Outras tecnologias

Além do acesso via ADSL e via cabo, existem outras tecnologias de acesso fixo, mas nenhuma delas possui um volume considerável de usuários no Brasil. A primeira é o acesso via satélite, onde são utilizados satélites de comunicação, cujo sinal é captado por antenas parabólicas e o segundo é o acesso utilizando a rede elétrica.

O acesso via satélite tem dois problemas fundamentais. O primeiro é que a banda oferecida por cada satélite é pequena e o custo de lançar novos satélites é muito alto, o que torna o custo por megabyte de dados transferido muito alto. A banda de cada satélite é compartilhada não apenas por uma rua ou um bairro, como no acesso via cabo, mas por todo um país ou continente.

A segunda é que o sinal precisa percorrer uma grande distância, indo da antena até o satélite (que está em uma órbita estacionária, a 35 mil km de distância da terra) e dele até a estação de transmissão onde estão os roteadores e os links de internet. Isso faz com que a latência da conexão seja muito alta, com um mínimo teórico de cerca de 500 ms e bem mais na prática devido à latência introduzida pelos equipamentos durante as retransmissões do sinal.

Na primeira geração, a transmissão era unidirecional, com o upload feito através de um modem discado, mas na geração atual o acesso é bidirecional. No Brasil o acesso via satélite é oferecido pela Star One, mas o alto custo, instabilidade do serviço e as limitações de banda fazem com que ele só seja viável em áreas rurais, onde nenhuma outra modalidade de acesso estiver disponível.

O crescimento das redes celulares e o barateamento dos planos de acesso rápido tem tornado o acesso via satélite cada vez menos vantajoso, embora novas técnicas de modulação possam aumentar a banda disponível, tornando a tecnologia mais competitiva no futuro.

Em seguida temos o acesso através da rede elétrica, uma tecnologia ainda incipiente, mas que pode vir a se tornar popular no futuro. A tecnologia, batizada de BPL (Broadband over Power Lines), consiste no uso de sinais de alta freqüência (na faixa de 1.6 a 80 MHz) para transmitir dados através da rede elétrica de alta tensão, juntamente com a eletricidade.

Além dos problemas de interferência e de atenuação do sinal a longas distâncias (já que os cabos de eletricidade não são blindados, nem são adequados para a transmissão de dados), existe o problema dos transformadores, que destroem o sinal de alta freqüência. Isso faz com que o sinal de dados percorra a rede elétrica apenas até o transformador da rua e precise ser transmitido de alguma outra forma dele até as residências.

Duas soluções viáveis para solucionar o problema são instalar repetidores junto aos transformadores, criando um caminho separado que permite que o sinal de alta freqüência passe por eles e (talvez mais simples) utilizar transmissores wireless para transmitir o sinal até as residências, usando a rede elétrica apenas como um backbone que leva o sinal até eles.

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Na tecnologia atual, a taxa de transmissão é de 45 megabits, que são divididos entre todos os assinantes conectados ao mesmo segmento de cabo, que engloba todos os assinantes conectados à mesma estação de transmissão. É possível dividir a rede em segmentos menores, assim como é feito no acesso via cabo, aumentando assim a banda total da rede, mas isso exige maiores investimentos.

Embora seja tecnicamente viável, o acesso através da rede elétrica enfrenta a concorrência do ADSL, cabo, acesso via celular e outras tecnologias já disponíveis, o que limita os investimentos na área e coloca em cheque uma eventual implantação do serviço em larga escala.


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Artigo: Entendendo a Internet sob rede elétrica

Discutido há vários anos, o BPL – Broadband over Power Lines, ou PLC – Power Line Communications é nada mais que a injeção de sinais de alta frequência na fiação elétrica, ou seja, usando uma infra-estrutura já existente – e tudo isso possui seus prós e contras. Entenda como funciona esse tipo de conexão à Internet, seu atual status e que benefícios pode trazer – em especial ao Brasil.
Júlio César Bessa Monqueiro
15/03/2007

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