Configuração do servidor

Com exceção dos servidores “ready to go”, ou promoções, você tem normalmente a opção de personalizar a configuração do servidor, com a opção de adicionar mais HDs, pagar por uma quota maior de tráfego, escolher o sistema operacional usado ou adicionar uma faixa maior de endereços IP, entre outras opções.

A configuração básica do servidor, incluindo o processador é escolhida na tela inicial. Como você pode ver, os servidores mais baratos são montados usando processadores domésticos, como processadores Core 2 Duo ou Athlon 64 X2, ou até mesmo máquinas baseadas em processadores Pentium 4. Servidores baseados em processadores mais parrudos são progressivamente mais caros:

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É importante notar que as máquinas oferecidas (seja qual for o datacenter) nem sempre são novas, por isso é importante evitar configurações baseadas em processadores antigos, ou com HDs de capacidade muito baixa, já que provavelmente se trata de máquinas já com alguns anos de uso, onde a possibilidade de surgirem problemas de hardware é maior. A exceção fica por conta dos HDs SAS e SCSI de alto desempenho, que utilizam platters de 2.5″ e possuem uma capacidade reduzida, mesmo nos modelos recentes.

Depois da escolha inicial, você tem a opção de adicionar itens adicionais e upgrades no servidor. Algumas das escolhas ao livres, como a distribuição Linux a utilizar, enquanto outras implicam em taxas adicionais. Existem também taxas de licença caso você decida utilizar o Red Hat Enterprise, já que ele não é gratuito, daí a popularidade do CentOS em serviços de hospedagem:

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Uma questão importante em qualquer servidor dedicado são os backups. Em todos os planos Unmanaged, a empresa responsável se limita a substituir componentes do servidor em caso de defeito, mas não se responsabiliza pelos dados armazenados. Ou seja, se o HD falhar, irão substituir por outro e reinstalar o sistema, de forma a colocar o servidor de volta em serviço, mas os dados armazenados serão perdidos, a menos que você tenha um backup atualizado. Devido a isso, o uso de um segundo HD (para a criação de um array RAID 0, ou simplesmente para armazenar um backup atualizado) é fortemente recomendável, a menos que você pretenda fazer um backup completo dos arquivos do servidor armazenado localmente. Existe também a opção de utilizar um plano de backup, onde você tem acesso a uma SAN ou outro tipo de unidade de armazenamento remoto e paga pelo volume de dados armazenado.

Continuando, temos a quota mensal de transferência. Uma das vantagens em hospedar seu servidor no exterior é que os links são mais baratos e por isso as quotas são muito mais generosas. Normalmente estão disponíveis 1000 GB mensais ou mais mesmo nos planos mais baratos e você pode aumentar a quota de tráfego pagando um valor adicional:

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Como citei anteriormente, uma quota de tráfego de 2000 GB corresponde a um link de 6.17 megabits usado 24 horas por dia, por isso, para evitar gargalos nos horários de pico, seria interessante usar uma porta de 100 megabits. Note que usar uma porta mais rápida em um servidor que disponibiliza grandes arquivos torna necessário monitorar o volume de dados transferidos para que a quota mensal de tráfego não seja ultrapassada. Em alguns casos, um plano unmetered (transferência ilimitada) pode ser interessante.

Embora a escassez de endereços IPV4 esteja se acentuando, muitas empresas ainda oferecem a opção de contratar uma faixa maior de endereços IP, como no ThePlanet, onde você pode pagar uma taxa extra mensal para ter uma volume maior de endereços IP disponíveis:

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Os endereços IP adicionais são muito úteis caso você pretenda utilizar o VMware Server, o Xen, o Virtuozzo ou outro software de virtualização, já que você pode hospedar um número maior de máquinas virtuais no mesmo servidor, cada uma com um endereço IP válido. Hoje em dia, não é incomum que um servidor dedicado hospede 10 ou 20 máquinas virtuais, muitas vezes sublocadas para clientes diferentes.

