Mini-manual do Slackware

Mini-manual do Slackware
O Slackware é a distribuição ideal para PCs com poucos recursos e também para quem procura uma distribuição rápida, estável e personalizável. O Slackware foi desenvolvido desde o início por uma única pessoa, o Patrick Volkerding, que esporádicamente conta coma ajuda de outros desenvolvedores. Ele se encarrega de testar e incluir novos pacotes, aperfeiçoar o instalador e outras ferramentas e, periodicamente, lança uma nova versão incluindo todo o trabalho feito até então.

O Slackware é bastante espartano em termos de ferramentas de configuração. Quase tudo é feito alterando diretamente os scripts de configuração, ou utilizando ferramentas simples. É um pesadelo para qualquer iniciante, mas ao mesmo tempo uma oportunidade única de se aprofundar no uso do sistema. O Slackware é como uma caminhão desmontado, você precisa saber bem mais do que um motorista médio para montá-lo e aprender a lidar com ele, mas em compensação vai ter a chance de montar um caminhão que se adapte perfeitamente às suas necessidades e de quebra aprender bastante.

O Slackware não é destinado a iniciantes, a distribuição simplesmente não tem este enfoque. Boa parte da documentação disponível está desatualizada e existe pouca coisa em Português. A melhor fonte de pesquisa sobre o Slackware são os fóruns, onde você encontrará muito usuários mais antigos que podem ajudar nas dúvidas do dia a dia.

Se você não entende inglês e não gosta de participar dos fóruns eu recomendo que experimente outras distribuições.

O modo mais prático de instalar o Slack é dando boot pelo CD-ROM, assim como no Mandrake e outras distribuições. Isto o colocará diretamente no assistente de instalação, onde poderá particionar o HD, escolher os pacotes a serem instalados, etc. Apesar do instalador do Slackware ser em modo texto, ele é bastante intuitivo e as opções razoavelmente simples.

Ao contrário do que se costuma ouvir, a instalação do Slackware pode ser até mais simples do que a do Mandrake ou Red Hat, o problema é justamente o que fazer depois da instalação. Quase nada é automático: som, impressora, gravador de CDs, tudo precisa ser configurado manualmente depois. O “slack” no nome significa “preguiçoso” no sentido de que o software não fará muita coisa por você. Mas vamos por partes não é mesmo… 😉

A primeira pergunta, feita logo no início do boot é sobre qual Kernel será utilizado. Ao invés de incluir um único Kernel com suporte a tudo habilitado, o Slackware utiliza vários Kernels diferentes, que se adaptam a diferentes configurações de hardware. Isso faz com que cada arquivo fique um pouco menor, o que economiza alguns KB de memória e torna o sistema (hipotéticamente) um pouco mais rápido.

Isso realmente fazia alguma diferença na época em que usávamos micros 486 com 4 MB, mas atualmente é mais uma questão de tradição do que uma vantagem prática.

O lado ruim é que você precisa indicar manualmente qual Kernel deseja usar. O bare.i é o default, com suporte a HDs e CDs IDE e outros periféricos comuns. Para escolhe-lo basta pressionar Enter.

Se você possui uma controladora SCSI, um CD-ROM ligado à porta PCMCIA ou USB, ou outro periférico incomum, você precisará usar um dos Kernels alternativos. Dê uma olhada na pasta Kernel/ do CD-ROM para ver todas as opções disponíveis. Se você possui uma placa SCSI da Adaptec por exemplo, precisa digitar “adaptec.s” ou “scsi.s” para ativar o suporte:
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Na tela a seguir você cai num prompt inicial, da onde pode carregar o programa de instalação (setup), chamar o cfdisk ou fdisk para particionar o HD ou iniciar uma instalação via rede (network). A opção “pcmcia” tenta detectar uma placa de rede PCMCIA, para realizar a instalação via rede.

Eu já usei muito a instalação via rede para instalar o Slackware em micros antigos, sem CD-ROM. Para isso você precisa compartilhar uma pasta com os arquivos de instalação num outro micro da rede via NFS (no Kurumin você pode clicar no Iniciar > Sistema > NFS – Ativar Servidor para criar o compartilhamento). O micro antigo dá boot via disquete, monta este compartilhamento e depois roda o instalador normalmente a partir dele. Logo no início da instalação você terá a opção de escolher entre instalar a partir do CD ou via rede, através do compartilhamento NFS:
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Se você tiver uma rede de 100 megabits, acaba sendo mais rápido do que fazer uma instalação via CD-ROM.
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O programa de instalação pede que você selecione o layout do teclado; particione o HD; criando pelo menos uma partição swap e uma de dados; selecione a partição destino; selecione a fonte (ou seja, a localização dos arquivos de instalação, seja o CD-ROM, uma unidade de rede compartilhada via NFS…); selecionar os pacotes a serem instalados e finalmente iniciar a instalação dos pacotes, o que é feito ao selecionar a opção “Install“. Lembre-se que o instalador do Slackware é um ambiente totalmente multitarefa, você pode abrir vários terminais pressionando as teclas Crtl + Alt + F2 (até o F4). Use este recurso sempre que quiser dar um comando sem precisar sair do instalador:
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Lembre-se que antes de selecionar o “Install” você tem livre acesso a todas as opções, se errar alguma opção ou quiser ler as instruções com mais atenção, basta voltar quantas vezes for necessário. As opções são auto explicativas, por isso creio que não haja necessidade de explicar uma por uma aqui.

