A árvore genealógica das distribuições

Por:
Por causa da filosofia de código aberto e compartilhamento de informações que existe no mundo Linux, é muito raro que uma nova distribuição seja desenvolvida do zero. Quase sempre as distribuições surgem como forks ou
personalizações de uma outra distribuição mais antiga e preservam a maior parte das características da distribuição original. Isso faz com que distribuições dentro da mesma linhagem conservem mais semelhanças do que diferenças entre sí.

Das primeiras distribuições Linux, que surgiram entre 1991 e 1993, a única que sobrevive até hoje é o Slackware, que deu origem a algumas outras distribuições conhecidas, como o Vector, Slax e o College.

O Slax é um live-CD, desenvolvido para caber em um mini-CD, o Vector é uma distribuição enxuta, otimizada para micros antigos enquanto o College é uma distribuição desenvolvida com foco no publico estudantil, com o objetivo de ser fácil de usar.

Os três utilizam pacotes .tgz do Slackware e são compatíveis com os pacotes do Slackware da versão a partir da qual são desenvolvidos. Os utilitários de configuração do Slackware, como o netconfig continuam disponíveis, junto com vários novos scripts que
facilitam a configuração do sistema. O Vector por exemplo inclui o Vasm, uma ferramenta central de configuração.

O Debian apareceu pouco depois e ao longo dos anos acabou dando origem à quase metade das distribuições atualmente em uso. Algumas, como o Knoppix continuam utilizando os pacotes dos repositórios Debian, apenas acrescentando novos pacotes
e ferramentas, enquanto outras, como o Lycoris e o Ubuntu utilizam repositórios separados, parcialmente compatíveis com os pacotes originais, mas sempre mantendo o uso do apt-get e a estrutura básica do sistema.

Embora o Debian não seja exatamente uma distribuição fácil de usar, o apt-get e o gigantesco número de pacotes disponíveis nos repositórios formam uma base muito sólida para o desenvolvimento de personalizações e novas distros.

Um dos principais destaques é que nas versões Testing e Unstable, o desenvolvimento do sistema é contínuo e, mesmo no stable, é possível atualizar de um release para outro sem reinstalar nem fazer muitas modificações no sistema. Você pode manter o sistema
atualizado usando o comando “apt-get upgrade”. Isso permite que os desenvolvedores de distribuições derivadas deixem o trabalho de atualização dos pacotes para a equipe do Debian e se concentrem em adicionar novos recursos e corrigir problemas.

Um dos exemplos de maior sucesso é o Knoppix, que chega a ser um marco. Ele se tornou rapidamente uma das distribuições live-CD mais usadas e deu origem a um universo gigantesco de novas distribuições, incluindo o Kurumin. Uma coisa
interessante é que o Knoppix mantém a estrutura Debian quase intacta, o que fez com que instalar o Knoppix no HD acabasse tornando-se uma forma alternativa de instalar o Debian.

As distribuições derivadas do Knoppix muitas vezes vão além, incluindo novos componentes que tornam o sistema mais adequado para usos específicos. O Kurumin inclui muitas personalizações e scripts destinados a tornar o sistema mais fácil de usar e mais
adequado para uso em desktop. O Kanotix inclui muitos patches no Kernel, com o objetivo de oferecer suporte a mais hardware e novos recursos, enquanto o Morphix usa uma estrutura modular, que acabou servindo de base para o desenvolvimento de mais uma
safra de distribuições, já bisnetas do Debian.

Tanto o Debian quanto o Slackware são distribuições basicamente não comerciais. Mas isso não impede que distribuições como o Lycoris e Linspire sejam desenvolvidas por empresas tradicionais, com fins lucrativos naturalmente. Elas procuram se diferenciar
das distribuições gratuitas investindo em marketing e facilidades em geral.

