Os modelos

A AMD enfrentou muitas dificuldades com a primeira geração do Bulldozer, com o Zambezi falhando em oferecer um desempenho competitivo com os processadores baseados no Sandy Bridge e em muitos casos falhando até mesmo em superar o Phenom II por uma margem considerável, mesmo com as frequências de operação mais altas.

De uma forma geral, o FX-8150 de 3.6 GHz, que é a nata dentro da linha Bulldozer consegue oferecer um desempenho competitivo com o do Core i5 2500K, que é um processador mid-range dentro da linha da Intel, com 4 núcleos e 3.3 GHz. Entretanto, em aplicativos single thread o desempenho é bem mais baixo e ele perde até mesmo para processadores mais antigos, como o Core i7-920, que opera a apenas 2.66 GHz.

Se comparado à linha anterior, o Bulldozer é apenas um leve upgrade, com o FX-8150 de 4 módulos oferecendo um desempenho pouca coisa superior ao do Phenom II X6 1100T BE, que possui 6 núcleos e opera a 3.3 GHz. Você pode ver alguns números no http://www.anandtech.com/show/4955/the-bulldozer-review-amd-fx8150-tested/7
http://www.tomshardware.com/reviews/fx-8150-zambezi-bulldozer-990fx,3043-13.html
http://techreport.com/articles.x/21813/11

Parte disso se deve ao fato de o agendador do Windows 7 não fazer distinção entre os módulos, vendo apenas 8 núcleos de processamento distintos. Com isso, o sistema toma decisões erradas na hora de distribuir os threads entre os diferentes módulos, comprometendo o desempenho. O Windows 8 foi melhor otimizado para o Bulldozer, o que faz com que o desempenho do processador em muitas tarefas seja até 10% superior ao rodar o Windows 8 e aplicativos recentes, em comparação com o Windows 7. Embora menos dramática, essa mesma progressão pode ser notada em versões recentes do kernel Linux. Isso mostra que versões aprimoradas do Bulldozer, em conjunto com sistemas operacionais melhor otimizados podem vir a oferecer um desempenho mais animador em relação aos processadores Intel.

Por outro lado, é inegável que a geração inicial do Bulldozer deixou um grande rombo na linha de produtos da AMD, deixando de ser o processador capaz de competir de igual para igual com o Sandy Bridge que muitos esperavam, para apresentar ganhos marginais em relação aos antecessores. Como sempre, a AMD compensou isso posicionando o Zambezi como um processador mid-range e adotando uma política agressiva de preços, o que fez com que no final ele acabasse sendo um bom custo-benefício na maioria das situações, mas continuaram sem um processador high-end.

A linha baseada no Zambezi inclui 7 modelos, todos vendidos como processadores mid-range, com o FX-8150 chegando ao mercado por US$ 280 e tendo o preço reduzido para US$ 245 pouco depois. Os outros processadores são mais acessíveis, com o FX-4100 tendo chegado ao mercado por apenas US$ 115.

FX-8150: 8 núcleos, 3.6 GHz (turbo até 4.2 GHz), 8 MB de L3, 125 watts
FX-8120: 8 núcleos, 3.1 GHz (turbo até 4.0 GHz), 8 MB de L3, 95 ou 125 watts
FX-8100: 8 núcleos, 2.8 GHz (turbo até 3.7 GHz), 8 MB de L3, 95 watts
FX-6100: 6 núcleos, 3.3 GHz (turbo até 3.9 GHz), 6 MB de L3, 95 watts
FX-4170: 4 núcleos, 4.2 GHz (turbo até 4.3 GHz), 4 MB de L3, 125 watts
FX-B4150: 4 núcleos, 3.8 GHz (turbo até 4.0 GHz), 4 MB de L3, 95 watts
FX-4100: 4 núcleos, 3.6 GHz (turbo até 3.8 GHz), 4 MB de L3, 95 watts

Como pode ver, além das versões com 4 módulos/8 núcleos, a linha inclui também versões com 6 e 4 núcleos (3 ou 2 módulos), obtidas através do reaproveitamento de chips defeituosos. Apesar de menos núcleos, estas versões apresentam o mesmo TDP de 95 ou 125 watts das versões com 8 núcleos, já que operam com frequências mais altas. Embora TDPs de até 125 watts fossem normais na época do Pentium 4, eles são considerados bastante altos para os dias de hoje, colocando definitivamente o Bulldozer na categoria dos gastadores.

Todos estes modelos suportam memória DDR3 em dual-channel (com suporte a módulos operando a até 1.866 GHz) e utilizam a plataforma AM3+ que a AMD introduziu em 2011 juntamente com os chipsets da série 9.

O soquete AM3+ possui 942 pinos, um a mais que o oferecido pelo velho soquete AM3 e utiliza um link serial mais rápido entre o processador e o controlador de energia, permitindo um controle muito mais preciso das variações de tensões necessárias para implementar as rápidas variações de frequência das quais o processador é capaz. Para diferenciá-lo dos soquetes anteriores, a AMD optou por usar a cor preta.

Entretanto, a disposição de pinos no processador não quebrou a compatibilidade mecânica, permitindo que os processadores da série FX, baseados no Zambezi, possam ser encaixados em placas AM3 antigas. A compatibilidade, por outro lado, depende de uma série de fatores, sendo o principal dele a necessidade de uma grande atualização do código do BIOS/EFI da placa, adicionando suporte às novas funções usadas pelo Bulldozer.

De uma forma geral, apenas placas-mãe AM3+ baseadas em chipsets da série 9xx oferecem suporte oficial ao Bulldozer, e esta é a única combinação suportada pela AMD. Entretanto, existem casos de placas AM3+ baseado nos chipsets 890FX e 800G que receberam atualizações e se tornaram compatíveis. Existem também casos de placas AM3 baseadas em chipsets anteriores que continuaram a ser vendidas mesmo depois do lançamento do Bulldozer e foram também atualizadas para trabalhar com ele. Estes casos entretanto demandam mais cautela, pois estas placas não suportam muitas das funções usadas pelo Bulldozer o que reduz consideravelmente o desempenho do processador, fazendo com que em muitos casos ele sequer acompanhe os velhos Phenom II. Os circuitos de alimentação das placas AM3 é dimensionado para fornecer apenas 110A (contra os 145A das AM3+) o que também limita a compatibilidade com os processadores de TDP mais alto. Além de oferecerem um suporte mais completo ao Bulldozer, as placas AM3+ preservam a compatibilidade com os processadores antigos, de forma que elas são sempre a opção mais recomendada.

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