A questão da eficiência

Assim como no caso de um chuveiro elétrico, a maior parte do custo de uma fonte de alimentação não está no custo do produto propriamente dito, mas sim na energia desperdiçada por ela ao longo da sua vida útil. Qualquer fonte, por melhor que seja,
desperdiça energia durante o processo de conversão e retificação, energia essa que acaba “indo pelo ralo” na forma de calor dissipado pelo exaustor.

A eficiência é o percentual de energia que a fonte consegue realmente entregar aos componentes, em relação ao que puxa da tomada. Ela não tem relação com a capacidade real de fornecimento da fonte (ou seja, uma fonte de 450 watts de boa qualidade deve
ser capaz de fornecer os mesmos 450 watts, seja a eficiência de 65% ou de 90%), mas uma baixa eficiência indica que a fonte vai não apenas desperdiçar energia no processo, mas vai também produzir muito mais calor, o que significa um PC mais quente e mais
barulhento.

Com os PCs consumindo cada vez mais energia, a eficiência da fonte tem se tornado um fator cada vez mais importante, já que está diretamente relacionado ao consumo total do micro.

Um PC cujos componentes internos consumam 200 watts em média (sem contar o monitor, já que ele não é alimentado pela fonte de alimentação), acabaria consumindo 307 watts se usada uma fonte com 65% de eficiência. Ao mudar para uma fonte com 80% de
eficiência, o consumo cairia para apenas 250 watts. Caso você conseguisse encontrar uma fonte com 90% de eficiência (elas são raras, mas lentamente estão se tornando mais comuns) o consumo cairia mais um pouco, indo para os 225 watts.

Fontes genéricas de uma maneira geral trabalham com um nível de eficiência bastante baixo, na maioria dos casos na faixa dos 60 a 65%, já que a prioridade dos fabricantes é reduzir os custos e não melhorar a eficiência do
projeto. Por outro lado, a maioria das fontes de qualidade da safra atual são capazes de trabalhar acima dos 80%, uma diferença que ao longo do tempo acaba se tornando bastante considerável.

Basta fazer as contas. Tomando como base um PC de configuração modesta, que consumisse uma média de 100 watts e ficasse ligado 12 horas por dia, teríamos o seguinte:

  • Fonte com 65% de eficiência:

    • Consumo médio: 152.3 watts/hora
    • Consumo total ao longo de 12 meses: 667 kilowatts-hora

  • Fonte com 80% de eficiência:

    • Consumo médio: 125 watts/hora
    • Consumo total ao longo de 12 meses: 547 kilowatts-hora

Dentro do exemplo, tivemos uma redução de 120 kWh, que (tomando como base um custo de 44 centavos por kWh) correspondem a 53 reais. Se o PC ficar ligado continuamente, ou se levarmos em conta o consumo ao longo de dois anos,
a economia já vai para 106 reais, o que começa a se tornar uma redução significativa.

Ao usar um PC mais parrudo, com um processador quad-core e uma placa 3D mais parruda, o consumo pode chegar facilmente aos 300 watts, o que poderia levar a diferença aos 300 reais anuais, o que é um valor mais do que
significativo.

Isso faz com que, na maioria dos casos, fontes de boa qualidade, que ofereçam uma eficiência de 80% ou mais acabem saindo mais barato a longo prazo do que fontes genéricas, que podem ter um custo inicial pequeno, mas que
acabam comendo toda a diferença a longo prazo na forma de um aumento mensal na conta de luz. Fazendo as contas, você vai chegar à conclusão que fontes mais caras, porém mais eficientes, podem acabar saindo bem mais barato a longo prazo, mesmo
desconsiderando todos os outros fatores.

Outro fator a considerar dentro da ideia do custo é a questão da durabilidade. Muita gente troca de fonte sempre que faz algum upgrade significativo no PC ou quando a fonte parece estar ficando “velha”, o que não é
necessário em absoluto ao usar uma fonte de boa qualidade. A maioria dos bons produtos possuem um MTBF de 60.000 horas (o que equivale a quase 7 anos de uso ininterrupto) e, mesmo assim, o valor se aplica mais ao exaustor (que é o único componente móvel)
e não à fonte propriamente dita. Se você somar o custo de três ou quatro fontes genéricas substituídas prematuramente, vai acabar chegando ao preço de uma fonte melhor.

O menor consumo também aumenta a autonomia do nobreak, já que, com menos carga, as baterias durarão mais tempo. Isso pode levar a outras economias, já que reduz a necessidade de usar baterias externas, ou de usar um nobreak
de maior capacidade.

Chegamos então a uma segunda questão, que é como diferenciar as fontes de maior e menor eficiência, já que mesmo muitas fontes consideradas “boas”, como a SevenTeam ST-450P-CG (que em 2009 custava custava mais de 200 reais)
trabalham abaixo dos 70% de eficiência. Chegamos então ao 80 PLUS.

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