Aqui vão algumas dicas sobre as opções que costumam causar dúvidas:

Logo no início da instalação você terá a opção de escolher os softwares a ser instalados, que aparecem divididos em categorias, como “KDE”, “X”, “Gnome, “Development”, etc. Após selecionar as categorias que será instaladas você cai numa nova tela de seleção, desta vez perguntando como quer escolher quais pacotes instalar dentro de cada categoria.

A opção “Full” é a mais rápida, você simplesmente instala todos os pacotes dentro das categorias marcadas. A opção “Menu” é a ideal para fazer um ajuste fino, pois você poderá escolher quais pacotes instalar dentro de cada categoria através de um sistema de menus.

A opção “Newbie” é uma espécie de pegadinha, talvez algum tipo de piada de humor negro. Esta opção simplesmente vai mostrando as descrições dos mais de 1.000 pacotes disponíveis e vai perguntando (um por um!) quais vão ser instalados. É um exercício de paciência para aqueles finais de semana chuvosos, talvez.
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Lá pelo final da instalação você terá a opção de habilitar o hotplug, um recurso “novo”, incluído apenas a partir do Slackware 9.1. O hotplug detecta dispositivos US, PCMCIA e Firewire, ajudando bastante na configuração de impressoras, scanners e câmeras digitais, placas de rede PCMCIA, etc. além de gerenciar a conexão e desconexão destes periféricos.
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Mais adiante você poderá habilitar o uso do frame-buffer, que melhora bastante o aspecto do terminal de modo texto e permite usar resolução maiores. Esta configuração não afeta o modo gráfico (a menos que você configure o X para usar o módulo “fb”), as duas configurações são separadas.

A maioria das placas de vídeo suporta 1024x768x64k, mas alguns modelos, como as GeForce 4MX suportam apenas 800×600. apenas algumas placas antigas não suportam este recurso. Ao usar uma resolução não suportada você verá uma mensagem de erro durante o boot, mas nada que impeça a inicialização normal.

Esta opção pode ser alterada posteriormente editando o arquivo de configuração do lilo (/etc/lilo.conf) procure pela linha “vga=
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Na hora de gravar o lilo você terá a opção de gravá-lo na MBR (caso o Slackware seja o sistema principal ou esteja sozinho no HD) no primeiro setor da partição (Root), caso você esteja instalando o Slackware junto com outras distribuições e prefira configurar uma delas para chamar o Slackware.
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Se você já instalou qualquer outra distribuição antes, não terá problemas com o Slackware. Pelo contrário, o instalador é um dos mais robustos que já ví, roda tanto num 486 quanto num Pentium 4 e muito raramente dá qualquer tipo de problema. Por outro lado, ele segue a filosofia “slack” e também não faz muito para corrigir os erros do usuário, pense duas vezes antes de dar Enter numa opção sem ler o texto da janela 😉

Se o PC não for capaz de dar boot pelo CD-ROM, você ainda terá a opção de usar os disquetes de boot. O Slackware é bem completo neste quesito, incluindo nada menos de 20 disquetes de boot diferentes, encontrados na pasta /bootdisks do CD de instalação. Tem disquete com suporte a RAID, SCSI, PCMCIA, USB, CD-ROMs antigos com interfaces proprietárias e assim por diante. O disquete bare.i é o mais comum, pois permite instalar a partir de um CD-ROM IDE ou de uma pasta do HD, enquanto o lowmem.i permite instalar em PCs com pouca RAM, a partir de 4 MB.

Além do disquete de boot, você precisará dos 5 (isso mesmo, cinco 🙂 disquetes do rootdisk, encontrados na pasta /rootdisks do CD. Até o Slackware 8.0 o rootdisk era um único disquete, com uma imagem compactada do programa de instalação, mas a partir do 8.1 o programa cresceu a ponto do Patrick optar por dividí-lo em cinco disquetes não compactados. Para fazer uma instalação via rede, você precisará ainda do network.dsk (placas de rede PCI e ISA) ou do pcmcia.dsk (placas PCMCIA).

O particionamento do disco pode ser feito através do fdisk ou do cfdisk. O segundo é mais indicado, pois oferece uma interface pseudo-gráfica, muito mais amigável:
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Você deverá chamar o cfdisk a partir do modo de comando. O comando para chamá-lo é “cfdisk HD_destino”, como em “cfdisk /dev/hda”, “cfdisk /dev/hdb” ou “cfdisk /dev/sd0” (para um HD SCSI). Se você tiver mais de um HD, cada um deverá ser particionado separadamente.

Lembre-se que mesmo dentro do programa de instalação, você pode chamar o cfdisk pressionando Crtl + Alt + F2 para mudar para o segundo terminal. Depois de particionar, pressione Crtl + Alt + F1 para voltar ao programa de instalação.

O cfdisk não formata o HD, apenas cria a tabela de partições (assim como o fdisk do DOS) Você terá a opção de formatar as partições com o sistema de arquivos desejado no decorrer da instalação. De qualquer forma, se você desejar criar novas partições mais tarde, pode usar os comando “mke2fs” (para formatar em EXT2) e “mkreiserfs” (para formatar em ReiserFS). A sintaxe dos comandos é comando partição_destino, como em “mke2fs /dev/hda1” ou “mkreiserfs /dev/hdb3”. Para formatar partições em EXT3 o comando é “mke3fs”

Para detectar e configurar a placa de rede antes ou durante a instalação, mude para um terminal, como fizemos para usar o cfdisk e chame os comandos:

# network

(para placas de rede ISA ou PCI)

# pcmcia

(para placas PCMCIA)

O programa se encarregará de detectar a sua placa de rede.

