Os acidentes evolutivos

Além dos SSDs SATA destinados a desktops, existiram também alguns modelos de baixo custo e baixo desempenho (como os usados no Eee PC 701, 900 e 901), mas eles se comportavam basicamente como um pendrive ligado a um slot Express Mini. Eles ofereciam taxas razoáveis de leitura, mas em compensação ofereciam taxas de escrita incrivelmente baixas para pequenos arquivos (combinados com buffers de escrita muito pequenos), o que prejudicava a responsividade do sistema, resultando em irritantes pausas de até um segundo sempre que o sistema precisava escrever dados no SSD.

Para ter uma ideia, o SSD Phison de 8 GB usado no Eee 901 é capaz de executar apenas 12 gravações de arquivos de 4 KB por segundo, o que corresponde a apenas 48 KB/s!

O terrível Phison do Eee 901, um dos SSDs mais lentos de todos os tempos

Este problema das pausas em operações de escrita afetou também a primeira geração de SSDs, baseados no controlador JMicron JMF602, que foi usado em drives de diversos fabricantes, incluindo modelos da OCZ, SuperTalent, Corsair e outros.

Embora eles apresentassem taxas de leitura e escrita sequenciais relativamente altas, as deficiências do controlador faziam com que a latência de operações de escrita de pequenos arquivos ultrapassassem os 900 ms em muitas situações.

Para complicar, o controlador incluía um buffer de escrita de apenas 16 KB, suficiente para absorver apenas um punhado de operações. Sempre que o buffer ficava cheio, o drive deixava de aceitar comandos, fazendo com que o sistema simplesmente congelasse por um ou dois segundos antes de voltar a responder, o que acontecia com frequência mesmo em operações corriqueiras, como abrir uma página web ou enviar mensagens de IM (caso o cliente tentasse salvar a mensagem no histórico).

Pode-se discutir se a culpa foi da JMicron em colocar o controlador no mercado, ou se foi dos fabricantes de SSDs que passaram a vender drives baseados nele apesar dos problemas, mas, de qualquer maneira, o JMicron JMF602 é um controlador que viverá na infâmia:

Felizmente, a notícia logo se espalhou e estes drives ruins foram logo substituídos por modelos baseados em controladores da Samsung, Indilinx e Intel, dando origem à geração atual. No final, o JMF602 acabou sendo usado em apenas alguns milhares de drives, vendidos principalmente no mercado norte-americano.

Outra opção muito comentada são os adaptadores SD > IDE, que permitem transformar um cartão de memória em SSD de baixo custo:

O grande problema com estes leitores é que eles utilizam controladores destinados a leitores de cartões PCMCIA, como o FC1306T (que oferece suporte também à interface IDE) e não controladores de disco como os SSDs de verdade, que incluem buffers, uso de vários canais e outras otimizações. Como resultado, os leitores oferecem um desempenho muito ruim não apenas em leitura e gravação (já que ficam limitados às taxas suportadas pelo cartão) mas principalmente ao gravar pequenos arquivos. Se o BIOS do micro suportar boot via USB, é bem melhor simplesmente usar um pendrive.

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