Entendendo a estrutura do Puppy

O gerenciador de janelas padrão do Puppy é o JWM, um gerenciador leve, que tem uma aparência similar à do antigo IceWM, mas é mais leve e oferece vários recursos adicionais. Examinando o menu você vai logo perceber que apesar do pequeno tamanho, o Puppy oferece um volume muito grande de aplicativos e opções:

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O visual espartano do Puppy não vai ganhar nenhum concurso de beleza, mas em termos de leveza e simplicidade ele é difícil de superar, rodando com desenvoltura mesmo em máquinas antigas, com apenas 128 ou mesmo 64 MB de RAM.

Ele inclui um pequeno painel de configuração (o ícone “Setup” no desktop), que oferece as opções de configuração para o layout do teclado, som, vídeo, suporte a impressão, gravadores de CD/DVD, firewall e, o mais importante, a configuração de rede, que, diferente de outras distribuições, não é obtida automaticamente via DHCP durante o boot:

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O sistema inclui também suporte a placas wireless, incluindo um conjunto moderadamente completo de drivers, juntamente com um script de configuração. A principal dificuldade é que muitas placas não são detectadas automaticamente, mas sim através da opção “Load Module” no script de configuração de rede, que permite que você indique o módulo usado pela placa e verifique se a placa foi ou não ativada. Está disponível também um script de configuração do Ndiswrapper, que permite ativar placas incompatíveis usando os drivers do Windows.

O Puppy inclui também suporte a diversos modelos de softmodems e a conexões ADSL PPPoE. Nenhuma das conexões é ativada automaticamente, mas basta usar as opções no menu. O sistema também não detecta automaticamente a placa de som, para ativá-la use a opção “Setup Alsa Sound”, que dispara o alsaconf.

O grande segredo do Puppy para conseguir incluir tantas funções em tão pouco espaço, é justamente o uso extensivo de scripts e aplicativos próprios para desempenhar funções que em outras distribuições são executadas por aplicativos mais complexos. O visual pode não ser dos melhores, mas eles oferecem a vantagem de serem muito rápidos e de praticamente não ocuparem espaço.

Um bom exemplo é o suporte a VoIP. Em distribuições maiores, essa função é cumprida pelo Ekiga, que possui um grande volume de dependências (incluindo a biblioteca GTK e diversos componentes do GNOME), que juntos consomem quase tanto espaço quanto o Puppy propriamente dito, tornando inviável a inclusão dentro da distribuição.

Os desenvolvedores criaram então “Psip VOIP”, um pequeno aplicativo de VoIP, disponível a partir da versão 4.1. Ele é na verdade uma interface gráfica para um aplicativo de linha de comando, o “pjsua”, que é extraordinariamente leve e ocupa muito pouco espaço em disco. Com isso, conseguiram solucionar o problema, incluindo um aplicativo de VoIP sem aumentar muito o tamanho da distribuição. Levando em conta que soluções similares são usadas em diversas outras partes do sistema, fica fácil entender como ele pode ser tão compacto. Alguns exemplos são:

ROX-Filer: É um gerenciador de arquivos bastante simples e rápido, usado por padrão no Puppy e em diversas outras distribuições minimalistas. Um dos destaques no Puppy são as associações de arquivos pré-configuradas, que tornam o uso bem mais prático.

Pmount: É o script responsável por criar os ícones para acesso às partições no desktop, detectando os sistemas de arquivos usados e oferecendo as opções de montar e desmontar.

Pfind: Um script de localização de arquivos que oferece várias opções. Ele é útil para localizar arquivos dentro de partições de dados ao usar o Puppy como sistema de recuperação.

puppyPDF: Mais um script, que permite converter arquivos em formatos diversos para PDF.

PupDial: Um discador simples, que complementa o suporte a softmodems, permitindo estabelecer a conexão.

Pwireless: Em outras distribuições, as redes wireless disponíveis são mostradas pelo applet do NetworkManager, disponível ao lado do relógio. Entretanto, ele é pesado demais para ser incluído no Puppy, o que levou os criadores a desenvolverem um script simples para localizar as redes disponíveis. Ele é complementado pelo Xautoconnect, que permite se conectar automaticamente a redes abertas.

Pctorrent: Uma interface simples para baixar arquivos .torrent, baseada no ctorrent, um aplicativo de linha de comando.

Pburn: Este é um pequeno aplicativo de gravação de CDs, que além de CDs de dados, permite gravar também CDs de música e VCDs.

O trabalho de redução e otimização se estende também aos aplicativos, escolhidos com base no tamanho e no volume de dependências externas. Em vez do Firefox, temos o Seamonkey; em vez do OpenOffice temos o Abiword e o Gnumeric; em vez do Totem ou do Kaffeine temos o Gxine; em vez do Acrobat Reader temos o ePDFView, e assim por diante. Estes mesmos aplicativos podem ser usados também em outras distribuições, para casos em que você procura alternativas leves para usar em PCs com poucos recursos.

Devido ao tamanho, o Puppy não utiliza o apt, o yum ou outro gerenciador de pacotes tradicional, (que demandariam grandes mudanças na estrutura do sistema e representariam um aumento de algumas dezenas de megabytes no tamanho da imagem). Em vez disso, ele utiliza o “PETget“, um gerenciador de pacotes próprio, disponível através do menu ou do ícone “Instalar” no desktop:

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Os pacotes do Putty são na verdade arquivos compactados, que são extraídos no diretório raiz do sistema quando instalados, muito similar ao que temos no Slackware. Como o Puppy não utiliza nem o KDE, nem o GNOME, a lista de pacotes disponíveis é bastante limitada, mas, em compensação, os pacotes são bastante otimizados. O pacote do Gimp, por exemplo (que é um dos maiores), tem apenas 5 MB, sem dependências externas.

O Puppy é também parcialmente compatível com pacotes do Slackware. Basta salvá-los em alguma pasta e convertê-los para o formato do Puppy usando o “tgz2pet”, como em:

# tgz2pet bittorrent-4.4.0-noarch-2.tgz

Ele gera um arquivo com a extensão “.pet”, que é instalado ao clicar sobre ele no gerenciador de arquivos.

Embora não exista nenhuma garantia de compatibilidade, a maioria dos pacotes “simples”, que não precisam de componentes do KDE ou do GNOME funcionam bem. É possível até mesmo instalar programas mais complexos, desde que você consiga instalar junto todos os pacotes com dependências.

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