O instalador se oferecerá ainda para configurar o modem. Infelizmente, o suporte se limita aos hardmodems e modems externos. Se você possui um softmodem, deve responder que não possui modem e depois instalar os drivers manualmente. No capítulo 4 veremos com mais detalhes como instalar softmodems no Linux.

No finalzinho da instalação, o instalador tentará detectar sua placa de vídeo e perguntará sobre a resolução de tela que seja utilizar, se deseja inicializar o sistema em modo gráfico ou em modo texto e, finalmente, qual gerenciador de janelas deseja utilizar por default.

Uma outra pergunta importante é se você seja ou não habilitar o frame-buffer. Este recurso melhora o desempenho do modo gráfico e permite que você utilize resoluções maiores também no modo texto (mais caracteres na tela e a possibilidade de ver gráficos, usando programas como o seejpeg). Quase todas as placas modernas suportam este recurso porém, alguns modelos de placas, com destaque para as Trident 9680 e 9440 não o suportam.

Configurando o vídeo

O Slackware não configura automaticamente o vídeo durante a instalação. Ao invés disso ele utiliza um arquivo de configuração “genérico” que acaba funcionando na maioria dos micros.

Durante a instalação você tem a opção de utilizar o frame-buffer, um recurso que permite o sistema manipule diretamente a memória de vídeo para mostrar imagens na tela. O frame-buffer permite utilizar o modo gráfico sem precisar utilizar um driver de vídeo. O sintoma de que ele está ativado é o pinguin colorido que aparece no canto superior da tela durante o boot.

O arquivo de configuração padrão do Slackware simplesmente utiliza esta mesma configuração para rodar o modo gráfico, o que acaba funcionando na maioria das máquinas. Nestes casos ao digitar “startx” o KDE (ou outro gerenciador de janelas que tenha escolhido durante a instalação) já será aberto automaticamente.

Embora funcione, o frame-buffer não oferece um desempenho muito bom, por isso é recomendável configurar o vídeo indicando um driver otimizado para a placa de vídeo, além de ajustar a resolução e a taxa de atualização do monitor para os valores que você costuma utilizar.

A partir do Slackware 9.0 você pode utilizar o kxconfig, que é um configurador gráfico incluído no KDE que é bem fácil de usar. Ele pode ser tanto chamado dentro do modo gráfico (se ele já estiver funcionando), quanto a partir do modo texto.

Ao ser chamado a partir do modo texto ele utiliza um driver VGA genérico de 16 cores que funciona em qualquer placa de vídeo para abrir a janela gráfica de configuração.

A segunda opção é o xf86cfg, outro configurador gráfico, um pouco mais simples que o kxconfig que também pode ser chamado a partir do modo texto, caso o seu vídeo não esteja funcionando.

Uma última opção é o xf86config, uma ferramenta de configuração rudimentar, em modo texto que está disponível desde as primeiras distribuições (veja a descrição abaixo :).

Utilitários e comandos

Aqui estão as ferramentas de configuração incluídas no Slackware. Todos estes programas rodam em modo texto, caso o sistema tenha sido configurado para inicializar direto em modo gráfico, pressiona Ctrl + Alt + F6 para mudar para o terminal:

  • pppsetup : Configuração do modem e regras de discagem.
  • netconfig : Configuração da placa de rede.
  • liloconf : Utilitário de configuração do lilo
  • xwmconfig : Para alterar a interface gráfica que é inicializada com o comando startx. O comando só permite escolher entre as interfaces instaladas e não instalar/desinstalar.
  • timeconfig : Altera o fuso-horário do micro.
  • fontconfig : Altera o tamanho e tipo de fonte do modo texto. É uma mão na roda se você é do tipo que prefere fazer tudo em modo texto 🙂
  • setup.cdrom : Detecta e instala o drive de CD-ROM.
  • mouseconfig : Configura o mouse.
  • xf86config : O bom e velho configurador do X em modo texto. O xf86config é na verdade um wizzard, que faz uma série de perguntas, incluindo o tipo de mouse e porta onde ele está instalado, layout e linguagem do teclado, resolução e taxa de atualização do monitor, chipset da placa de vídeo, além da resolução e profundidade de cores desejadas e utiliza as respostas para editar o arquivo /etc/XF86Config. Terminada a configuração, chame o “startx” para testar o modo gráfico. Se ele voltar um erro qualquer, não desista, rode o xf86config novamente, desta vez tentando outro chipset de vídeo ou uma resolução mais baixa. O xf86config é encontrado em praticamente todas as distribuições, por isso é interessante aprender a trabalhar com ele.

Instalação de programas

O Slackware trabalha com um formato próprio de pacotes, o .tgz, que são basicamente pacotes com os programas pré-compilados, junto com um script de instalação que especifica os diretórios para onde os arquivos devem ser copiados, providencia a criação dos arquivos de configuração necessários, etc. É um sistema simples e funcional, assim como o restante da distribuição 🙂

Para gerenciar os pacotes instalados o Slackware conta com o pkgtool, um utilitário de modo texto que permite instalar e remover pacotes, verificar o conteúdo dos pacotes instalados, etc. Basta chama-lo num terminal, como root:

# pkgtool

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Ao baixar um pacote .tgz qualquer, você também pode instalá-lo diretamente usando o comando:

# installpkg nome_do_pacote.tgz

Para remover o nome de um pacote, que você saiba o nome, use o comando:

# removepkg nome_do_pacote.tgz

Para instalar uma versão mais recente de um pacote, atualizando a versão atualmente instalada no sistema, o comando é:

# upgradepkg nome_do_pacote

Os pacotes .tgz são muito menos comuns do que os pacotes .rpm, usados pelo Red Hat, Mandrake, Conectiva e outras distribuições e que os pacotes .deb, usados no Debian. Geralmente você só encontrará pacotes .tgz no próprio FTP do Slackware, nos CDs de instalação (naturalmente 🙂 e em alguns sites de usuários. O mais comum é encontrar os programas disponibilizados apenas em código fonte, os pacotes .tar.gz e em formato .rpm.

