativado previamente:

$ sudo apt-get install libdvdcss2

Diferente de softwares anteriores, que utilizavam um conjunto de chaves de encriptação crackeadas para ganhar acesso aos DVDs, o libdvdcss utiliza um sistema mais elegante, onde a biblioteca gera um conjunto de chaves de desencriptação, que testa uma a uma até encontrar uma que permita abrir o disco.

A legalidade do libdvdcss2 nunca foi contestada na justiça (e é improvável que isso aconteça agora, quando o DVD já está em processo de substituição pelo BlueRay), mas a possibilidade de contestação com base no DMCA (a lei norte-americana que proíbe a circunvenção de sistemas de criptografia) faz com que ele não seja incluído nos repositórios oficiais do Ubuntu, daí a necessidade de instalá-lo a partir do Medibuntu.

Outro pacote recomendável em se tratando de formatos de mídia é o w32codecs, que permite abrir arquivos WMV e QuickTime. Ele inclui alguns arquivos .dll extraídos dos players para Windows o que faz com que (muito embora os players sejam de uso gratuito) eles sejam considerados proprietários e por isso não incluídos nos repositórios principais. Este é mais um pacote que pode ser encontrado apenas no Medibuntu:

$ sudo apt-get install w32codecs

Se por acaso a placa de som não tiver sido detectada pelo sistema, experimente instalar o pacote “alsa-firmware”. Ele inclui alguns firmwares proprietários que são necessários para ativar algumas placas, como a ESS Maestro3, Tascam USX2Y USB, Turtle Beach Wavefront e a Yamaha DS-1 PCI. Depois de instalá-los, rode o “sudo alsaconf” no terminal (ou reinicie o micro) e ela deverá passar a funcionar normalmente:

$ sudo apt-get install alsa-firmware

O Medibuntu inclui também pacotes para o Acrobat Reader (http://get.adobe.com/br/reader/otherversions/), Skype (http://skype.com/download/skype/linux/) e o Google Earth (http://earth.google.com.br/download-earth.html).

Estes pacotes possuem exatamente os mesmos arquivos que seriam copiados ao instalar os aplicativos manualmente. A vantagem é que a instalação é mais simples e você passa a poder atualizá-los via apt-get, juntamente com o restante do sistema:

$ sudo apt-get install acroread skype googleearth

Caso esteja interessado no Picasa ou no Google Desktop, baixe o pacote .deb no http://desktop.google.com/linux/ ou http://picasa.google.com/linux/ e instale usando o dpkg, como em:

$ sudo picasa_3.0-current_i386.deb

Estes pacotes são desenvolvidos para não possuírem dependências externas e poderem por isso serem instalados no Debian, no Ubuntu ou em qualquer distribuição derivada deles. Em compensação, o fato de os pacotes incluírem todos os componentes necessários faz com que eles sejam muito grandes. Se eles fossem lançados como aplicativos open-source e os pacotes fossem compilados pela equipe do Ubuntu, aproveitando os componentes já incluídos no sistema, os pacotes seriam bem menores.

Com relação aos players de mídia Ubuntu utiliza por padrão o Totem, que é o player padrão do Gnome. Ele foi criticado nas primeiras versões por incluir poucas funções, ma nas versões atuais ele se tornou um player bastante competente. De qualquer maneira, é interessante ter à mão também o VLC e o Mplayer, que permitem abrir muitos vídeos danificados ou em formatos exóticos, onde Totem pede água:

$ sudo apt-gt install vlc mplayer

Outra boa opção é o Dragonplayer, um derivado do Mplayer, que utiliza uma interface simples. Ele depende de várias bibliotecas do KDE, por isso é interessante apenas se você pretender instalar também outros aplicativos baseados no QT:

$ sudo apt-get install dragonplayer

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