IPV6

Em seguida temos a questão do IPV6, que é uma fonte frequente de dúvidas. Ele é uma evolução do padrão de endereçamento atual onde, ao invés de endereços de 32 bits, são usados endereços de 128 bits. O número de endereços disponíveis no IPV6 é simplesmente absurdo; seria o número 340.282.366.920 seguido por mais 27 casas decimais. Tudo isso para prevenir a possibilidade de, em um futuro distante, ser necessária uma nova migração.

Por serem muito mais longos, os endereços IPV6 são representados através de caracteres em hexa. No total temos 32 caracteres, organizados em oito quartetos e separados separados por dois pontos.

No conjunto hexadecimal, cada caracter representa 4 bits (16 combinações). Devido a isso, temos, além dos números de 0 a 9, também os caracteres A, B, C, D, E e F, que representariam (respectivamente), os números 10, 11, 12, 13, 14 e 15. Um exemplo de endereço IPV6, válido na internet, seria “2001:bce4:5641:3412:341:45ae:fe32:65”.

Um atenuante para esta complexidade dos endereços IPV6 é que eles podem ser abreviados de diversas formas. Graças a isso, os endereços IPV6 podem acabar sendo incrivelmente compactos, como “::1” ou “fee::1”.

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Em primeiro lugar, todos os zeros à esquerda dentro dos quartetos podem ser omitidos. Por exemplo, ao invés de escrever “0341”, você pode escrever apenas “341”; ao invés de “0001” apenas “1” e, ao invés de “0000” apenas “0”, sem que o significado seja alterado. É por isso que muitos quartetos dentro dos endereços IPV6 podem ter apenas 3, 2 ou mesmo um único dígito. Os demais são zeros à esquerda que foram omitidos.

É muito comum que os endereços IPV6 incluam seqüências de números 0, já que atualmente poucos endereços são usados. Graças a isso, o endereço “2001:bce4:0:0:0:0:0:1” poderia ser abreviado para apenas “2001:bce4::1”, omitimos todo o trecho central “0:0:0:0:0”.

Ao usar o endereço, o sistema sabe que entre o “2001:bce4:” e o “:1” existem apenas zeros e faz a conversão internamente, sem problema algum.

O suporte a IPV6 está presente em todas as distribuições Linux atuais, assim como no Windows XP SP2 e no Vista. Uma vez que você entende como os endereços IPV6 são estruturados e que uma mesma interface de rede pode ter ao mesmo tempo um endereço IPV4 e um IPV6 (respondendo em ambos), não existe nada de exotérico em atribuir endereços IPV6 para os micros da sua rede e começar a testar o novo sistema.

Assim como no IPV4, os endereços IPV6 são divididos em dois blocos. Os primeiros 64 bits (os 4 primeiros quartetos) identificam a rede, enquanto os últimos 64 bits identificam o host. No endereço “2001:bce4:0:0:0:0:0:1”, por exemplo, temos a rede “2001:bce4:0:0” e o host “0:0:0:0:1” dentro dela.

Ao configurar endereços dentro de uma mesma rede, existem duas opções. A primeira seria simplesmente usar endereços seqüenciais, como ” 2001:bce4::1″, ” 2001:bce4::2″, “2001:bce4::3” e assim por diante. Nada de errado com isso. A segunda seria seguir a sugestão do IEFT e usar os endereços MAC das placas de rede para atribuir os endereços dos hosts. É justamente isso que é feito ao utilizar a atribuição automática de endereços no IPV6.

Digamos que o endereço da rede é “2001:bce4:0:0:” e o endereço MAC do micro é “00:16:F2:FE:34:E1”. Como você pode ver, o endereço MAC contém apenas 12 dígitos hexa, enquanto no IPV6 a parte do host contém 16 dígitos. Está em estudo uma expansão dos endereços MAC das placas de rede, que passariam a ter 16 dígitos, mas, enquanto isso não é colocado em prática, usamos uma regra simples para converter os endereços de 12 dígitos atuais em endereços de 16 dígitos, adicionando um “ffff” entre o sexto e sétimo dígito do endereço.

O endereço “00:16:F2:FE:34:E1”, viraria então “0016:f2ff:fffe:34e1″. Como viu, os 12 dígitos originais continuam os mesmos (apenas converti para minúsculas). São apenas adicionados os 4 dígitos no meio.

Adicionando o endereço da rede, o endereço IPV6 completo deste micro seria “2001:bce4:0:0:0016:f2ff:fffe:34e1”, o que poderia ser abreviado para apenas “2001:bce4::0016:f2ff:fffe:34e1”.

O IPV6 também oferece um recurso de compatibilidade com endereços IPV4, permitindo que você continue utilizando os mesmos endereços ao migrar para ele. Neste caso, você usaria o endereço “::FFFF:” seguido pelo endereço IPV4 usado atualmente, como em:

::FFFF:192.168.0.1

Por estranho que possa parecer, este é um endereço IPV6 completamente válido, que você pode usar para todos os fins.

Outra mudança é que no IPV6 você pode atribuir diversos endereços para o mesmo micro. Isto também era possível no IPV4 utilizando-se alises para a placa de rede, mas no caso do IPV6, este passou a ser um recurso nativo. Graças a isso, o mesmo micro pode ser acessado tanto através do endereço “2001:bce4:5641:3412:341:45ae:fe32:65” (por exemplo), quanto pelo ::FFFF:192.168.0.1 (pelos micros da rede local), sem que você precise usar duas placas de rede.

É possível também adicionar um endereço IPV6 a um micro já configurado com um endereço IPV4, na maioria dos casos sem nem mesmo precisar derrubar a rede. Neste caso, ele continua respondendo de forma normal no endereço IPV4 antigo, mas passa a responder também no endereço IPV6. Um dos objetivos do novo sistema é justamente manter compatibilidade com o antigo, já que muitos sistemas provavelmente nunca serão atualizados.

Imagine, por exemplo, que uma migração em larga escala para o IPV6 está ocorrendo. A maior parte da internet já utiliza o novo sistema, mas seu provedor de acesso ainda oferece suporte apenas a endereços IPV4.

Prevendo situações assim, o IPV6 oferece suporte ao tunelamento de pacotes IPV6 através de redes IPV4. Ao perceber que os pacotes IPV6 precisarão passar por uma rede IPV4, o roteador empacota os pacotes IPV6, colocando-os dentro de pacotes IPV4, de forma que eles sejam roteados normalmente através da rede IPV4. Do outro lado da conexão teríamos outro roteador IPV6, que se encarregaria de remover o cabeçalho IPV4 dos pacotes, obtendo novamente os pacotes IPV6 originais.

Este sistema permite também que sistemas configurados com endereços IPV4, continuem acessando a internet normalmente, mesmo depois que a migração ocorrer. Imagine o caso de micros rodando o Windows 95/98, por exemplo, sistemas que provavelmente nunca serão atualizados.

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