Os pacotes .tar.gz podem ser instalados em qualquer distribuição Linux mas, como precisam ser compilados, a instalação é mais demorada e um pouco mais complicada, pois muitas vezes você terá de lidar com a falta de bibliotecas necessárias para a compilação, problemas de compatibilidade do gcc, etc. Para facilitar, temos mais um utilitário, o rpm2tgz, que permite converter um pacote .rpm para o formato do Slackware.

Basta usar o comando:

# rpm2tgz nome_do_pacote.rpm

… para que ele gere um arquivo .tgz no mesmo diretório, que pode ser instalado usando o installpkg. Note que o rpm2tgz nem sempre funciona adequadamente, às vezes os pacotes simplesmente não instalam, ou dão algum tipo de erro qualquer.

Nestes casos, você precisará mesmo compilar os pacotes .tar.gz. Note também que ao contrário do urpmi do Mandrake ou do apt-get do Debian, o Slackware não oferece nenhum sistema de controle de dependências, ou seja, muitas vezes você terá que pesquisar na página do desenvolvedor de quais outros pacotes o programa X precisa para funcionar, baixa-los e instala-los para só depois poder utilizar o programa.

Por não ser baseado num utilitário gráfico, o sistema de gerenciamento do Slackware parece um pouco desconfortável no início, mas com a prática ele se revela bastante eficiente. Por exemplo, para instalar a versão mais recente do blackbox (uma interface gráfica peso-leve) você visitaria o http://www.slackware.com e acessaria um dos mirrors listados na página “Get Slack”.

O pacote do blackbox está na pasta extra/. Enquanto escrevo o pacote disponível é o “blackbox-0.62.1-i386-1.tgz“. Note que o “0.62.1” no nome corresponde à versão, é por esse número que você pode saber se o pacote é mais recente ou não que o que você já tem instalado por exemplo.

Depois de baixar o pacote, bastaria acessar o diretório onde ele foi salvo, e dar o comando (como root):

# installpkg blackbox-0.62.1-i386-1.tgz

Depois de instalá-lo, você pode chamar o:

# xwmconfig

Para transformá-lo no seu gerenciador de janelas default.

Se por acaso amanhã aparecer uma versão mais recente, a “blackbox-1.0.1-i386-1.tgz” por exemplo, você usaria o:

# upgradepkg blackbox-1.0.1-i386-1.tgz

Para atualizar a versão que tiver instalada, mantendo todas as configurações.

Se depois você se cansar dele e resolver mudar para outra interface, o KDE por exemplo, poderia usar o:

# removepkg blackbox-1.0.1-i386-1.tgz

Para sumir com ele do mapa. Se você não se lembrar do nome do pacote (o que é mais provável… 🙂 bastaria chamar o pkgtool, acessar a opção Remove e selecionar o pacote na lista.

Na grande maioria dos casos, o comando para chamar um programa é o próprio nome do pacote: “opera”, “netscape”, “kwrite”, “endeavour” etc. Infelizmente os programas no Linux ainda não têm o saudável hábito de criar atalhos no iniciar dos gerenciadores de janelas, fazendo com que o próprio usuário precise criar o atalho manualmente depois de instalar um novo programa.

Um bom pacote para instalar primeiro é o portuguese, um pacote que resolve o problema do slackware 8.0 e 8.1 com a acentuação em Português.

Eu coloquei uma cópia do arquivo no link abaixo para o caso da página estar fora do ar:

http://www.downloads-guiadohardware.net/download/portuguese-2.2-noarch-3.tgz

Para adicionar novos usuários no sistema (já que é saudável não utilizar o root para uso normal) utilize os comandos “adduser novo_usuario” e “passwd novo_usuario“.

Onde estão os pacotes?

No Slackware, todos os pacotes da distribuição estão organizados diretório único, que contém os pacotes da distribuição propriamente ditos, pacotes extras que podem ser instalados manualmente depois de concluída a instalação, disquetes de boot, vários Kernels pré-compilados, etc. Tem até uma versão especial do Slackware, o ZipSlack que cabe em um único disco Zip.

Você pode encontrar os pacotes do Slackware no http://www.slackware.com/getslack/

Na página estão listados vários mirrors. Alguns sempre estão lotados, mas bastam algumas poucas tentativas para encontrar um rápido.

Dentro de cada mirror temos os pacotes inicialmente divididos por versão do Slackware, 8.0, 8.1, etc. em alguns deles você encontrará também versões antigas do Slackware, que podem ser úteis em micros antigos. A pasta “slackware-current” contém a versão de desenvolvimento do Slackware, onde você poderá encontrar as versões mais atualizadas dos pacotes, mas sem garantia de estabilidade.

Existe ainda a opção de baixar os pacotes individualmente, escolhendo apenas os que você realmente deseja instalar (ideal para quem acessa via modem) ou baixar um ISO pronto. A maior vantagem do ISO é que você já tem o pacotão pronto, com boot via CD e tudo mais. Basta gravar num CD e reiniciar o micro para começar a instalação.

