A plataforma super 7

Ao desenvolver o Pentium II, a Intel optou por desenvolver um barramento proprietário (o GTL+), de forma a dificultar a vida dos concorrentes. Junto com a AMD, fabricantes de chipsets, como a VIA, SiS e Ali foram prejudicados pela decisão da Intel, já que não podiam desenvolver chipsets para o Pentium II (e sucessores) sem o pagamento de licenças, por isso eles ficaram mais do que felizes em ajudar a AMD a desenvolver uma plataforma alternativa, incorporando suporte a AGP, bus de 100 MHz e outras melhorias.

Isso permitiu que a AMD aproveitasse a demanda por PCs de baixo custo, deixada pela transição abrupta da Intel para o Pentium II, melhorando sua participação no mercado e abrindo caminho para o lançamento do Athlon.

O primeiro chipset super 7 foi o Ali Aladdin V, que chegou a ser bastante popular, devido a seus bons recursos e bom desempenho. Além de suportar o bus de 100 MHz utilizado pelos processadores K6-2 e Cyrix MII, ele oferecia suporte a até 1 GB de memória RAM, sem limite no espectro cacheável e suporte ao uso de até 1 MB de cache L2.

Uma observação é que, embora suportem 1 GB de memória ou mais, a maioria das placas super 7 suporta módulos de memória SDRAM de no máximo 256 MB (com 16 chips), o que dificulta qualquer upgrade hoje em dia, já que você precisaria encontrar módulos antigos.

Esta é uma Asus P5A-B, uma placa super 7 baseada noAli Aladdin V que foi bastante comum na época. Veja que ela possui slot AGP e três soquetes para módulos de memória DIMM, que permitem o uso de módulos até 256 MB. Ela oferecia suporte a toda a família K6-2, até o K6-2 550, além de manter suporte aos processadores antigos. A qualidade da placa não era das melhores, sobretudo se comparada com placas mais caras para o Pentium II, mas ela era barata o que para muitos era argumento suficiente:

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Asus P5A-B, exemplo de placa super 7

Estas placas eram geralmente acompanhadas por 64 ou 128 MB de RAM, HDs ATA-33 de 5400 RAM e placas 3D Riva TNT ou Voodoo 3, uma configuração que pode parecer uma piada de mal gosto para os dias de hoje, mas que na virada do milênio era mais do que suficiente para a maioria das tarefas.

O próximo da lista foi o VIA MVP3, que, apesar de ser originalmente um chipset destinado a notebooks, acabou sendo usado em muitas placas para micros desktop. Além de suportar Bus de 66 ou 100 MHz, o VP3 permite que a memória RAM seja acessada numa frequência diferente do FSB. Usando este recurso, podemos usar o barramento de 100 MHz permitido pelo chipset, mantendo, porém, a memória RAM trabalhando a apenas 66 MHz.

O uso deste recurso permitia o uso de memórias EDO ou SDRAM comuns, em vez de memórias PC100, com a possibilidade de aproveitar as memórias do micro antigo, no caso de um upgrade. A perda de performance gerada pela diminuição da velocidade de acesso às memórias, não chegava a causar um grande impacto sobre o desempenho global do sistema, pois o cache L2 encontrado na placa-mãe continuava trabalhando a 100 MHz. Este recurso é similar às opções de ajustar a frequência da memória de forma independente da frequência do FSB, disponíveis nas placas atuais.

O MVP3 suportava o uso de até 1 GB de memória RAM, mas era capaz de cachear apenas 256 MB. Embora fosse muito raro o uso de mais do que 512 KB de cache L2 nas placas da época, o MVP3 oferecia suporte a até 2 MB. Outro recurso interessante é que a arquitetura do MVP3 permitia que a ponte norte do chipset fosse usada em conjunto com a ponte sul do VIA Apollo Pro 133, um chipset para Pentium III, muito mais avançado. Isso permitiu que os fabricantes adicionassem suporte ao UDMA 66 e outros recursos ao MVP3, pagando apenas um pouco mais pelo chipset.

Mais um chipset popular na época foi o SiS 530, que, além do suporte a AGP, portas IDE com UDMA 33 e bus de 100 MHz, oferecia suporte a até 1.5 GB de memória RAM, embora, assim como no MVP4, apenas os primeiros 256 MB fossem atendidos pelo cache.

Mesmo depois de lançados o Athlon e o Duron, os processadores K6-2 e K6-3 continuaram sendo uma opção para micros de baixo custo durante muito tempo. Pensando neste último suspiro da plataforma soquete 7, a VIA lançou o MVP4, uma versão aperfeiçoada do MVP3.

A principal vantagem do MVP4 sobre o antecessor era o fato de vir com um chipset de vídeo Trident Blade 3D integrado. Assim como temos atualmente, o desempenho ele muito fraco se comparado ao de placas 3D dedicadas da época, mas ele atendia quem queria apenas um PC para tarefas básicas e não queria gastar muito na placa de vídeo.

Como em outras soluções com vídeo integrado, era reservada uma parte da memória RAM (até 8 MB, definidos através do Setup) para o uso da placa de vídeo. Com isso, um PC com 64 MB ficava com apenas 56 ou 60 MB disponíveis.

Ao contrário dos chipsets que o sucederam, o MVP4 não suportava o uso de placas AGP externas, já que o barramento era utilizado pelo vídeo integrado. Devido a isso, ele acabou relegado às placas mais baratas (e de baixa qualidade), já no finalzinho da era K6-2. Na época, a PC-Chips chegou a colocar no mercado placas soquete 7 sem cache L2 (como no caso da M598LMR), uma economia que causava uma grande queda no desempenho. Boa parte da má fama dos micros K6-2 se deve a estas placas de terceira linha.

Confira a terceira parte em: https://www.hardware.com.br/tutoriais/pentium-iii-athlon/

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