Segunda parte

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Ativando e desativando serviços

No Mandrake você usaria o Mandrake Control Center, no Red Hat usaria o centro de controle, mas no Slackware você precisa mesmo por a mão na massa para ativar ou desativar qualquer coisa. Se você tem medo do modo texto, ainda há tempo de mudar para outra distribuição… 🙂

Tudo se concentra nos arquivos de configuração encontrados no diretório /etc. Aqui está por exemplo o proftpd.conf e o apache.conf, os arquivos de configuração que controlam respectivamente o servidor Web e FTP, além do fstab (configuração das partições de disco e outros sistemas de arquivos montados durante o boot), resolv.conf (onde fica a configuração dos servidores DNS usados para acessar a internet) e outros arquivos de configuração do sistema.

O Slackware mantém poucos serviços habilitados por default, daí a inicialização rápida. Mesmo assim, você pode desabilitar coisas como o servidor FTP e o Telnet, editando o arquivo /etc/inetd.conf. Se você não for utilizar nenhum serviço em especial, ou o micro for ser utilizado apenas como um cliente de rede, você pode tranqüilamente desativar todos os serviços do inetd, o que pode ser feito comentando (adicionando uma # no início da linha) as linhas do arquivo referentes a cada um. Os arquivos de configuração do slackware são bem comentados, o que diminui a dificuldade em lidar com eles.

Todos estes arquivos de configuração servem uma lógica muito simples. Eles são na verdade scripts, que são executados durante o boot do sistema. Cada linha é um comando que carrega algum serviço ou outro componente do sistema. Para desativar um determinado serviço você precisa apenas comentar (adicionando uma # no início da linha) e retirá-la caso queira ativá-lo novamente. Você encontrará muitas linhas já comentadas, que são justamente serviços disponíveis no sistema mas que não são ativados por default.

Veja por exemplo as linhas do arquivo /etc/inetd.conf que carregam os servidores de FTP e Telnet:

# File Transfer Protocol (FTP) server:
ftp stream tcp nowait root /usr/sbin/tcpd proftpd
#
# Telnet server:
telnet stream tcp nowait root /usr/sbin/tcpd in.telnetd

Configurando a placa de som e rede

Dentro do diretório /etc/rc.d temos mais alguns arquivos interessantes, como o rc.modules, onde ativamos ou desativamos o suporte a dispositivos, simplesmente comentando e descomentando as linhas referentes a eles. Esse arquivo tem nada menos que 680 linhas (calma, poderia ser pior…) mas está dividido em seções, como “USB Support”, “Sound Support”, “Ethernet Cards Support”, etc. o que já facilita um pouco as coisas.

Tudo o que você tem a fazer é descobrir qual módulo sua nova placa de som ou de rede utiliza e descomentar a linha correspondente.

O primeiro passo é verificar qual é o chipset da placa de som instalado no seu micro. Use o comando: grep Multimedia /proc/pci :

[root@Spartacus etc]# grep Multimedia /proc/pci

Multimedia audio controller: Creative Labs SB Live! EMU10k1 (rev 8).

Dentro da pasta /usr/src/linux/Documentation/sound você encontrará alguns tutoriais que explicam quais módulos se referem a cada modelo de placa, além de outras instruções necessárias para ativar o suporte. Por exemplo, a linha:

#/sbin/mdprobe cs4281

…dentro da categoria “Sound Support”, ativa o suporte a placas de som com o chipset Crystal CS4281. A linha:

#/sbin/modprobe sb io=0x220 irq=5 dma=3 dma16=5 mpu_io=0x300

… um pouco acima ativa o suporte à placas Sound Blaster 16, AWE 32 e AWE 64 ISA, enquanto a linha:

#/sbin/modprobe emu10k1

… ativa o suporte à todas as placas Sound Blaster Live! PCI. Não é complicado. Basta descomentar a linha, salvar o arquivo e reiniciar o micro para que a placa seja ativada no próximo boot. Não é preciso instalar nenhum driver pois eles já estão incluídos diretamente no Kernel 🙂