Baixando manualmente os pacotes você teria que criar “na raça” o boot do CD-ROM, ou então usar disquetes de boot.
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O problema é que a partir da versão 7 (se não me engano) a árvore de pacotes do Slackware ficou grande demais para caber num único CD. A partir daí, os ISOs não incluem mais todos os pacotes, mas apenas os pacotes principais (a pasta /slackware) e outros grupos mais comuns.

No ISO do Slackware 8.1 por exemplo, não temos nem os disquetes de boot, o ZipSlack, a pasta de pacotes extras, entre outras coisas. Ou seja, mesmo instalando o Slackware via CD, pode ir se acostumando a visitar o FTP de vez em quando… 🙂
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As pastas do diretório da versão 8.1 do Slackware são:

  • bootdisks/ – As imagens dos vários disquetes de boot do Slackware que vimos acima.
  • extra/ – Aqui estão pacotes populares, mas que não foram incluídos no diretório de instalação do Slackware por questão de espaço. Esta pasta inclui por exemplo o Blackbox e o Xcdroast.
  • isolinux/ – Aqui estão carregadas as imagens carregadas ao dar boot via CD-ROM.
  • kernels/ – Um dos diferenciais do Slackware é que ao invés de ter um único Kernel “tamanho único” que vem com quase tudo ativado, como no Mandrake e outras distribuições, temos vários Kernels diferentes, o bare.i que é o mais usado, incluindo suporte a HDs IDE e outros dispositivos mais comuns e vários outros, destinados a PCs com periféricos menos comuns, como placas SCSI, periféricos USB, RAID, etc. A desvantagem é que a escolha fica por conta do usuário, exigindo um certo conhecimento sobre o Hardware do PC e os recursos de cada Kernel.
  • pasture/ – Aqui estão pacotes de versões antigas do Slackware, que deixaram de fazer parte da versão atual, mas que ainda podem ser úteis para alguns usuários. Temos por exemplo alguns drivers de placas de vídeo que deixaram de ser suportadas no XFree 4.2 e o Wu-FTP.
  • rootdisks/ – As imagens dos rootdisks, usados no boot via disquete.
  • slackware/ – A pasta principal do Slackware (veja abaixo).
  • source/ – Os fontes de todos os pacotes incluídos na distribuição. Útil basicamente para desenvolvedores, já que os pacotes pré-compilados são muito mais fáceis de instalar.
  • zipslack/ – O mini-slackware para discos Zip. Tem 95 MB de programas, incluindo vários editores, servidores, etc. Mas sem direito a interface gráfica.

Dentro da pasta slackware/, temos os softwares divididos nas categorias abaixo. Você pode escolher quais categorias deseja instalar durante a instalação.

  • a/ – Os pacotes essenciais do Slackware, que somam cerca de 50 MB na versão 7.1 e 100 MB na versão 8.1. O sistema já funciona só com estes pacotes, mas sem interface gráfica, poucos programas além de um processador de textos e nem conectividade de rede. Tudo isso é adicionado com os pacotes das categorias seguintes.
  • ap/ – Aplicativos de modo texto, como o links, mc, mutt, etc. São todos bem leves, ideais para uso em micros antigos.
  • d/ – Compiladores e bibliotecas necessários para poder instalar programas a partir do código fonte, como o GCC, make, etc. Juntos, os pacotes desta categoria somam mais de 200 MB.
  • e/ – O Editor (com E maúsculo 🙂 EMacs. Ele oferece recursos fantásticos para programadores, mas tem pouca utilidade para usuários. Ocupa cerca de 25 MB.
  • f/ – Uma coleção de FAQs sobre o Slackware. Opcional.
  • gnome/ – Os pacotes que compõe o Gnome, incluindo também programas baseados na biblioteca GTK+ como o Abiword, Gimp, Evolution, Galeon, etc.
  • k/ – O código fonte de Kernel, necessário se você precisar recompilar o Kernel para otimizá-lo ou ativar algum recurso.
  • kde/ – Os pacotes do KDE, a interface gráfica mais usada no Linux atualmente. A pasta inclui ainda programas baseados na biblioteca QT, como o Koffice, Kdevelop, Konqueror, etc.
  • kdei/ – Os pacotes de internacionalização, necessários para adicionar suporte a Português do Brasil e a outras línguas no KDE.
  • l/ – Bibliotecas extras que são necessárias para vários programas, incluindo tanto o KDE quanto o Gnome. Não é recomendável desmarcar esta categoria, a menos que você tenha certeza que os programas que você pretende usar não precisam de nenhuma destas bibliotecas.
  • n/ – Conectividade de rede. Inclui o protocolo TCP/IP, suporte a discagem, Samba, Apache FTP, Sendmail e outros servidores, clientes de e-mail, IRC, etc.
  • t/ – Editores LaTex, muito usados no meio acadêmico.
  • tcl/ – Pacotes do TCL/tk, desnecessários na grande maioria dos casos.
  • x/ – Os pacotes do Xfree. Necessários a menos que você pretenda trabalhar apenas em modo texto 🙂 Além do Xfree86, o pacote principal, temos pacotes de fontes (recomendável instalar todos. Temos ainda os pacotes de documentação e pacotes de código fonte, que são opcionais.
  • xap/ – Aqui temos tanto alguns gerenciadores de janela alternativos, como o WindowMaker e o FVWM, quanto programas como o Mozilla e o Netscape, que não necessitam nem do KDe nem do Gnome para rodarem. Note que apesar disso, o Mozilla precisa do GTK+ e algumas outras bibliotecas da categoria l.
  • y/ – Alguns jogos simples derivados do BSD.

