Turbo 3.0 e Modelos

O Trinity oferece uma versão aprimorada do turbo core. No Llano o turbo beneficia apenas a CPU, com a GPU sendo mantida sempre dentro da sua frequência especificada, enquanto no Trinity ambas as frequências são flexíveis, permitindo que tarefas que privilegiam o uso da GPU também sejam beneficiadas. De uma forma geral, o turbo para a GPU funciona apenas em situações em que a CPU está parcialmente ociosa, já que o uso do turbo continua condicionado ao consumo e temperatura do chip.

Uma pequena melhoria neste sentido é que o Trinity implementa o uso de um microcontrolador mais preciso no monitoramento das temperaturas em diversos pontos do chip. Os valores são obtidos através de um algoritmo complexo, que leva em conta não apenas as medições de temperatura propriamente ditas, mas também o nível de utilização do processador, tensões e frequência de operação do processador e da GPU. Na prática o que o controlador faz é “prever” mudanças na temperatura antes que elas ocorram, oferecendo uma medição em tempo real, que é atualizada antes que a mudança de temperatura seja efetivamente captada pelos sensores. Isso permite que o processador aplique o turbo de forma mais precisa, aumentando e reduzindo as frequências em espaços de tempo mais curtos.

 

Os modelos

Embora o Trinity ofereça apenas um ligueiro ganho de desempenho por clock, tanto para a CPU quanto para a GPU, o novo projeto é mais eficiente e por isso capaz de operar a frequências mais altas dentro de cada faixa de consumo, o que faz com que os novos modelos sejam substancialmente mais rápidos que os anteriores. Como a melhora é sentida especialmente nos notebooks, a AMD optou por lançar primeiro os modelos mobile:

A10-4600M: CPU: 4 cores (2 módulos), 2.3 GHz (turbo 3.2 GHz), 4 MB de L2, DDR3-1600
                        GPU: 384 unidades, 497 MHz (turbo 686 MHz), TDP de 35W, soquete FP2

A10-4655M: CPU: 4 cores (2 módulos), 2.0 GHz (turbo 2.8 GHz), 4 MB de L2, DDR3-1333
                        GPU: 384 unidades, 384 MHz (turbo 497 MHz), TDP de 25W, soquete FS1r2

A8-4500M: CPU: 4 cores (2 módulos), 1.9 GHz (turbo 2.8 GHz), 4 MB de L2, DDR3-1600
                      GPU: 256 unidades, 497 MHz (turbo 655 MHz), TDP de 35W, soquete FS1r2

A6-4455M: CPU: 2 cores (1 módulo), 2.1 GHz (turbo 2.6 GHz), 2 MB de L2, DDR3-1333
                    GPU: 256 unidades, 327 MHz (turbo 424 MHz), TDP de 17W, soquete FP2

A6-4400M: CPU: 2 cores (1 módulo), 2.7 GHz (turbo 3.2 GHz), 1 MB de L2, DDR3-1600
                    GPU: 192 unidades, 497 MHz (turbo 686 MHz), TDP de 35W, soquete FS1r2

Note que a numeração dos modelos é desigual, com o A10-4600M sendo consideravelmente mais rápido que o A10-4655M, apesar de possuir uma numeração inferior. Isso surge devido ao fato de a numeração adotada pela AMD levar em conta também o TDP, com os processadores com TDP mais baixo sendo vendidos com preços mais altos e recebendo uma numeração diferenciada. A frequência máxima para a memória está atrelada ao soquete, com os processadores FP2 ficando limitados aos 1.333 MHz, enquanto os FS1r2 podem usar módulos de até 1.600 MHz. Como pode imaginar, o suporte aos 1.833 MHz está disponível apenas nos modelos para desktop.

Diferente dos desktops, a questão do soquete não é muito significativa nos notebooks, já que raramente atualizamos o processador.

O A10-4600M e o A6-4455M são destinados diretamente aos notebooks ultrafinos, com os quais a AMD pretende desafiar os ultrabooks da Intel. Embora percam para os Core i5 e i7 baseados no Ivy Bridge em matéria de poder de processamento, estes modelos oferecem um desempenho 3D superior e preços mais baixos, com uma autonomia competitiva em relação aos modelos com processadores Intel.

Em relação ao desempenho, o Trinity é indiscutivelmente mais rápido que o Llano em 3D. A nova GPU oferece apenas um pequeno ganho de desempenho por clock, mas as frequências mais altas combinadas com o turbo fazem com que ela consiga oferecer um desempenho pelo menos 20% superior na grande maioria dos jogos. A comparação mais complicada fica por conta da GPU, já que o Trinity utiliza uma arquitetura completamente diferente para a CPU, com cada módulo Piledriver tendo que fazer o trabalho que antes era executado por dois núcleos Athlon II.

De uma forma geral, o Trinity perde para um Llano do mesmo clock em matéria de CPU por uma margem de 15 a 20% na maioria dos aplicativos, embora existam casos em que a arquitetura Piledriver se sai surpreendentemente bem, como no teste Creativity do PCMark 7. Entretanto, quando levamos em conta o aumento de clock dos processadores, a balança tende a favor do Trinity.

O concorrente direto do A10-4600M, por exemplo, seria o A8-3500M, que para operar dentro do TDP de 35 watts, opera a apenas 1.5 GHz, com turbo para até 2.4 GHz. Graças à diferença de clock, o A10 é capaz de superá-lo por uma margem de 10 a 30% em praticamente todas as tarefas. Mesmo se substituirmos o A10 pelo A8-4500M, que é mais lento e barato, o Trinity leva vantagem em relação à arquitetura anterior.

Se comparado ao Ivy Bridge, o Trinity mantém basicamente a mesma proporção em relação ao desempenho que tínhamos no Llano versus Sandy Bridge, já que a Intel também conseguiu aumentar a frequência dos processadores de forma considerável com a introdução da nova família. Em geral, o Trinity fica pelo menos 20% atrás.

O troco vem no desempenho em jogos, onde a HD 4000 do Ivy Bridge perde por uma boa margem em quase todos os títulos, conseguindo vencer a HD 7660G do Trinity em alguns poucos títulos especialmente otimizados ou que são limitados pela CPU, como no caso do Batman Arkham City e do DiRT 3. Em outras palavras, mesmo com a dramática evolução da HD 4000 sobre a HD 3000 do Sandy Bridge, o Ivy Bridge continua perdendo em matéria de GPU.

Você pode ver uma rodada de benchmarks preliminares com as versões móveis do Trinity nos links a seguir:

http://www.tomshardware.com/reviews/a10-4600m-trinity-piledriver,3202-7.html
http://www.anandtech.com/show/5831/amd-trinity-review-a10-4600m-a-new-hope/5
http://hothardware.com/Reviews/AMD-Trinity-A104600M-Processor-Review/?page=6

A arma secreta do Trinity fica por conta do OpenCL e da computação heterogênea, já que com exceção da conversão de vídeos (onde a Intel leva uma vantagem óbvia devido ao Quick Sync) a AMD está bem mais avançada nesse quesito. O maior problema é que os poucos aplicativos capazes de fazer uso do processamento da GPU (como o GIMP, Photoshop CS6, Flash 11.2, Handbrake e versões recentes do Winzip) ainda não conseguem paralelizar o trabalho o suficiente para dar alguma vantagem tangível à AMD. Resta-nos especular sobre quanto tempo demorará até que a situação comece a mudar.

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