A terceira distribuição “mãe” é o Red Hat, que deu origem ao Mandrake, SuSE, Conectiva, Fedora e mais recentemente a um enorme conjunto de distribuições menores. As distribuições derivadas do Red Hat não utilizam um repositório comum,
como no caso do Debian, nem mesmo o mesmo gerenciador de pacotes. Temos o yun do Fedora, o urpmi do Mandrake e também o próprio apt-get, portado pela equipe do Conectiva. Temos ainda vários repositórios independentes, que complementam os repositórios
oficiais das distribuições.

As distribuições derivadas do Red Hat são junto com o Debian e derivados as mais usadas em servidores. O Fedora, Red Hat e SuSE possuem também uma penetração relativamente grande nos desktops nas empresas, enquanto o Mandrake tem o maior público entre os
usuários domésticos.

Embora todas estas distribuições utilizem pacotes rpm, não existe garantia de compatibilidade entre os pacotes de diferentes distribuições. Os pacotes de uma versão recente do SuSE na maioria das vezes funcionam também numa versão equivalente do Mandrake
por exemplo, mas isto não é uma regra.

O Gentoo inaugurou uma nova linhagem trazendo uma abordagem diferente das demais distribuições para a questão da instalação de programas e instalação do sistema.

Tradicionalmente novos programas são instalados através de pacotes pré-compilados, que são basicamente arquivos compactados, com os executáveis, bibliotecas e arquivos de configuração usados pelo programa. Estes pacotes são gerenciados pelo apt-get,
urpmi, yun ou outro gerenciador usado pela distribuição. Compilar programas a partir dos fontes é quase sempre um último recurso para instalar programas recentes, que ainda não possuem pacotes disponíveis.

O Gentoo utiliza o Portage, um gerenciador de pacotes que segue a idéia dos ports do FreeBSD. Os pacotes não contém binários, mas sim o código fonte do programa, junto com um arquivo ciom parâmetros que são usados na compilação. Você pode ativar as
otimizações que quiser, mas o processo de compilação e instalação é automático. Você pode instalar todo o KDE com um “emerge kde”. O Porge baixa os pacotes com os fontes (de forma similar ao apt-get), compila e instala.

O ponto positivo desta abordagem é que você pode compilar todo o sistema com otimizações para o processador que está usando. Isso resulta em ganhos de 2 a 5% na maior parte dos programas, mas pode chegar a 30% em alguns aplicativos específicos.

A parte ruim é que compilar programas grandes demora um bocado, mesmo em máquinas atuais. Instalar um sistema completo, com o X, KDE e OpenOffice demora um dia inteiro num Athlon 2800+ e pode tomar um final de semana numa máquina um pouco mais antiga.
Você pode usar o Portage também para atualizar todo sistema, usando os comandos “emerge sync && emerge -u world” de uma forma similar ao “apt-get upgrade” do Debian.

Nas versões atuais do Gentoo você pode escolher entre diferentes modos de instalação. No stage 1 tudo é compilado a partir dos fontes, incluindo o Kernel e as bibliotecas básicas. No stage 2 é instalado um sistema base pré-compilado e apenas os
aplicativos são compilados. No stage 3 o sistema inteiro é instalado a partir de pacotes pré-compilados, de forma similar a outras distribuições. A única exceção fica por conta do Kernel, que sempre precisa ser compilado localmente, mesmo ao usar o stage
2 ou 3.

O stage 1 é naturalmente a instalação mais demorada, mas é onde você pode ativar otimizações para todos os componentes do sistema.

Já existe um conjunto crescente de distribuições baseadas no Gentoo, como vários live-CDs, com games e versões modificadas do sistema, alguns desenvolvidos pela equipe oficial, outros por colaboradores. Uma das primeiras distribuições a utilizar o Gentoo
como base foi o Vidalinux.

Embora seja uma das distribuições mais difíceis, e cuja instalação envolve mais trabalho manual, o Gentoo consegue ser popular entre os usuários avançados, o que acabou por criar uma grande comunidade de colaboradores em torno do projeto. Isto faz com que
o Portage ofereça um conjunto muito grande de pacotes, quase tantos quanto no apt-get do Debian e exista uma grande quantidade de documentação disponível, com textos quase sempre atualizados.

Sobre o Autor

Redes Sociais:

Deixe seu comentário

X