Se você tiver um HD grande e não se importar em sacrificar cerca de 1 GB, você pode simplesmente fazer uma instalação completa do Slackware. Não faz muita diferença do ponto de desempenho, pois mesmo instalados, os vários servidos e servidores ficarão desabilitados por default. Ou seja, só ocuparão um pouco mais de espaço em disco.

Além de não ter a preocupação de ter de ficar imaginando quais pacotes você precisa ou não (acredite, nem quem trabalha diariamente com Linux conhece a função de todos os pacotes incluídos numa distribuição atual), você vai ter uma facilidade muito maior em usar o sistema e, principalmente, instalar novos programas, já que todas as bibliotecas e outros componentes eventualmente necessários já estarão à mão.

Ativando e desativando serviços

No Mandrake você usaria o Mandrake Control Center, no Red Hat usaria o centro de controle, mas no Slackware você precisa mesmo por a mão na massa para ativar ou desativar qualquer coisa. Se você tem medo do modo texto, ainda há tempo de mudar para outra distribuição… 🙂

Tudo se concentra nos arquivos de configuração encontrados no diretório /etc. Aqui está por exemplo o proftpd.conf e o apache.conf, os arquivos de configuração que controlam respectivamente o servidor Web e FTP, além do fstab (configuração das partições de disco e outros sistemas de arquivos montados durante o boot), resolv.conf (onde fica a configuração dos servidores DNS usados para acessar a internet) e outros arquivos de configuração do sistema.

O Slackware mantém poucos serviços habilitados por default, daí a inicialização rápida. Mesmo assim, você pode desabilitar coisas como o servidor FTP e o Telnet, editando o arquivo /etc/inetd.conf. Se você não for utilizar nenhum serviço em especial, ou o micro for ser utilizado apenas como um cliente de rede, você pode tranqüilamente desativar todos os serviços do inetd, o que pode ser feito comentando (adicionando uma # no início da linha) as linhas do arquivo referentes a cada um. Os arquivos de configuração do slackware são bem comentados, o que diminui a dificuldade em lidar com eles.

Todos estes arquivos de configuração servem uma lógica muito simples. Eles são na verdade scripts, que são executados durante o boot do sistema. Cada linha é um comando que carrega algum serviço ou outro componente do sistema. Para desativar um determinado serviço você precisa apenas comentar (adicionando uma # no início da linha) e retirá-la caso queira ativá-lo novamente. Você encontrará muitas linhas já comentadas, que são justamente serviços disponíveis no sistema mas que não são ativados por default.

Veja por exemplo as linhas do arquivo /etc/inetd.conf que carregam os servidores de FTP e Telnet:

# File Transfer Protocol (FTP) server:
ftp stream tcp nowait root /usr/sbin/tcpd proftpd
#
# Telnet server:
telnet stream tcp nowait root /usr/sbin/tcpd in.telnetd

Configurando a placa de som e rede

Dentro do diretório /etc/rc.d temos mais alguns arquivos interessantes, como o rc.modules, onde ativamos ou desativamos o suporte a dispositivos, simplesmente comentando e descomentando as linhas referentes a eles. Esse arquivo tem nada menos que 680 linhas (calma, poderia ser pior…) mas está dividido em seções, como “USB Support”, “Sound Support”, “Ethernet Cards Support”, etc. o que já facilita um pouco as coisas.

Tudo o que você tem a fazer é descobrir qual módulo sua nova placa de som ou de rede utiliza e descomentar a linha correspondente.

O primeiro passo é verificar qual é o chipset da placa de som instalado no seu micro. Use o comando: grep Multimedia /proc/pci :

[root@Spartacus etc]# grep Multimedia /proc/pci
Multimedia audio controller: Creative Labs SB Live! EMU10k1 (rev 8).

Dentro da pasta /usr/src/linux/Documentation/sound você encontrará alguns tutoriais que explicam quais módulos se referem a cada modelo de placa, além de outras instruções necessárias para ativar o suporte. Por exemplo, a linha:

#/sbin/mdprobe cs4281

…dentro da categoria “Sound Support”, ativa o suporte a placas de som com o chipset Crystal CS4281. A linha:

#/sbin/modprobe sb io=0x220 irq=5 dma=3 dma16=5 mpu_io=0x300

… um pouco acima ativa o suporte à placas Sound Blaster 16, AWE 32 e AWE 64 ISA, enquanto a linha:

#/sbin/modprobe emu10k1

… ativa o suporte à todas as placas Sound Blaster Live! PCI. Não é complicado. Basta descomentar a linha, salvar o arquivo e reiniciar o micro para que a placa seja ativada no próximo boot. Não é preciso instalar nenhum driver pois eles já estão incluídos diretamente no Kernel 🙂

Por questões de segurança, o default do Slackware é que apenas o root tem permissão para usar a placa de som. Lembre-se que uma das grandes preocupações da distribuição é justamente com a segurança. Mas, isto pode ser facilmente corrigido. Abra um terminal, digite “su” (seguido da senha naturalmente 🙂 para virar root e tecle os comandos:

# chmod +666 /dev/dsp
# chmod +666 /dev/mixer

Prontinho, agora todos os usuários podem usar o som. Lembre-se que a tralha no início das linhas indicam apenas que os comandos devem ser dados como root, não fazem parte do comando.

