Super G e Afterburner

Além dos padrões oficiais, existem as extensões proprietárias criadas pela Atheros e Broadcom para aumentar o desempenho das redes baseadas em seus produtos.

As placas e pontos de acesso 802.11g baseados em chips da Atheros utilizam o “Atheros Super G“, um sistema dual-band, onde a placa passa a transmitir usando dois canais simultaneamente (channel bonding),
dobrando a taxa de transmissão. Ele é encontrado nas placas e pontos de acesso D-Link AirPlus Xtreme G e nos produtos recentes da Netgear (entre outros).

O efeito colateral é que, por transmitir usando dois canais simultâneos, ele acaba gerando bem mais interferência com outras redes próximas. Ao ativar o Super G, as placas e o ponto de acesso passam a transmitir usando o
canal 6, usando uma faixa de freqüência total de 46 MHz (já que são usados dois canais).

Como vimos a pouco, o canal 6 utiliza uma freqüência nominal de 2.437 GHz, de forma que, com uma faixa de freqüência de 46 MHz, o sinal ocupa o espectro entre os 2.414 GHz e os 2.460 GHz. Ou seja, um rede Super G toma para
si praticamente todo o espectro de freqüência reservada às redes 802.11g, interferindo em maior ou menor grau com todas as redes próximas, independentemente do canal usado por elas. Para reduzir o problema, a Atheros incluiu um recurso de ajuste
automático da faixa de freqüência usada, que varia de acordo com a carga sobre a rede. Isso faz com que os transmissores utilizem os 46 MHz completos apenas nos momentos de atividade intensa, o que reduz o problema.

É importante enfatizar também que, ao contrário do divulgado no material publicitário da Atheros, o uso do Super G não aumenta (e nem reduz) o alcance da rede; o ganho se limita apenas à taxa de transferência. Diferenças
entre o alcance obtido ao usar produtos com e sem o Super G são relacionados ao ganho das antenas, à potência dos transmissores e à qualidade geral, não ao Super G propriamente dito.

O principal concorrente do Super G é o Afterburner, desenvolvido pela Broadcom. Em vez de também optar pelo uso de dois canais, a Broadcom optou por um sistema mais tradicional, que mantém o uso de um único
canal, mas utiliza uma série de otimizações, reduzindo o overhead das transmissões e conseguindo, assim, aumentar a percentagem de bytes “úteis” transmitidos.

Entre as técnicas utilizadas estão o frame-bursting (onde são enviados uma série de pacotes de dados dentro de um único frame, reduzindo o overhead da transmissão) e a compressão de dados, que ajuda ao transferir arquivos
com baixo índice de compressão através da rede. O ponto fraco é que o ganho de velocidade depende muito do tipo de dados transmitidos (por causa da compressão).

O Afterburner promete até 125 megabits, contra os 108 megabits do Super G e os 54 megabits do 802.11g “regular”. Na prática, as diferenças acabam não sendo tão grandes, pois o uso de dois canais do Super G aumenta o nível de
interferência com redes próximas (e a vulnerabilidade a interferências de uma forma geral) e, do outro lado da moeda, as otimizações utilizadas pelo Afterburner aumentam o número de pacotes perdidos ou corrompidos, reduzindo o ganho real de desempenho.
Não espere um ganho de muito mais do que 30% nas taxas reais de transmissão em relação a uma rede 802.11g regular ao utilizar qualquer um dos dois.

Outro problema é que as otimizações só funcionam caso você baseie toda a sua rede em placas e pontos de acesso compatíveis com um dos dois padrões, caso contrário a rede passa a operar no modo 802.11g “padrão”, para manter a
compatibilidade com todos os clientes. Na prática isso é bem complicado, pois você raramente pode escolher qual placa virá instalada ao comprar um notebook ou um PC montado, por exemplo.

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