Silverthorne x Diamondville

A versão original do Atom (o Silverthorne) combinava o novo processador com o US15W (Poulsbo), um chipset de baixo consumo, que combinava os circuitos dos chips ICH e MHC (ou seja, da ponte norte e a ponte sul do chipset), oferecendo uma solução integrada e de baixo consumo. A Intel chama o chipset de SCH (System Controller Hub), enfatizando a combinação dos componentes.

Temos aqui uma foto da dupla (veja que o US15W tem uma área muito maior do que o Atom propriamente dito):

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O Silverthorne é usado nos Atoms da série Z, que inclui os seguintes modelos:

Z500: 800 MHz, TDP de 0.65 watts
Z510: 1.1 GHz, TDP de 2.0 watts
Z520: 1.33 GHz, TDP de 2.0 watts
Z530: 1.6 GHz, TDP de 2.0 watts
Z540: 1.86 GHz, TDP de 2.65 watts

Como pode ver, o consumo elétrico de todos os modelos é bastante baixo. Além do gerenciamento de clock, todos oferecem suporte ao C6, um estado de baixo consumo, que permite que o processador consuma apenas 100 miliwatts quando ocioso.

O chipset US15W possui um TDP de 2.5 watts, o que permite que o consumo total do conjunto fique abaixo dos 5 watts, chegando perto dos 2 watts nos momentos de ociosidade.

O grande problema é que quase todos os netbooks atuais são baseados na plataforma Diamondville, que era originalmente destinada aos nettops. Ela é usada nos Atoms da série N, que inclui três modelos:

230: 1.6 GHz, TDP de 4 watts, suporte a instruções de 64 bits
N270: 1.6 GHz, TDP de 2.5 watts
N280: 1.66 GHz, TDP de 2.5 watts

Por estranho que possa parecer, o 230 é o modelo mais gastador, com um TDP de 4 watts, o dobro do N280, que tem um clock ligeiramente superior. Isso acontece por que a Intel decidiu cobrar pelos processadores com base no consumo, reservando os exemplares mais eficientes para as séries N270 e N280 e vendendo os mais gastadores (que só funcionam estavelmente com tensões mais altas) como Atoms 230.

Isso significa que um netbook baseado no 230 terá exatamente o mesmo desempenho de um baseado no N270 e será um pouco mais barato, mas em compensação trabalhará um pouco mais quente e oferecerá uma autonomia de bateria menor.

Temos também o Atom 330, que é uma versão dual-core do processador, que oferece um desempenho cerca de 70% superior em relação ao 230 mas em troca possui um TDP de 8 watts, o que o deixa fora da liga dos netbooks:

330: Dual-core, 1.6 GHz, TDP de 8 watts, suporte a instruções de 64 bits

O Atom 330 pode ser encontrado em alguns nettops, mas ele acaba juntando o pior dos dois mundos, combinando um TDP relativamente alta com um desempenho fraco se comparado com os Core 2 Duo e outros processadores desktop atuais. Fazendo underclock, é possível fazer com que um Pentium E ou Core 2 Duo se aproxime da faixa de consumo do Atom 330, conservando um desempenho bastante superior.

Uma observação importante é que os únicos dentro das séries iniciais que suportam instruções de 64 bits são o 230 e o 330. Todos os modelos das séries Z e N têm o suporte a 64 bits desativado, como parte das medidas para reduzir o consumo e diferenciar as duas classes.

Em vez de utilizar o Poulsbo ou outro chipset de baixo consumo, a Intel optou por combinar os processadores da série N com o i945, o mesmo chipset que era usado em conjunto com o Pentium 4 e com o Pentium-M.

A versão destinada netbooks é a dupla 945GSE/ICH7M (o 945GSE inclui o controlador de memória DDR2 e o chipset de vídeo Intel GMA950, enquanto o ICH7M inclui as controladoras SATA e os demais circuitos de I/O), que é uma versão de baixo consumo do chipset.

A principal diferença entre ela e a dupla 945GC/ICH7 (a versão regular, destinada a nettops) é a frequência do chipset de vídeo, que no 945GSE opera a apenas 133 MHz, contra os 400 MHz do 945GC. Isso faz com que os netbooks possuam um desempenho 3D excepcionalmente fraco, mas foi a única solução para manter o consumo elétrico em níveis aceitáveis.

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Por serem muito antigos e serem fabricados usando uma obsoleta técnica de 0.13 micron, a Intel vende ambos os chipsets muito barato, o que permite que os fabricantes cortem custos. O grande problema é que isso compromete a autonomia, já que embora o processador seja econômico, a plataforma como um todo (processador e chipset) possui um consumo relativamente alto.

Para ter uma ideia, o chip 945GSE possui um consumo de 6 watts, com mais 3.3 watts para o ICH7M, o que, somado o consumo do processador, eleva o total da plataforma para 11.8 watts.

É justamente devido a isso que a primeira safra de netbooks baseados no Atom não oferece uma melhora muito grande na autonomia em relação aos modelos baseados no Celeron M, já que embora a diferença no consumo do processador seja grande (de 5 watts para 2.5), o consumo total não mudou muito, já que a maior parte da energia é consumida pelo chipset.

No caso dos nettops, a situação é ainda mais complicada, já que um Atom N230 (TDP de 4 watts) combinado com o 945GC e o ICH7 consome nada menos do que 22.2 watts no total. Somando o consumo do HD e dos demais componentes, eles acabam consumindo quase 30 watts (sem contar o monitor), o que é mais do que o gasto por um notebook típico.

Os nettops são uma tentativa dos fabricantes em aproveitarem o marketing em torno do Atom para venderem mais uma classe de produtos, aplicando a arquitetura a uma família de desktops ultra-compactos:

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Entretanto, descontado o hype, eles não fazem muito sentido, já que o consumo elétrico não é tão baixo assim (devido à combinação do Atom 230 ou 330 com o 945GC), o desempenho é muito ruim e o pequeno volume de produção faz com que os preços sejam altos.

Pode ser que eventualmente algum fabricante apareça com um modelo de baixo custo, que consiga popularizar a plataforma, mas por enquanto eles são apenas uma forma de ter o desempenho de um netbook pelo preço de um desktop.

A menos que você faça questão de um gabinete apertado, com poucas opções de upgrade, um desktop regular, com um Pentium E5200 (ou outro processador de baixo custo baseado na técnica de 0.045 micron) seria uma opção muito mais equilibrada.

O Atom pode ser encontrado também em placas Mini-ITX e mini-DTX de vários fabricantes. Elas são um pouco mais caras que as placas normais, mas possuem a vantagem de já virem com o processador e o cooler, o que faz com que sejam uma opção para PCs de baixo custo, destinados apenas a tarefas leves:

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