As variações do DVI

Uma observação importante sobre os adaptadores é que existem no mercado alguns adaptadores DVI-D (veja a seguir), que possuem o mesmo formato, mas não usam os 4 pinos. Naturalmente, eles não funcionam, já que eliminam precisamente os pinos usados pelo sinal analógico.

Aparentemente, algum fabricante chinês percebeu que existia demanda por um conector que permitisse ligar monitores VGA em placas com conectores DVI-I e resolveu começar a produzi-lo em massa, ignorando o fato de que ele simplesmente não funciona. Ao comprar adaptadores baratos, cheque sempre a presença dos 4 pinos para não levar gato por lebre:

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O famigerado adaptador DVI-D (à esquerda) e um adaptador DVI-I padronizado, com os 4 pinos

Continuando, o DVI suporta o uso de conexões single-link e dual-link. Cada link de dados é formado por três canais independentes (um para cada cor), de 8 bits e 165 MHz, o que resulta em uma taxa de transmissão de 3.96 gigabits para o DVI single-link e 7.92 gigabits para o DVI dual-link. Assim como no SATA e no PCI Express, para cada 8 bits de dados, são enviados 2 bits adicionais de sincronismo (o que eleva o total bruto para 4.95 e 9.9 gigabits), o que dispensa o uso de um sinal de clock separado.

Uma conexão single-link suporta o uso de até 1600×1200 (com 60 Hz de atualização), enquanto uma conexão dual-link suporta o uso de 2048×1536 (com 75 Hz) ou 2560×1600 (com 60 Hz, que é a taxa de atualização usada pela maioria dos monitores LCD). Como estamos falando de um link digital, existe uma grande flexibilidade. É possível atingir resoluções mais altas reduzindo o refresh rate, por exemplo, mas isso não é muito comum, já que causa perda da fluidez da imagem e, de qualquer forma, ainda não existe muita demanda por monitores com resoluções acima de 2048×1536.

Os cabos single-link possuem duas colunas de pinos a menos, mas são fisicamente compatíveis com os conectores dual-link:

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Conector DVI dual-link (à esquerda) e conector single-link

Embora pareça exagero, muitos monitores de LCD de 30″ já suportam o padrão WQXGA (2560×1600) nativamente, como o Apple 30IN cinema, o HP LP3065 e o Dell 3007WFP. Com a queda nos preços dos monitores LCD, estes monitores se tornarão cada vez mais comuns, atendendo a quem precisa de uma grande área de trabalho para trabalhar com edição de imagens ou CAD, ou simplesmente quer um monitor gigante para aproveitar toda a potência da GPU.

Além do DVI-I, existem também os conectores DVI-D, que carregam apenas o sinal digital, abandonando a possibilidade de usar o adaptador para conectar um monitor antigo. A única diferença visível entre os dois é que o DVI-D não possui os pinos C1, C2, C3 e C4, que são usados pelo sinal analógico:

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Conector DVI-D

As placas com conectores DVI-D ainda são relativamente raras, já que o DVDI-I combina o melhor dos dois mundos, mas o DVI-D pode virar a mesa no futuro, conforme a compatibilidade com monitores antigos for lentamente deixando de ser uma preocupação. Adotar o DVI-D permite que os fabricantes de placas de vídeo e de placas-mãe com vídeo integrado removam o conversor digital/analógico, o que reduz em alguns dólares o custo de produção.

Um exemplo é a Gigabyte GA-MA785GM (baseada no chipset AMD 785G), que oferece um conector DVI-D, complementado por uma saída VGA analógica e uma saída HDMI (que é essencial ao montar um HTPC, já que ela é a interface mais usada nas HDTVs). Ela suporta o uso de dois monitores simultâneos, mas como as saídas DVI e HDMI compartilham as mesmas trilhas da placa, você não pode usá-las simultaneamente:

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É possível ainda ligar uma placa de vídeo com saída DVI a uma HDTV que utilize um conector HDMI. Tanto o DVI quanto o HDMI utilizam o mesmo padrão de sinalização, de forma que é necessário apenas comprar um cabo simples. A limitação neste caso é que a saída DVI não inclui os pinos destinados ao som, de forma que você precisa usar um cabo de áudio separado, ligado à placa de som.

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Cabo DVI > HDMI

Um termo associado ao HDMI é o HDCP (High-Bandwidth Digital Content Protection), uma tecnologia menos nobre, que se destina a “proteger” a indústria cinematográfica dos ladrões de conteúdo (consumidores), promovendo uma forma de proteger e encriptar filmes e seriados em discos Blu-ray.

O que diferencia o HDCP de sistemas anteriores de encriptação, como o CSS usado no DVD, é o fato dele ser bem mais intrusivo, demandando a combinação de um sistema operacional, um software de reprodução, uma placa de vídeo e um monitor compatíveis com o padrão, caso contrário o sinal de alta-resolução é bloqueado em conexões digitais.

Concluindo, muitas placas incluem ainda o conector S-Video, que permite usar uma TV analógica como monitor. A qualidade não é muito boa, já que a placa degrada a imagem para o sinal de 640×480 com 60 Hz (interlaçado ainda por cima) suportado pela TV, mas ainda assim o conector é utilizado por muita gente na hora de assistir filmes e jogar, já que, apesar da baixa qualidade de imagem, a TV é geralmente bem maior do que o monitor. Muitas placas incluem as três saídas, como a GeForce 6200 da foto a seguir, mas nas placas atuais o S-Video deu lugar ao HDMI.

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