Overclock no Pentium II

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Pentium II com Arquitetura Klamath

Os primeiros processadores Pentium II, representados pelas versões de 233, 266 e 300 MHz, utilizam uma arquitetura chamada pela Intel de “Klamath” que consiste numa técnica de fabricação de transístores medindo 0.35 mícron, muito semelhante à usada nos
processadores Pentium MMX. Estes processadores mais antigos, apesar de funcionarem razoavelmente bem com overclocks moderados, não aceitam acelerações gritantes como no caso dos MMX. O mais recomendável é simplesmente aumentar a velocidade do barramento
de 66 para 75 MHz, conseguindo respectivamente 262, 300 e 337 MHz.

Os primeiros processadores de 233 e 266 MHz não possuem a trava do multiplicador. Se você possuir um destes processadores terá também a opção de overcloca-lo para 266 ou 300 MHz aumentando o multiplicador de 3.5x para 4x ou de 4x para 4,5x, dispensando
assim um aumento na frequência de operação da placa mãe.

Pentium II com Arquitetura Deschutes

As versões do Pentium II de 333, 350, 400 e 450MHz, utilizam a arquitetura Deschutes, que consiste na fabricação de transístores medindo apenas 0.25 mícron. Esta nova técnica permite uma geração muito menor de calor, o que além de aumentar a estabilidade
dos processadores, aumenta bastante as possibilidades de overclock.

O maior obstáculo ao overclock no caso destes processadores, é justamente sua maior vantagem: o cache L2 integrado. O problema é que apesar de tecnicamente estes processadores, principalmente as versões mais lentas, serem capazes de suportar velocidades
de operação bem superiores às originais, como temos o cache rodando sempre à metade da velocidade do processador, ficamos impedidos de acelerá-los muito sob pena de mau funcionamento do cache L2.

Claro que poderíamos conseguir frequências elevadas caso desabitássemos o cache L2, o que pode ser feito através do Setup. Porém, neste caso a perda de performance seria tal que o desempenho conseguido em overclock seria inferior ao original, não valendo
à pena.

O normal é conseguirmos com segurança overclocks em torno de 10% nestes processadores. Assim, podemos rodar a versão de 333 MHz a 5x 75 (375 MHz) ou, (caso você esteja usando uma placa mãe com chipset i440BX ou equivalente, que suporte velocidades maiores
de barramento) 3.5x 100 (350 MHz), 3.5x 103 (361 MHz), ou mesmo uma tentativa a 3.5x 112 (392 MHz) sem tanta possibilidade de sucesso.

Como as versões de 350, 400 e 450 MHz tem seu multiplicador travado, podemos subir a velocidade do barramento de 100 para 112 MHz, conseguindo respectivamente 392, 448 e 504 MHz. Para manter o sistema estável com barramento de 112 MHz, porém, é
indispensável o uso de memórias PC-100 de boa qualidade, caso contrário poderemos experimentar instabilidade causada por falhas na memória. Não se esqueça também de configurar a opção “CAS Latency” do Setup com o valor 3.

O Pentium II SL2W8

Originalmente, o Pentium II de 300 MHz era fabricado usando a arquitetura Klamath, a mesma usada nas versões de 233 e 266 MHz, o que não permitia grandes overclocks neste processador devido ao superaquecimento. Atualmente porém, a Intel aposentou
definitivamente a arquitetura Klamath, e está usando a arquitetura Deschutes em todos os processadores em processo de fabricação, incluindo os processadores Pentium II de 300 MHz fabricados recentemente.

A grande maioria destes processadores são capazes de rodar a 450 MHz sem problemas, assim como o Celeron A de 300 MHz, sendo mais um “frisson” entre os fãs do overclock.

Para verificar se um Processador Pentium II de 300 MHz faz parte da nova safra, basta olhar as inscrições em sua face superior. Nos processadores que são capazes de rodar a 450 MHz a primeira linha termina em SL2W8.

Outra maneira de identificar se o processador é capaz de rodar a 450 MHz, é através do código da segunda linha da inscrição (084000304-0237 no exemplo). Os códigos dos processadores capazes de trabalhar a 450 MHz são:

08410777-0390
18320445-0222
98350058-0375
08360251-0059
08360925-0292
08360464-0121
08390903-0341
08400230-0047
08400825-0037
58400084-0447

08400855-0376
08400855-0377
08400857-0095
08410777-0409
08420228-0090 98330891
98360036-0300
98370246-0449 98371197
98370246-0448 98360394

08370433-0315
08390468-0415
08420228-0087 98350289
98360435-0831 05270411
08320296-0266
08370610-0020
08390489-0208
08400137-0140
98370246-0323

08410111-0358
08410111-0342
08410777-0240
08410777-0239
08410708-0043
08410122-0042
08420258-0085
08420228-0027 98360330
98361060-0150

Quanto à voltagem, valem as mesmas regras do Celeron Mendocino de 300 MHz. Apesar de alguns processadores rodarem a 450 MHz sem problemas em sua voltagem original, em outros existe a necessidade de aumentar a voltagem para 2.1 ou 2.2 V, isolando os pinos
ou adquirindo uma placa mãe que permita alterar a voltagem através do Setup, como as Abit BX6 e Abit BH6. Não se esqueça, claro, das memórias PC-100.

Pode parecer estranho que a Intel tenha vendido durante muito tempo processadores que são capazes de trabalhar a 450 MHz, como meros Pentiums II de 300 MHz, a uma fração do preço que poderiam cobrar caso vendessem tais processadores como versões de 450
MHz. Mas, analisando alguns outros fatores, tudo passa a fazer sentido:

Quase metade do custo total de um processador surge com pesquisas e desenvolvimento, não só do processador, mas das máquinas e matérias-primas necessárias para produzi-lo. Para ter um preço competitivo, também é preciso fabricar uma grande quantidade de
peças. Acaba saindo mais barato desenvolver um único projeto de chip, capaz de trabalhar a 450 MHz, produzi-lo em larga escala e vende-lo como versões de 300, 333, 350, 400 e 450 MHz simplesmente travando o multiplicador, do que desenvolver vários
projetos e várias linhas diferentes de produção, uma para cada processador da família.

Esta política foi utilizada pela Intel também durante a fabricação dos processadores Pentium MMX. Com exceção das primeiras séries, todos os processadores 166 e 200 MMX, eram na verdade processadores de 233 MHz, apenas com o multiplicador travado, o que
explica os grandes overclocks possíveis nas versões mais lentas através do aumento da frequência da placa mãe.

Outro fator, é que mesmo numa linha de produção totalmente automatizada, um processador nunca sai exatamente igual ao outro; sempre ocorrem pequenos desvios da ordem de mícrons na soldagem dos vários componentes internos do processador, o que em muitos
casos resulta em um processador que não é capaz de trabalhar estavelmente em sua frequência máxima, mas pode trabalhar sem problemas em frequências mais baixas.

Normalmente este processador acabaria indo para a lata do lixo, mas tendo uma única linha de produção, existe a opção de vender este processador no meio de uma série de clock mais baixo.

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