O G92 e as novas GeForce 8800

No final de 2007 a nVidia atualizou a linha com o lançamento do G92, produzido usando uma técnica de 65 nm. Ao contrário do que o nome sugere, o G92 não representa uma nova geração da arquitetura, mas apenas um refresh do G80, com pequenas atualizações e a migração para a nova técnica de fabricação.

Assim como o G80, o G92 possui 128 stream processors, mas a primeira versão veio com apenas 112 deles ativos, o que a tornou um meio-termo entre os 128 do G80 original e os 96 da versão castrada usada na 8800 GTS. Ele possui também apenas 16 ROPs (conta os 24 do irmão mais velho), combinado com um barramento de apenas 256 bits com a memória, novamente menos que os 384 bits do G80.

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Em compensação, ele trouxe um aumento na proporção de unidades de processamento de texturas (similar ao do G84) que ajudou a melhorar o desempenho em diversas áreas, compensando grande parte da diferença do desempenho por ciclo de clock. Além do consumo elétrico mais baixo, a técnica de produção atualizada também pagou dividendos na forma do suporte a frequências mais altas, que se tornou um fator importante na longevidade do chip.

Apesar da redução no número de ROPs, o G92 tem 754 milhões de transístores, contra apenas 681 milhões do G80. O aumento não se deve ao poder de processamento 3D, mas sim à integração do chip VP2, que é encarregado da aceleração de vídeo (que nos modelos anteriores era um chip separado). Embora não tenha efeito sobre o desempenho, a integração foi mais um fator que ajudou a reduzir o consumo elétrico e o custo das placas.

Diferente das 8800 GTS e Ultra, que foram placas de altíssimo custo (US$ 600 e 999, respectivamente na época de lançamento), as placas baseadas no G92 foram concebidas para serem muito mais acessíveis, criando uma linha de placas de alto desempenho com preços mais competitivos. Para ter uma ideia, a 8800 GT foi lançada por US$ 200, um terço do preço da GTX. Com uma redução de preço tão grande, a pequena diferença de performance subitamente passou a parecer insignificante… 🙂

A primeira placa baseada no G92 foi a 8800 GT, lançada em outubro de 2007. Ela utilizava a versão castrada do chip, com 112 SPs ativos:

GeForce 8800 GT: 112 SPs, 16 ROPs, 256, 512 ou 1024 MB de GDDR3, bus de 256 bits, clocks de 600 MHz (core), 1500 MHz (shaders) e 1400 MHz (na versão de 256 MB) ou 1800 MHz (versões de 512 e 1024 MB) para a memória. TDP de 105 watts.

Ao contrário do que o “GT” sugere, ela oferecia na pratica um desempenho levemente superior ao da 8800 GTS, que possuía menos stream processors (112 contra 96) e menos unidades de processamento de texturas, operando ainda por cima a uma frequência mais baixa. O maior poder bruto de processamento acabou sendo mais do que suficiente para compensar a pequena diferença no barramento com a memória, fazendo com que a 8800 GT superasse a 8800 GTS em desempenho.

Você pode ver uma comparação direta entre as duas no http://www.anandtech.com/video/showdoc.aspx?i=3140&p=7. Este gráfico emprestado da página ilustra bem a diferença:

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De fato, não demorou para que a nVidia descontinuasse a 8800 GTS antiga (que deixou de fazer sentido com o lançamento da 8800 GT) e a substituísse por um modelo baseado no G92. Isso recolocou a linha nos trilhos, fazendo com que a GTS voltasse a ser mais rápida que a GT:

GeForce 8800 GTS (G92): 128 SPs, 16 ROPs, 512 MB de GDDR3, bus de 256 bits, clocks de 650 MHz (core), 1625 MHz (shaders) e 1940 MHz (memória). TDP de 135 watts.

Diferente da antecessora, a 8800 GTS vem com todas as unidades ativadas, enquanto o G92 da 8800 GT vem com 16 dos stream processors desativados, para que a nVidia pudesse aproveitar chips com problemas de fabricação (mais uma medida para cortar custos). É o mesmo processo de binning que é apicado em quase todas as linhas, a única diferença é que dessa vez a versão castrada foi lançada primeiro e a versão completa depois.

Embora ainda perdesse para a 8800 GTX e para a 8800 Ultra, a 8800 GT era muito mais barata e oferecia uma configuração mais equilibrada, com um consumo elétrico mais baixo e uma margem de overclock maior, o que fazia com que ela superasse as irmãs mais velhas em custo-beneficio. Com o lançamento da nova 8800 GTS, as duas passaram a fazer ainda menos sentido, já que a 8800 GTS passou a oferecer um desempenho similar por um preço bem mais baixo.

Em resumo, a 8800 GTS com o G92 oferece um FPS similar, ou até mesmo um pouco superior (devido ao maior número de unidades de endereçamento e processamento de texturas) que a 8800 Ultra usando resoluções moderadas (até 1600×1200) e sem antialiasing. Entretanto, a Ultra mantém alguma vantagem ao usar AA 4x e em alguns jogos específicos (como o Unreal Tournament 3) devido ao barramento mais largo com a memória.

Completando o time, a nVidia lançou também um modelo de médio custo, a 8800 GS, que possui apenas 96 stream processors, um barramento de 192 bits com a memória e um clock mais baixo que as duas antecessoras. O desempenho ficou quase 30% inferior, mas o preço relativamente baixo fez com que ela se tornasse uma opção às 8600 GT e GTS, que ofereceriam um desempenho muito mais baixo.

GeForce 8800 GS: 96 SPs, 12 ROPs, 324 MB de GDDR3, bus de 192 bits, clocks de 550 MHz (core), 1375 MHz (shaders) e 1600 MHz (memória). TDP de 105 watts.

As 8800 GT, GTS e GS foram também as primeiras placas da nVidia a oferecerem suporte ao padrão PCI Express 2.0, embora na prática isso não represente uma grande diferença, já que os dois padrões são intercompatíveis e o G92 não é rápido o suficiente para saturar os 4.0 GB/s oferecidos por um slot PCIe x16 regular, quanto mais os 8.0 GB/s de um slot PCIe 2.0 x16.

Por outro lado o PCIe 2.0 acaba fazendo a diferença em placas com múltiplos slots, com configurações x8/x8, ou x8/8x/x4. Basta ter em mente que com o dobro da banda por linha de dados, um slot PCIe 2.0 x8 oferece os mesmos 4.0 GB/s em cada direção que um slot PCIe 1.1 x16.

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