Mais dicas sobre nobreaks

Uma observação é que você nunca deve usar um estabilizador entre o nobreak e o PC, pois os estabilizadores são feitos para receberem ondas senoidais. Ao receber as ondas quadradas geradas por um nobreak barato, o estabilizador vai aquecer e desperdiçar energia tentando retificar as ondas. Em casos mais extremos, ele pode até mesmo queimar e/ou danificar os equipamentos ligados a ele. Este é mais um motivo para substituir os estabilizadores por filtros de linha, já que o filtro não tem problema algum em trabalhar em conjunto com o nobreak (o uso correto é sempre ligar o filtro na tomada e o nobreak no filtro, e não o contrário).

É até possível usar um estabilizador em conjunto com um nobreak, desde que o estabilizador fique entre o nobreak e a tomada, e não o contrário. As duas grandes desvantagens de fazer isso é que você aumenta o desperdício de energia, (já que são somadas as perdas causadas pelo nobreak e as causadas pelo estabilizador, o que pode representar um aumento perceptível no consumo geral do equipamento) e que o nobreak passa a ser acoçado pelos picos e variações de tensão introduzidas pelo estabilizador (lembre-se do exemplo da cadeira que dá choque) o que não é muito saudável.

Além disso, antes de ligar o nobreak no estabilizador, é importante checar as capacidades de fornecimento. Para usar um nobreak de 600 VA, seria necessário usar um estabilizador de 800 VA ou mais. Esta margem de segurança é necessária por dois fatores: o primeiro é que a eficiência do nobreak gira em torno de 90 a 95%, o que significa que ao fornecer 600 VA para o micro, ele vai consumir 630 ou 660 VA no total. O segundo fator é que o nobreak precisa recarregar a bateria depois que ela é usada, o que aumenta seu consumo em 15% ou mais. Se a capacidade do estabilizador for igual ou menor que a do nobreak, ele vai acabar desligando ou explodindo ao exceder a capacidade.

Devido a tudo isso, o uso de estabilizadores, módulos isoladores ou qualquer outro tipo de dispositivo ativo em conjunto com o nobreak não é recomendável. Se a ideia é proteger o nobreak, o correto é utilizar um bom filtro de linha ou DPS, que é um dispositivo passivo. O resto é gambiarra.

Continuando, muitos modelos de nobreaks oferecem a possibilidade de usar um cabo de monitoramento, que pode ser tanto um cabo USB quanto um cabo serial (nos modelos mais antigos) ligado ao PC. Um software se encarrega de monitorar o status e a carga das baterias e pode ser programado para desligar o micro ou executar outras ações quando a carga das baterias está no fim.

No Windows você pode usar as opções disponíveis na aba “UPS” do “Painel de Controle > Opções de energia” (ou usar algum software fornecido pelo fabricante), enquanto no Linux você utilizaria o “upsd” (o daemon genérico) ou o “apcupsd” (específico para nobreaks da APC). Eles estão disponíveis nas principais distribuições, precisam apenas ser configurados e ativados. Você pode ler mais sobre eles no http://www.networkupstools.org/compat/ e http://www.apcupsd.com/.

Nos nobreaks da SMS, por exemplo, você utiliza o SMS Power View (disponível no www.alerta24h.com.br), que possui também uma versão Linux, embora deficiente. O software é instado no PC ao qual o nobreak está conectado, mas as informações fornecidas pelo nobreak sejam acompanhadas em qualquer micro da rede, usando um navegador, graças a um mini-servidor web, incluído no programa. Para isso, basta acessar o ip_do_servidor:8080, como em “http://192.168.0.1:8080“. É possível também acessar via internet, caso você mantenha a porta 8080 aberta.

No screenshot a seguir o software está se comunicando com um Manager III, de 1400 VA. No exemplo ele está trabalhando com uma carga pequena, de apenas 180 watts (medida usando um kill-a-watt), por isso o medidor “potência de saída” do software mostra que o nobreak está trabalhando com apenas 20% de sua capacidade (veja a explicação sobre a diferença entre VAs e watts aqui):

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Embora a tensão nominal da rede elétrica seja de “110V”, a rede elétrica no Brasil trabalha com 127V, valor necessário para o uso de sistemas trifásicos. É normal que a tensão varie sutilmente ao longo do dia (caindo em 3V ou 5V durante os horários de maior consumo, por exemplo), mas isso não chega a prejudicar os equipamentos, ao contrário de variações súbitas, como no caso dos surtos.

Como se trata de um modelo line-interactive, o nobreak se encarrega de estabilizar a corrente, entregando 115V para os equipamentos, mas a tensão de saída também varia sutilmente (no screenshot, por exemplo, está a 113V), acompanhando as variações na tensão de entrada. Isso acontece por que o nobreak ajusta a tensão em estágios. De qualquer forma, pequenas variações como estas não prejudicam os equipamentos, caso contrário eles não funcionariam usando os 127V fornecidos pela rede elétrica atual em primeiro lugar.

Se você acessa via modem ou ADSL, é importante comprar um nobreak ou filtro de linha com proteção para a linha telefônica, já que a incidência de raios através da linha telefônica é bem maior do que através da rede elétrica. O principal motivo é que na rede elétrica temos os transformadores e disjuntores, que funcionam como uma barreira inicial, enquanto a linha telefônica é uma ligação direta entre o seu modem e a central, sem proteções adicionais pelo caminho:

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Uma observação é que qualquer filtro ou protetor para a linha telefônica causa uma pequena perda de sinal, devido ao uso de MOVs e outros componentes. Por isso é importante comprar produtos de boa qualidade, onde a perda é menor. Não acredite nos filtros de 5 reais ou em receitas folclóricas como dar nós no cabo.

Embora menos comum, também é possível que o equipamento seja danificado através da placa de rede, caso existam outros micros sem proteção na rede, ou caso o modem ADSL (ligado ao hub) esteja ligado diretamente na linha telefônica. Um raio que atinja outro equipamento pode continuar através do cabo de rede e a partir daí danificar o hub e os micros ligados a ele. A rede é um ponto vulnerável contra descargas elétricas, pois ao contrário da rede elétrica, a rede não possui aterramento. A única rota de escape são os próprios micros, daí o perigo.

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