Por questões de segurança, o default do Slackware é que apenas o root tem permissão para usar a placa de som. Lembre-se que uma das grandes preocupações da distribuição é justamente com a segurança. Mas, isto pode ser facilmente corrigido. Abra um terminal, digite “su” (seguido da senha naturalmente 🙂 para virar root e tecle os comandos:

# chmod +666 /dev/dsp
# chmod +666 /dev/mixer

Prontinho, agora todos os usuários podem usar o som. Lembre-se que a tralha no início das linhas indicam apenas que os comandos devem ser dados como root, não fazem parte do comando.

O mesmo se aplica ao modem que por default também só pode ser usado pelo root. Para “destravá-lo”, use o comando:

# chmod +666 /dev/modem

A partir do Slackware 9.1 os drivers Alsa vem instalados por padrão, o que simplifica bastante a configuração do som. Você precisa apenas chamar o “alsaconfig” (como root) para que a placa seja detectada e configurada:
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A configuração da placa de rede pode ser feita rapidamente usando o netconfig, um utilitário que pergunta o endereço IP e outros dados da rede e no final se encarrega de detectar a placa de rede a ativar o módulo correspondente. Mas, de qualquer forma, a raiz de tudo continua sendo o arquivo /etc/rc.d/rc.modules. Assim como no caso da placa de som, você pode ativar sua placa de rede simplesmente descomentando a linha corretamente. É justamente isso que o netconfig faz. Por exemplo, a linha:

#/sbin/mdprobe rtl8139

… ativa suporte à placas de rede com chipset Realtek 8129/8139 e assim por diante.

Em caso de dúvida, você pode até mesmo ativar mais de um módulo dentro de cada categoria. Isso tornará a inicialização mais lenta, consumirá mais memória, etc. mas pelo menos ajudará você a achar o módulo correto para a sua placa. O endereço IP, máscara de sub-rede, etc. São gravados no arquivo /etc/rc.d/inet1 e os endereços de DNS do provedor (caso necessário) vão para o arquivo /etc/resolv.conf.

Se você começar a fuçar nestes e outros arquivos de configuração encontrados dentro da pasta /etc vai começar a entender como o Linux funciona e o que exatamente fazem os programas de configuração. Com um pouco de prática você vai começar a vir aos arquivos justamente para corrigir erros dos configuradores 🙂

Mais um arquivo interessante é o /etc/rc.d/rc.4, carregado caso você tenha configurado o micro para inicializar direto na interface gráfica. Aqui você pode escolher o gerenciador de login entre o KDE (do KDE) o GDM (do Gnome) ou o XDM (o mais simples). O KDM é o default, porém ele carrega junto algumas das bibliotecas do KDE, o que torna a inicialização mais lenta e consomem memória RAM. Se você está usando um PC mais lento, experimente usar o XDM, que não é tão bonito, mas em compensação consome só 200 KB de memória e carrega em menos de dois segundos 🙂

Considere este um exercício que será útil para entender outros arquivos similares. Este é um cut and paste do conteúdo do arquivo:

# Tell the viewers what’s going to happen…
echo “Starting up X11 session manager…”

# KDE’s kdm is the default session manager. If you’ve got this, it’s the one to use.
if [ -x /opt/kde/bin/kdm ]; then
exec /opt/kde/bin/kdm -nodaemon

# GNOME’s session manager is another choice:
elif [ -x /usr/bin/gdm ]; then
exec /usr/bin/gdm -nodaemon

# If all you have is XDM, I guess it will have to do:
elif [ -x /usr/X11R6/bin/xdm ]; then
exec /usr/X11R6/bin/xdm -nodaemon
fi

# error
echo “Hey, you don’t have KDM, GDM, or XDM. Can’t use runlevel 4 without”
echo “one of those installed.”
sleep 30
# All done.