O mais comum é que servidores dedicados utilizem uma faixa de 8 endereços com máscara 255.255.255.248. Nessa configuração, apenas 3 bits do endereço são reservados ao endereçamento dos hosts (convertendo 255.255.255.248 para binário, você teria 11111111.11111111.11111111.11111000).

Três bits permitem 8 combinações, mas o primeiro e o último endereço são reservados ao endereço da rede e ao endereço de broadcast, fazendo com que apenas 6 endereços possam realmente ser utilizados. Destes, mais um é sacrificado, pois é atribuído ao default gateway (sem o gateway o servidor não acessa a Internet), de forma que no final apenas 5 endereços ficam realmente disponíveis.

Você pode se perguntar qual é a necessidade de ter uma faixa com 5 endereços utilizáveis se o servidor é apenas um. Mesmo descartando o uso dos endereços adicionais por máquinas virtuais hospedadas no servidor, existem diversos motivos para o uso de uma faixa inteira de endereços em vez de um único IP isolado.

A primeira é que, ao configurar um servidor dedicado, você precisa de uma faixa de endereços inteira para poder configurar o DNS reverso, um pré-requisito para que seus e-mails não sejam rotulados como spam por outros servidores. Ao registrar um domínio, você precisa fornecer os endereços de dois servidores DNS, que responderão por ele. Em vez de ter dois servidores, você pode utilizar outro dos seus 5 endereços disponíveis para criar um alias (apelido) para a placa de rede do seu servidor dedicado e assim poder configurá-lo para responder simultaneamente como servidor DNS primário e secundário, eliminando assim a necessidade de utilizar dois servidores separados. Novamente, essa configuração é possível apenas caso o servidor possua uma faixa de endereços própria.

No final, a configuração de rede de um servidor dedicado acaba sendo algo similar a isto:

Endereço IP: 72.232.35.106
Máscara: 255.255.255.248
Gateway: 72.232.35.105
Endereço da rede: 72.232.35.104
Endereço de broadcast: 72.232.35.111
Alias da placa de rede (para o DNS secundário): 72.232.35.107
Endereços vagos: 72.232.35.108, 72.232.35.109 e 72.232.35.110

Na maioria dos planos, existe a opção de incluir um painel de controle, como o cPanel ou o Plesk. Eles simplificam a administração dos sites hospedados, automatizando a configuração do Apache, Bind, MySQL e outros serviços. Estas são soluções comerciais, que adicionam uma taxa extra na mensalidade do plano, correspondente ao pagamento das licenças:

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Pesquisando nas matérias antigas do site, você encontra um tutorial sobre o ISPConfig, que é uma opção de painel de controle open-source. Por enquanto, vamos nos concentrar na configuração manual dos serviços, que é um pré-requisito para qualquer administrador.

Depois de concluir o pedido, você receberá um ou dois e-mails de confirmação e, depois de concluída a instalação do servidor, receberá mais um contato, com o endereço IP e os logins de acesso ao servidor, via SSH. Depois de realizar o primeiro login, é essencial trocar as senhas de acesso, já que sempre existe uma pequena possibilidade de as senhas temporárias, enviadas via e-mail terem sido interceptadas de alguma forma. É importante também tomar nota dos contatos de suporte, especialmente da equipe de plantão, que pode ser acionada caso você precise de um hard-reboot do servidor, por exemplo.

O servidor vem, por padrão, com um conjunto básico de pacotes instalados e o SSH habilitado. O resto da configuração você faz remotamente, instalando os pacotes desejados e editando os arquivos de configuração via SSH. É por isso que a maioria dos utilitários de administração de servidores, como o webmin, são acessados através de interfaces via navegador, que você pode acessar de qualquer lugar.

Embora não seja comum, nem muito recomendável, devido ao grande uso de recursos do servidor, também é possível rodar utilitários gráficos. Nesse caso, você vai precisar instalar o X e algum ambiente gráfico no servidor, e acessar o ambiente gráfico via VNC ou NX Server. Entre os dois, o NX é o que oferece o melhor desempenho e menor uso de link.

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