O mesmo se aplica ao modem que por default também só pode ser usado pelo root. Para “destravá-lo”, use o comando:

# chmod +666 /dev/modem

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A partir do Slackware 9.1 os drivers Alsa vem instalados por padrão, o que simplifica bastante a configuração do som. Você precisa apenas chamar o “alsaconfig” (como root) para que a placa seja detectada e configurada:

A configuração da placa de rede pode ser feita rapidamente usando o netconfig, um utilitário que pergunta o endereço IP e outros dados da rede e no final se encarrega de detectar a placa de rede a ativar o módulo correspondente. Mas, de qualquer forma, a raiz de tudo continua sendo o arquivo /etc/rc.d/rc.modules. Assim como no caso da placa de som, você pode ativar sua placa de rede simplesmente descomentando a linha corretamente. É justamente isso que o netconfig faz. Por exemplo, a linha:

#/sbin/mdprobe rtl8139

… ativa suporte à placas de rede com chipset Realtek 8129/8139 e assim por diante.

Em caso de dúvida, você pode até mesmo ativar mais de um módulo dentro de cada categoria. Isso tornará a inicialização mais lenta, consumirá mais memória, etc. mas pelo menos ajudará você a achar o módulo correto para a sua placa. O endereço IP, máscara de sub-rede, etc. São gravados no arquivo /etc/rc.d/inet1 e os endereços de DNS do provedor (caso necessário) vão para o arquivo /etc/resolv.conf.

Se você começar a fuçar nestes e outros arquivos de configuração encontrados dentro da pasta /etc vai começar a entender como o Linux funciona e o que exatamente fazem os programas de configuração. Com um pouco de prática você vai começar a vir aos arquivos justamente para corrigir erros dos configuradores 🙂

Mais um arquivo interessante é o /etc/rc.d/rc.4, carregado caso você tenha configurado o micro para inicializar direto na interface gráfica. Aqui você pode escolher o gerenciador de login entre o KDE (do KDE) o GDM (do Gnome) ou o XDM (o mais simples). O KDM é o default, porém ele carrega junto algumas das bibliotecas do KDE, o que torna a inicialização mais lenta e consomem memória RAM. Se você está usando um PC mais lento, experimente usar o XDM, que não é tão bonito, mas em compensação consome só 200 KB de memória e carrega em menos de dois segundos 🙂

Considere este um exercício que será útil para entender outros arquivos similares. Este é um cut and paste do conteúdo do arquivo:

# Tell the viewers what’s going to happen…
echo “Starting up X11 session manager…”

# KDE’s kdm is the default session manager. If you’ve got this, it’s the one to use.
if [ -x /opt/kde/bin/kdm ]; then
exec /opt/kde/bin/kdm -nodaemon

# GNOME’s session manager is another choice:
elif [ -x /usr/bin/gdm ]; then
exec /usr/bin/gdm -nodaemon

# If all you have is XDM, I guess it will have to do:
elif [ -x /usr/X11R6/bin/xdm ]; then
exec /usr/X11R6/bin/xdm -nodaemon
fi

# error
echo “Hey, you don’t have KDM, GDM, or XDM. Can’t use runlevel 4 without”
echo “one of those installed.”
sleep 30
# All done.

As linhas com # são só comentários para explicar o que está acontecendo. As linhas começadas com o comando “echo” são mensagens que são escritas na tela, durante o boot. Você pode substituí-las pelas suas próprias mensagens se quiser. Por exemplo, sabe o texto que aparece no menu de inicialização do lilo, durante o boot? Você pode edita-lo no arquivo /boot/lilo.conf. Escreva o que quiser e digite “lilo” para regravar o arquivo na trilha MBR do HD.

Mas, voltando ao que interessa, o script em sí começa na linha “if” e termina na linha “fi“. O que ele faz é procurar na ordem pelo KDM, em seguida pelo GDM e por último pelo XDM, inicializando o primeiro que encontrar.

Para fazer com que o XDM seja sempre inicializado por default, você precisa apenas “matar” o scrip, fazendo com que ele pare de procurar pelo outros e inicialize direto o XDM. Para isso, basta comentar todas as linhas, deixando apenas a “exec /usr/X11R6/bin/xdm -nodaemon”.

Para terminar, no arquivo /etc/rc.d/rc.inetd2 temos inicializados mais alguns serviços, como o NFS e o SSH que também podem ser desativados caso você não pretenda utilizá-los. O procedimento é o mesmo, simplesmente comentar as linhas do que você não quiser carregar durante a inicialização. Se estiver dentro da interface gráfica, experimente chamar estes arquivos usando o xedit, um editor simples que é instalado por default (xedit arquivo_a_ser_editado). No modo texto você pode utilizar o vi. No próximo capítulo veremos alguns instruções básicas de como trabalhar com ele.

Não se preocupe por não saber a função de cada serviço. Veremos o que cada um faz no capítulo 4. A idéia aqui é apenas dar uma visão geral sobre a função dos principais arquivos de configuração do Slackware.

A facilidade em encontrar e configurar os scripts é justamente o principal motivo de tantos usuários utilizarem o Slackware. Apesar de à primeira vista ele parecer complicado, para quem tem o costume de configurar o sistema “à moda antiga”, o Slackware se revela muito mais simples. Os scripts estão muito melhor organizados e muito melhor comentados do que em outras distribuições. O Slackware é provavelmente a melhor distribuição para quem está começando e quer estudar a fundo o sistema com a ajuda de um bom livro como por exemplo o “Dominando o Linux” da Ed. Ciência Moderna.