As linhas com # são só comentários para explicar o que está acontecendo. As linhas começadas com o comando “echo” são mensagens que são escritas na tela, durante o boot. Você pode substituí-las pelas suas próprias mensagens se quiser. Por exemplo, sabe o texto que aparece no menu de inicialização do lilo, durante o boot? Você pode edita-lo no arquivo /boot/lilo.conf. Escreva o que quiser e digite “lilo” para regravar o arquivo na trilha MBR do HD.

Mas, voltando ao que interessa, o script em sí começa na linha “if” e termina na linha “fi”. O que ele faz é procurar na ordem pelo KDM, em seguida pelo GDM e por último pelo XDM, inicializando o primeiro que encontrar.

Para fazer com que o XDM seja sempre inicializado por default, você precisa apenas “matar” o scrip, fazendo com que ele pare de procurar pelo outros e inicialize direto o XDM. Para isso, basta comentar todas as linhas, deixando apenas a “exec /usr/X11R6/bin/xdm -nodaemon”.

Para terminar, no arquivo /etc/rc.d/rc.inetd2 temos inicializados mais alguns serviços, como o NFS e o SSH que também podem ser desativados caso você não pretenda utilizá-los. O procedimento é o mesmo, simplesmente comentar as linhas do que você não quiser carregar durante a inicialização. Se estiver dentro da interface gráfica, experimente chamar estes arquivos usando o xedit, um editor simples que é instalado por default (xedit arquivo_a_ser_editado). No modo texto você pode utilizar o vi. No próximo capítulo veremos alguns instruções básicas de como trabalhar com ele.

Não se preocupe por não saber a função de cada serviço. Veremos o que cada um faz no capítulo 4. A idéia aqui é apenas dar uma visão geral sobre a função dos principais arquivos de configuração do Slackware.

A facilidade em encontrar e configurar os scripts é justamente o principal motivo de tantos usuários utilizarem o Slackware. Apesar de à primeira vista ele parecer complicado, para quem tem o costume de configurar o sistema “à moda antiga”, o Slackware se revela muito mais simples. Os scripts estão muito melhor organizados e muito melhor comentados do que em outras distribuições. O Slackware é provavelmente a melhor distribuição para quem está começando e quer estudar a fundo o sistema com a ajuda de um bom livro como por exemplo o “Dominando o Linux” da Ed. Ciência Moderna.

Este conhecimento dos scripts e utilitários do sistema vai ser útil também ao solucionar problemas em outras distribuições. Já que apesar de às vezes serem encontrados em locais diferentes, os scripts são basicamente os mesmos em qualquer Linux.

Atualização: A partir do Slackware 9.0 foi incluído o hotplug, que cuida da detecção de componentes como a placa de som, rede e periféricos USB. Isto significa que muitas coisas que antes precisavam ser feitas manualmente, como configurar a placa de som passaram a ser feitas automaticamente durante a instalação.

O hotplug também faz um bom trabalho com a detecção de impressoras e scanners USB. Caso os periféricos sejam compatíveis, você precisará apenas configurar a impressora no kaddprinterwizzard (ou outro aplicativo que domine), enquanto o scanner pode ser configurado com a ajuda do xsane.

Como instalar o gravador de CDs

Este é um problema comum dos usuários do slackware. Como instalar o gravador de CDs? Apesar dele não ser detectado automaticamente, bastam dois cuidados durante a instalação para que em poucos minutos você esteja queimando seus CDs.

Logo depois de terminada a instalação dos pacotes, o instalador perguntará sobre qual kernel você deseja usar.

Escolha a opção “cdrom – Use a kernel from the Slackware CD” e em seguida escolha o kernel “scsi.s“.
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No Linux, todos os gravadores de CD, sejam IDE ou SCSI são acessados através do módulo SCSI, por isso é indispensável ter suporte a ele no kernel.

