O naufrágio do Itanium

A primeira tentativa de criar um sucessor de 64 bits para a plataforma x86 veio da Intel, que em 2001 lançou o Itanium, um processador de 64 bits destinado a servidores. O Itanium quebrou a compatibilidade com a família x86, passando a utilizar o IA-64, um novo conjunto de instruções, desenvolvido a partir do zero. O plano inicial era popularizar a arquitetura primeiro nos servidores, onde os benefícios de um processador de 64 bits são mais evidentes, e em seguida, lançar também versões destinadas a desktops.

O problema com o Itanium (além do fato de o processador ser muito caro) era que não existiam softwares capazes de se beneficiar da nova plataforma. Ele incluía um sistema de emulação, que permitia rodar softwares de 32 bits, mas neste caso o desempenho era muito ruim, o que eliminou qualquer possibilidade do uso em larga escala nos desktops.

As duas versões iniciais do Itanium (com o core Merced, produzido usando uma técnica de 180 nanômetros) operavam a 733 e 800 MHz. Elas foram seguidas pelas diferentes versões do Itanium 2 single-core (McKinley, Madison, Deerfield e Fanwood), que foram vendidas em versões de 900 MHz a 1.67 GHz e também pelo Montecito, que é uma versão dual-core, com 12 MB de cache L2, produzido usando uma técnica de 90 nm:

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Embora tenha obtido algum sucesso no ramo dos servidores, o Itanium logo se revelou um beco sem saída, devido à estagnação do desenvolvimento dos chips e da popularização dos processadores dual-core e quad-core produzidos usando técnicas mais avançadas. Mesmo para os adeptos do novo conjunto de instruções, fazia pouco sentido pagar caro por um Itanium 2, se um Core 2 Quad era capaz de oferecer um desempenho consideravelmente superior a um preço mais baixo.

Segundo o Gartner, foram vendidos apenas 55 mil servidores com o Itanium em 2007 (contra os vários milhões de servidores x86 vendidos anualmente) e em 2009 as vendas já haviam caído ainda mais.

Em pleno início de 2010, a Intel continua produzindo o Itanium em pequenas quantidades e uma pequena equipe tem trabalho no desenvolvimento de novos modelos, incluindo o Tukwila, que (caso seja efetivamente lançado) será produzido usando uma técnica de 65 nm (obsoleta em relação aos Core 2 baseados no Penryn e ao Core i7, que já são produzidos usando a técnica de 45 nm) e herdará algumas das tecnologias estreadas no Core i7, como o controlador de memória integrado e o barramento PQI.

Apesar disso, o futuro da plataforma é incerto, já que o uso de técnicas obsoletas de fabricação (consequência do pequeno volume de vendas) limita o clock dos chips e anula qualquer potencial benefício da arquitetura. A menos que algo muito surpreendente aconteça, a tendência é que o Itanium continue definhando até ser finalmente descontinuado, assumindo seu lugar no rodapé das páginas da história.

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