Este conhecimento dos scripts e utilitários do sistema vai ser útil também ao solucionar problemas em outras distribuições. Já que apesar de às vezes serem encontrados em locais diferentes, os scripts são basicamente os mesmos em qualquer Linux.

Atualização: A partir do Slackware 9.0 foi incluído o hotplug, que cuida da detecção de componentes como a placa de som, rede e periféricos USB. Isto significa que muitas coisas que antes precisavam ser feitas manualmente, como configurar a placa de som passaram a ser feitas automaticamente durante a instalação.

O hotplug também faz um bom trabalho com a detecção de impressoras e scanners USB. Caso os periféricos sejam compatíveis, você precisará apenas configurar a impressora no kaddprinterwizzard (ou outro aplicativo que domine), enquanto o scanner pode ser configurado com a ajuda do xsane.

Como instalar o gravador de CDs

Este é um problema comum dos usuários do Slackware. Como instalar o gravador de CDs? Apesar dele não ser detectado automaticamente, bastam dois cuidados durante a instalação para que em poucos minutos você esteja queimando seus CDs.

Logo depois de terminada a instalação dos pacotes, o instalador perguntará sobre qual kernel você deseja usar.

Escolha a opção “cdrom – Use a kernel from the Slackware CD” e em seguida escolha o kernel “scsi.s“.
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No Linux, todos os gravadores de CD, sejam IDE ou SCSI são acessados através do módulo SCSI, por isso é indispensável ter suporte a ele no kernel.

Logo depois, o instalador perguntará se você deseja passar parâmetros ao kernel, oferecendo uma linha em branco. Esta é a parte mais importante, onde você deverá informar a ele que possui um gravador de CD e aonde ele está instalado.
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Se o seu gravador estiver instalado na segunda IDE da placa mãe, então ele será reconhecido como hdc (secondary master) ou hdd (secondary slave). Caso esteja instalado junto com o HD, na primeira IDE, então ele estará como hdb.

Preencha a linha com o parâmetro:

hdc=ide-scsi

Substituindo o “hdc” pela localização correta do gravador caso necessário. Prontinho, terminada a instalação você já poderá queimar seus CDs usando o xcdroast ou o programa de sua preferência.

Esta linha é incluída no arquivo /etc/lilo.conf. Caso você mude a posição do gravador (coloque-o como hdd por exemplo) basta editar o arquivo, alterando a linha

append=”hdc=ide-scsi”

Se por acaso você instalar um segundo gravador, como hdb por exemplo, basta novamente editar o arquivo, inserindo uma segunda linha com a localização do novo gravador logo abaixo da primeira:

append=”hdc=ide-scsi”
append=”hdb=ide-scsi”

Note que isso só é necessário para gravadores IDE. Para gravadores SCSI basta instalar o kernel com suporte a SCSI para que o gravador seja reconhecido automaticamente.

Usando o Swaret

O Swaret é um gerenciador de pacotes para o Slackware que tenta emular a funcionalidade do apt-get (do Debian) e do urpmi (do Mandrake), oferecendo-se para baixar os pacotes desejados, com a opção de já verificar as famosas dependências, ou seja, se o pacote desejado precisa de outros para funcionar, com a opção de já instalar a turma toda de uma vez. Ele não é tão robusto quanto o apt-get ou o urpmi, ele utiliza uma base de pacotes muito menor e o sistema de verificação de dependências é implementado de uma forma bastante precária através de um banco de dados, já que os pacotes do Slackware não oferecem este recurso. Mesmo assim, o Swaret ajuda bastante 🙂

O programa não vem pré-instalado, mas você pode baixar e instala-lo em qualquer versão do Slackware a partir do 8.1, ele detecta a versão durante a instalação e passa a utilizar os pacotes adequados automaticamente.

A página oficial é a: http://swaret.sourceforge.net/

Na seção de download estão disponíveis os pacotes .tgz, já prontos para instalar. Você só precisa baixa-los para uma pasta no HD e usar o comando installpkg, como em:

# installpkg swaret-1.3.1-noarch-8.tgz

Uma vez instalado, conecte-se na Internet e rode o comando “swaret –update” para que ele baixe a lista dos pacotes disponíveis e a tabela das dependências. Sem isso o programa não tem como fazer nada 🙂

Terminado você já pode sair instalando os programas. Para instalar o Gimp por exemplo, use o comando: “swaret –install gimp

Para instalar programas compostos de vários pacotes, como por exemplo o KDE e o Gnome, você pode adicionar uma barra no final do comando, ao usar por exemplo “swaret –install gnome/“, o programa irá instalar todos os pacotes dentro da pasta gnome/ no FTP do Slackware.

Para verificar e instalar as dependências de um pacote instalado (use se o programa não estiver funcionando por exemplo) use o comando “swaret –dep gimp

Para atualizar um pacote use o: “swaret –upgrade gimp” e, caso você queira removê-lo use o “swaret –remove gimp

Se você quiser fazer uma pesquisa por todos os pacotes que tenham “kde” no nome, use o: “swaret –search kde“, para mostrar apenas os pacotes que não estão instalados, adicione um “-n” no final do comando, como em: “swaret –search kde“.

Lembre-se que o Swaret trabalha com um número relativamente reduzido de pacotes. Ele permite instalar os pacotes disponíveis no FTP do Slackware, junto com mais alguns pacotes extra oficiais. Para programas mais incomuns você ainda precisará compilar manualmente os bons e velhos pacotes .tar.gz.

Atualização: A partir do Slackware 9.1 o pacote do swaret pode ser encontrado no segundo CD, dentro da pasta “extra”.

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