Logo depois, o instalador perguntará se você deseja passar parâmetros ao kernel, oferecendo uma linha em branco. Esta é a parte mais importante, onde você deverá informar a ele que possui um gravador de CD e aonde ele está instalado.
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Se o seu gravador estiver instalado na segunda IDE da placa mãe, então ele será reconhecido como hdc (secondary master) ou hdd (secondary slave). Caso esteja instalado junto com o HD, na primeira IDE, então ele estará como hdb.

Preencha a linha com o parâmetro:

hdc=ide-scsi

Substituindo o “hdc” pela localização correta do gravador caso necessário. Prontinho, terminada a instalação você já poderá queimar seus CDs usando o xcdroast ou o programa de sua preferência.

Esta linha é incluída no arquivo /etc/lilo.conf. Caso você mude a posição do gravador (coloque-o como hdd por exemplo) basta editar o arquivo, alterando a linha

append=”hdc=ide-scsi”

Se por acaso você instalar um segundo gravador, como hdb por exemplo, basta novamente editar o arquivo, inserindo uma segunda linha com a localização do novo gravador logo abaixo da primeira:

append=”hdc=ide-scsi”
append=”hdb=ide-scsi”

Note que isso só é necessário para gravadores IDE. Para gravadores SCSI basta instalar o kernel com suporte a SCSI para que o gravador seja reconhecido automaticamente.

Usando o Swaret

O Swaret é um gerenciador de pacotes para o Slackware que tenta emular a funcionalidade do apt-get (do Debian) e do urpmi (do Mandrake), oferecendo-se para baixar os pacotes desejados, com a opção de já verificar as famosas dependências, ou seja, se o pacote desejado precisa de outros para funcionar, com a opção de já instalar a turma toda de uma vez.

O Swaret não é tão robusto quanto o apt-get ou o urpmi, ele utiliza uma base de pacotes muito menor e o sistema de verificação de dependências é implementado de uma forma bastante precária através de um banco de dados, já que os pacotes do Slackware não oferecem este recurso. Mesmo assim, o Swaret ajuda bastante 🙂

O Swaret não vem pré-instalado, mas você pode baixar e instala-lo em qualquer versão do Slackware a partir do 8.1, ele detecta a versão durante a instalação e passa a utilizar os pacotes adequados automaticamente.

A página oficial é a: http://swaret.xbone.be

Na seção de download estão disponíveis os pacotes .tgz, já prontos para instalar. Você só precisa baixa-los para uma pasta no HD e usar o comando installpkg, como em:

# installpkg swaret-1.3.1-noarch-8.tgz

Uma vez instalado, conecte-se na Internet e rode o comando “swaret –update” para que ele baixe a lista dos pacotes disponíveis e a tabela das dependências. Sem isso o programa não tem como fazer nada 🙂

Terminado você já pode sair instalando os programas. Para instalar o Gimp por exemplo, use o comando: “swaret –install gimp

Para instalar programas compostos de vários pacotes, como por exemplo o KDE e o Gnome, você pode adicionar uma barra no final do comando, ao usar por exemplo “swaret –install gnome/“, o programa irá instalar todos os pacotes dentro da pasta gnome/ no FTP do Slackware.

Para verificar e instalar as dependências de um pacote instalado (use se o programa não estiver funcionando por exemplo) use o comando “swaret –dep gimp

Para atualizar um pacote use o: “swaret –upgrade gimp” e, caso você queira removê-lo use o “swaret –remove gimp

Se você quiser fazer uma pesquisa por todos os pacotes que tenham “kde” no nome, use o: “swaret –search kde“, para mostrar apenas os pacotes que não estão instalados, adicione um “-n” no final do comando, como em: “swaret –search kde -n“.

Lembre-se que o Swaret trabalha com um número relativamente reduzido de pacotes. Ele permite instalar os pacotes disponíveis no FTP do Slackware, junto com mais alguns pacotes extra oficiais. Para programas mais incomuns você ainda precisará compilar manualmente os bons e velhos pacotes .tar.gz.

Atualização: A partir do Slackware 9.1 o pacote do swaret pode ser encontrado no segundo CD, dentro da pasta “extra”.

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